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Concretização do sonho do cafeicultor Luís Guimarães,
no início do século passado, o castelo do Batel, em Curitiba,
acolheu grandes festas e hóspedes ilustres. Cerca de 80 anos depois, rendeu-se
às mudanças dos costumes: restaurado e ampliado, abriga agora
um centro de eventos. O projeto desenvolvido pelo arquiteto Humberto Fogassa
propôs a construção de um salão de 659 metros quadrados
e a recuperação da edificação original, a partir
do levantamento de dados de documentação, registros, cadastros,
desenhos, iconografias e metragem do local. Com linguagem contemporânea,
o projeto de Fogassa diferencia-se, esteticamente, da arquitetura do castelo.
A técnica construtiva leve e reversível procurou permitir ao observador
uma leitura rápida, facilitando a percepção do atual em contraposição
ao preexistente. “O principal desafio foi conciliar o prédio antigo
com a área recente. A escolha de materiais contemporâneos e de
leveza construtiva, como o metal e o vidro, tem como objetivo fazer com
que a parte nova não interfira na outra. Além disso, a transparência
do vidro proporcionou maior integração entre os ambientes
internos e externos”, afirma o arquiteto. O vidro foi utilizado no fechamento
de coberturas e fachadas da nova edificação. Para as coberturas
foram especificados laminados de dez milímetros, de médio
e alto desempenho, e para as fachadas laminado incolor de oito milímetros,
no sistema pele de vidro. Segundo o engenheiro Jeferson Luiz Andrade,
da Andrade Rezende, responsável pela elaboração e desenvolvimento
de projetos de estruturas metálicas, adequar a estrutura à arquitetura
foi a tarefa mais desafiadora. “A obra apresenta caráter arquitetônico
interessante, pois todos os detalhes são em aço. Mas foi preciso
muito cuidado para não comprometer a edificação antiga”,
afirma. A Andrade Rezende já participou de obras em outros edifícios
tombados pelo patrimônio histórico, como o conservatório de
música de Curitiba e a Casa Hoffman. As fachadas e cinco coberturas de
vidro foram executadas pela Engevidros. O castelo foi construído
nos anos 1920 em um lote de propriedade do cafeicultor Luís Guimarães,
na avenida do Batel, à época um dos caminhos de entrada de Curitiba.
Seu desenho, inspirado nos castelos franceses da região do Loire,
na França, resultou de viagens que Guimarães e o engenheiro Eduardo
Carvalho Chaves fizeram à Europa. Em 1947, o castelo passou a
ser residência da família do governador do Paraná, Moysés
Lupion. Recebeu nesse período nomes ilustres como Assis Chateaubriand,
Juscelino Kubitschek, Eurico Gaspar Dutra, Jânio Quadros e João Goulart.
Tombado pelo patrimônio histórico em 1974, teve outros usos
até ser apontado como local adequado para um centro de eventos, em 2002.
Ainda nas mãos da família Lupion, agora como administradora, o castelo
volta a ser palco de grandes realizações, em seus 2.226 metros quadrados
de área. Texto resumido a partir de reportagem
de Cida Paiva
Publicada originalmente em FINESTRA Edição
42 Setembro de 2005 |