OMA
Sala de concertos, Porto, Portugal
    
 
 Grande abertura da fachada comunica o exterior com o interior da sala de música
    
 
Bloco sólido é escavado
para criar vazios isolados
 

Assim como uma massa de concreto, um objeto de múltiplas faces formado por planos que parecem desafiar a lei da gravidade, surge no Porto, cidade no norte de Portugal, a obra mais recente do OMA, escritório sediado na Holanda e chefiado por Rem Koolhaas. Inaugurada no dia 14 de abril, a Casa da Música resulta de concurso ganho em julho de 1999. Sua concepção teve como base um projeto residencial elaborado pelo ateliê holandês e não executado.

A casa Y2K originalmente foi desenhada para um cliente que não queria encontrar com seus familiares, mesmo vivendo todos debaixo do mesmo teto. O resultado desse desafio foi um bloco sólido que parecia ter sido escavado para criar vazios isolados. De certa forma, pode-se comparar esse processo ao da desconstrução, em que uma massa única inicial sofre subtrações para dar origem a novos espaços. E é com essa massa, em escala cinco vezes maior e com os dormitórios substituídos por espaços de concertos, que foi concebido o novo edifício para espetáculos musicais em Portugal.

Situado em um plano urbano bastante heterogêneo, o edifício aparece isolado em um quarteirão todo revestido com mármore travertino. Esse enorme tapete acompanhado de ondulações (acessos ao estacionamento subterrâneo) prepara a aproximação do prédio, que, por sua vez, convida a entrar por meio de suas escadarias, um dos elementos emblemáticos do projeto.

 
Volume possui forma não definida
 
O edifício encontra-se isolado no quarteirão
  
 O embasamento é utilizado pelo público e possui superfície curvilínea
    
  
 A sinuosidade da laje do embasamento permite
a abertura de entradas
 A escada de acesso é peça marcante
entre a base e o volume
    
 
 Ondulações permitem que o vidro se transforme em material acústico
    
 

No interior, logo se nota a contraposição de materiais. As circulações internas mantêm sempre o perfil neutro, com vidros e chapas de alumínio presentes em todo o espaço. Já nas salas especiais há uma explosão de cores e texturas. Os revestimentos aparecem como se fossem papéis de parede que anunciam cada programa. Encontram-se nesses ambientes desde réplicas de painéis de azulejos portugueses até esponjas, borrachas, acolchoados, mosaicos e folhas de ouro.

O grande auditório tem o formato de caixa de sapato. O acabamento das paredes é feito em painéis de madeira e o detalhe da folha de ouro parece ter surgido através de um alargamento da escala dos veios do próprio material. A sala de concertos deixa penetrar a luz do dia através de vãos que chegam a alcançar cinco metros de altura, vedados por vidros ondulados - as sinuosidades fazem do material um elemento acústico. Além de proporcionar vista para exterior, esses vidros criam ligações entre o auditório principal e as salas vip, de cybermusic e reservada para crianças. De certa forma, pode-se dizer que a Casa da Música é toda composta por essas ligações visuais entre os espaços. Mesmo as salas de ensaios, implantadas no mesmo piso da bilheteria, podem ser vistas através de uma chapa perfurada. O terraço oferece belíssima visão da praça e o vértice do edifício condiciona nosso olhar ao monumento central.

A forma de poliedro do prédio em nada facilitou a concepção de sua estrutura. Muitas idéias surgiram e viriam a ser testadas pela primeira vez. Depois de numerosos ensaios, em computador e com protótipos, chegou-se à impressionante estrutura de concreto autoportante. Para sua realização foram necessárias inspeções minuciosíssimas em obra, que seguiu passo a passo uma seqüência de 85 fases.

A Casa da Música é um edificio de extrema importância para a arquitetura contemporânea. Não só pela estrutura e tecnologia empregadas, mas também pela abordagem de materiais e manipulação dos espaços. De fato, o prédio é um exemplo da atitude contemporânea frente à arquitetura.

Texto resumido a partir de reportagem
de Michelle Jean de Castro
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 308 Outubro de 2005

 
As circulações misturam-se com a área de foyer
 
Peças estruturais ficam aparentes
 
Detalhe da bilheteria, junto ao acesso
 
  
O espaço central é ocupado pela sala maior
 
Vista da sala menor, marcada pela cor vermelha
 
Materiais de revestimento parecem papéis de parede

Ficha Técnica
Casa da Música
Local
Porto, Portugal
Início do projeto
1999
Término da obra
2005
Área construída
22.000 m2
Arquitetura
OMA – Rem Koolhaas e Ellen van Loon (autores); Rem Koolhaas, Fernando Romero Havaux, Isabel Silva, Barbara Wolff e Uwe Herlijin (equipe do concurso); ANC Architects - Jorge Carvalho (escritório local); A. Fisher, M. Howard, I. Silva, N. Rosado, R. Choeff, B. Wolff, S. Griek, G. Gerritsen, S. Simon, T. Duda, C. von der Muelde, R. Amado, P. Koenen, P. Muller, K. Kreck, E. Lima, C. Scholl, A. de Jong, A. Zierl, O. Hitz, J. Toscano, D. Santo, N. Carvalho, S. Wandinger, C. Canas, S. Rahabaran, C. van Duijn, M. Baptista, A. Cardoso, P. Costa, A. Jacinto, F. Louyot e N. Firket (equipe do escritório OMA)
Estrutura
Arup Londres/AFA - Cecil Balmond, Rory McGowan, Asim Gaba, Tody Maclean, Andrew Winson, Rui Furtado, Rui Oliveira e Pedro Moas
Instalações
Arup Londres/AFA - Tim Thornton, Stefan Waldhauser, Dane Green, Rodrigues Gomes, Joaquim Viseu, Luís Graça, Paulo Silva, Marco Carvalho e Pedro Albuquerque
Acústica
TNO Eindhoven - Dorsser Blesgraaf, Renz van Luxemburg e Theo Raijmakers
Prevenção de incêndio
Arup Fire - George Faller
Consultoria de normas
OHM/Gerisco
Interiores
Inside Outside - Petra Blaisse, Peter Niessen, Marieke van den Houvel e Mathias Lehner
Cenografia
Ducks Scéno, Michel Cova, Stephan Abromeit e Aldo de Souza
Fachada
Robert Jan van Santen, ATM/Rob Nijsse e Arup Fachadas
Mobiliário do foyer
Daciano da Costa, António Sena da Silva e Leonor Álvares de Oliveira
Fotos
Leonardo Finotti

 
Detalhe do restaurante, junto a uma das aberturas
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