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A
capacidade de Oscar Niemeyer de criar ícones
é incontestável. Pampulha, Copan, Ibirapuera e Brasília
são incontestáveis. No Rio de Janeiro, Estado
natal e fonte de inspiração, o mais reconhecido arquiteto
brasileiro não havia criado um edifício marcante.
Coube a Niterói, situada do outro lado da baía
de Guanabara, propiciar essa oportunidade: o Museu
de Arte Contemporânea (1991/96; PD 202) foi
concebido para abrigar o acervo de um grande colecionador
de arte moderna brasileira, João Sattamini, que doou
sua coleção à cidade. Em troca, a prefeitura de Niterói
comprometeu-se a construir um espaço para abrigá-la.
O MAC, formalmente, é a realização do projeto
não executado mais famoso de Niemeyer - o museu de
Caracas, de 1954. Na definição de seu criador, o
MAC surge como uma flor na rocha que o sustenta.
Com custo de 5 milhões de dólares, o prédio ocupa lugar
privilegiado - um promontório na praia de Boa Viagem,
em frente à baía. O programa foi dividido em duas partes:
abaixo da esplanada de acesso está o embasamento, onde
ficam as instalações e o restaurante; sobre a esplanada,
no volume em cálice, estão três pisos para exposição.
Interligando a esplanada às áreas expositivas, uma rampa-serpentina
exige apenas alguns minutos de pessoas em condições
físicas normais, mas pode ser um obstáculo para deficientes
físicos. Segundo o arquiteto e crítico Roberto Segre,
a “pureza do volume contrasta com a complexidade do
acesso”.
Publicada originalmente em PROJETO DESIGN
Edição 251 Janeiro 2001
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