| Duas coberturas curvas e inclinadas, transversais
ao lote, delimitam e sinalizam o pátio aberto da sede do Instituto Acaia,
em São Paulo, que teve projeto desenvolvido pelo escritório
Una Arquitetos. Mais conhecido como Ateliê Acaia, o espaço
foi criado em 1997 pela artista plástica Elisa Bracher para atender jovens
e crianças carentes das imediações da Ceagesp, companhia
de entrepostos e armazéns situada na zona oeste de São Paulo.
No Instituto Acaia, as crianças participam de atividades culturais,
de lazer e profissionalizantes, embora tenham também a liberdade de simplesmente
passar o dia no local. O aumento do número de alunos - de
dez para cem, apenas nos dois primeiros anos de atuação da entidade
- gerou a demanda pelo projeto arquitetônico de uma sede própria,
de forma a setorizar as atividades do Acaia em relação àquelas
desenvolvidas pela artista plástica, em seu ateliê de grandes esculturas
de madeira. Em uma das laterais do amplo terreno com leve desnível
transversal, os arquitetos implantaram extenso bloco longitudinal, que tem
térreo executado em alvenaria e piso superior constituído por peças
de madeira. A ligação entre os pavimentos ocorre por escadas
metálicas, que delimitam a área dos vestiários, embaixo,
e o terraço central do primeiro andar. Esse bloco fica
a cerca de 12 metros do galpão de Elisa, de forma a configurar grande área
livre central, de transição entre as construções.
É, assim, através do aproveitamento do desnível transversal
do terreno que os arquitetos setorizaram as diversas atividades sem, contudo,
criar barreiras visuais. A arquiteta Fernanda Barbara explica que
“o partido arquitetônico teve como referência a ambiência
de grande galpão”, o que torna o extenso pátio aberto adjacente
ao novo bloco um dos elementos de destaque do projeto. É sobre
esse espaço que se projetam as belas coberturas curvas de madeira,
executadas por Hélio Olga, com larguras distintas e afastamento
central de 2,50 metros. A sutil curvatura possibilitou a execução
de vigas maciças de jatobá em vez de peças laminadas,
desmembradas em segmentos contínuos em virtude da grande extensão.
Um dos apoios tem a forma de árvore - ou “pirâmide invertida”,
como explica Hélio Olga -, com quatro peças de madeira que partem
de pilaretes circulares de concreto. Esses elementos pontuam uma das laterais
longitudinais do pátio. Já a setorização
do instituto levou em consideração a experiência educacional
do Acaia, enfatiza Fernanda, sobretudo pela predominância de atividades
interligadas e variadas. Assim, destacam-se os grandes vãos livres e
a conexão das salas de aulas às generosas áreas abertas,
como os três terraços posicionados no centro e extremidades do andar
superior. Os materiais de construção e revestimento têm
linguagem simples, despojada, destacando-se, contudo, o contraste entre
o térreo de alvenaria branca e o pavimento superior, com painéis
de vedação, caixilhos e pisos de madeira. Texto
resumido a partir de reportagem de Evelise Grunow Publicada originalmente
em PROJETODESIGN Edição 308 Outubro de 2005 |