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Planejado com o objetivo de constituir um empreendimento diferenciado na região
da Vila Olímpia, em São Paulo, o Continental Square Faria Lima
é composto por três unidades: a torre de escritórios
Continental Office Tower e dois blocos justapostos que abrigam o flat Caesar Business
e o hotel Caesar Park. O programa específico de cada edifício originou
o desenho de torres com diferentes volumetrias. Vidro e painéis pré-fabricados
de concreto foram utilizados de forma a definir a identidade do empreendimento
e, ao mesmo tempo, criar fachadas que marcam externamente os principais usos das
edificações. O desenho das fachadas - definido por grelhas
e linhas simétricas horizontais - e a criação de áreas
que se situam como elemento de transição entre espaços públicos
e privados expressam a linguagem arquitetônica que vem sendo aplicada
aos projetos desenvolvidos pelo escritório Aflalo & Gasperini.
Uma grande praça define o acesso aos edifícios e prolonga-se entre
eles, permitindo a formação de uma rua interna que conduz a outra,
pública. Na via interna também estão situadas as entradas
de uma loja e de uma academia, instalada no empreendimento. Os corpos dos edifícios
foram colocados sobre pilares, o que possibilitou soltá-los do embasamento
e abrir áreas de circulação no térreo. A
torre de escritórios exigia uma planta com lajes de 2 mil metros
quadrados, originando um edifício de 15 andares, com formato quadrado.
No lado oposto foi implantado o edifício do hotel e flat,
com desenho longilíneo e 920 metros quadrados de laje. O térreo,
com áreas mais abertas e transparentes, abriga a praça central,
restaurantes, lojas e a ligação entre as ruas Casa do Ator e
Olimpíadas. A academia Reebok ocupa quatro pavimentos - subsolo, térreo
e mais dois pisos. O espaço tem importante relação com a
visibilidade, obtida através da caixilharia utilizada para permitir a transparência
dos ambientes. No primeiro andar, com pé-direito duplo, foram instaladas
as piscinas, que receberam cobertura com estrutura metálica, módulos
retráteis e vidros laminados de dez milímetros. Identidade
visual Nas fachadas, painéis pré-moldados e vidros
formam grelhas e faixas horizontais. A utilização de três
cores de agregados minerais - vermelha, creme e branca - para o acabamento dos
painéis cria a identidade dos edifícios. Justapostas, as torres
do hotel e do flat têm suas áreas delimitadas pelo revestimento
das fachadas: no volume do flat, uma grelha com painéis de concreto na
cor creme e vidros laminados refletivos prata; no hotel, uma composição
de pré-moldados com agregado vermelho e vidros laminados prata descreve
linhas horizontais. A fachada da torre de escritórios possui empenas
brancas, vigas com revestimento em vermelho e faixas de vidro nas cores prata
e azul, separadas por frisos horizontais. A caixilharia foi elemento
importante para a modulação horizontal, muito forte na obra. O perfil
escolhido teve a ferramenta de extrusão desenvolvida pelo engenheiro Mário
Newton, consultor do projeto de fachada. Trata-se de um sistema com barras horizontais
que escondem totalmente as verticais. A solução atendeu perfeitamente
à modulação desejada pelos arquitetos. Os perfis receberam
acabamento em pintura eletrostática, na cor branca RAL-9003 brilhante.
Todas as fachadas foram executadas sem contramarco. Segundo o
engenheiro Fernando Jabur da Cunha, gestor de obras da Inpar, a solução
foi adotada em função do concreto pré-moldado de alta
densidade. “Para evitar a perfuração dos painéis - o
que levaria muito tempo -, facilitar e agilizar a execução das fachadas,
optamos por aplicar dentro do concreto perfis de alumínio U com isopor
para receber os caixilhos, que foram parafusados”, ele revela. O isopor funcionou
como isolante entre o concreto e o perfil de alumínio. Na interface dos
painéis de concreto com os quadros de vidro foi aplicado silicone estrutural.
No hotel e flat, onde a exigência acústica era maior, as fachadas
receberam, entre os montantes, lã de rocha e caixilhos produzidos com vidro
laminado refletivo de 12 milímetros, colados com silicone estrutural em
perfis de alumínio. Na fachada da torre comercial, bem como no
térreo e na marquise que interliga os edifícios, os vidros foram
instalados com um sistema misto de fixação mecânica.
Eles foram encaixilhados com gaxetas, explica o diretor da Itefal, José
Sabioni. Depois, os vidros aplicados na fachada da torre receberam vedação
periférica de silicone neutro. Na área do embasamento e no térreo,
tanto a fixação como a vedação foram realizadas com
gaxetas de silicone. Marquise em balanço O acesso
principal do empreendimento, pela rua Olimpíadas, é marcado pela
praça central, que recebeu uma marquise em balanço, revestida
com vidros. Para se obter um elemento de destaque, mas com leveza, ela foi concebida
com estrutura metálica revestida por panos de vidro inclinados.
Completa a cobertura da marquise um plano horizontal curvo, que recebeu painéis
de alumínio composto na face interna e telhas metálicas externamente.
Projetada pela Beltec Engenharia, a marquise apresenta 45 metros de
comprimento, dez em sua área mais larga e 11 metros em balanço.
Segundo o engenheiro Sérgio Hiroo Nakamura, da Beltec, para o projeto
estrutural desse elemento foram consideradas as seguintes cargas: peso próprio
da estrutura, peso dos caixilho e vidros, cargas acidentais de 25 kgf/m2 e
vento, segundo a norma brasileira. Os perfis utilizados são de aço
patinável USI SAC300, com tratamento superficial à base de epóxi
e poliuretano. Para a sustentação da marquise foram adotadas
quatro grandes mãos-francesas, apoiadas em colunas metálicas
de 250 milímetros de diâmetro, dispostas a cada 2,5 metros. Essas
colunas nascem de pilares de concreto e estão fixadas, na parte superior,
em uma viga de concreto, integrante do terraço. A cobertura
envidraçada da marquise, com 220 metros quadrados, recebeu caixilhos
produzidos com vidros laminados de dez milímetros, incolores, fixados com
gaxetas de silicone em quadros de alumínio. Os perfis possuem o
mesmo conceito dos utilizados nas fachadas, com acabamento de pintura eletrostática
na cor branca. Na interface dos quadros foi utilizado silicone de cura neutra.
As fachadas dos halls de entrada dos edifícios ganharam colunas dimensionadas
para vencer os vãos livres com maior altura e receber as portas de acesso
aos conjuntos. A caixilharia foi produzidas com vidros laminados incolores com
espessura de dez milímetros aplicados em perfis de alumínio com
gaxetas. Texto resumido a partir de reportagem
de Gilmara Gelinski Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 42 Setembro de 2005 |