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| | 6ª
Bienal Internacional de Arquitetura, São Paulo-SP |
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| | Projeto
da catedral de Belo Horizonte (1939), Clemens Holzmeister |
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Evento define-se pela diversidade
de exposições | | | |
| Assim como as anteriores, a Bienal Internacional
de Arquitetura de São Paulo, aberta de 22 de outubro a 11 de dezembro,
no Pavilhão da Bienal, em São Paulo, é composta por uma série
de exposições de arquitetura. Também como nas outras, igualmente
batizadas com um tema, na 6ª BIA é muito difícil perceber a
temática - Viver na Cidade - como fio condutor entre as diversas
salas. É possível dividir a 6ª BIA em cinco
partes, formadas por agrupamentos de exposições. A primeira dedica-se
a salas de arquitetos estrangeiros, consagrados tais como Le Corbusier e Alvar
Aalto. Na seqüência, estão os espaços especiais dos
arquitetos estrangeiros na ativa - como o espanhol Campo Baeza e o português
Souto de Moura. A esse setor seguem-se as salas dedicadas aos brasileiros
em atividade - Decio Tozzi e Hector Vigliecca estão entre
eles. Há ainda as exposições especiais nacionais, subdivididas
em homenagens a importantes arquitetos paulistas, como Carlos Milan, e
mostras diversas, ligadas ao universo arquitetônico, como a do fotógrafo-arquiteto
Cristiano Mascaro. Por fim, estão as salas dos países convidados.
Arquitetos estrangeiros Artes plásticas, digitais,
retrospectiva histórica e programática foram alguns dos aspectos
abordados na seção Mostras Especiais Internacionais, que
reúne trabalhos do arquiteto e designer finlandês Alvar Aalto, do
franco-suíço Le Corbusier e do austríaco Clemens Holzmeister,
além do escritório suíço Jessen+Vollenweider, em parceria
com a equipe dos arquitetos brasileiros David e Dácio Ottoni.
Da produção de Alvar Aalto (1898-1976), um dos mais notórios
expoentes da arquitetura orgânica, que, no início do século
20, representou contraponto à abordagem do chamado estilo internacional,
a bienal apresentou 16 residências projetadas entre os anos 1920
e 1970. Intitulada Alvar Aalto Houses - Timeless Experiences, a mostra desde 1999
percorre importantes instituições culturais e de ensino nos quatro
continentes. Foram exibidos desenhos, maquetes e belas fotografias (material pertencente
ao Museu Alvar Aalto, na Finlândia), que exemplificam o exaustivo detalhamento
dos interiores, um dos traços característicos do arquiteto.
O design foi também tema-chave da mostra, que reuniu ainda peças
de mobiliário feito com madeira, além de luminárias
e vasos de vidro. Já a seção dedicada ao grande expoente
moderno, Le Corbusier (1887-1965), trouxe sua faceta artística.
Intitulada Gravuras a Serem Fixadas na Parede, a mostra contou com 45 peças,
entre as quais a litografia Modulor, sistema de medidas baseado na relação
áurea e proporções humanas, que se tornou fundamental e um
dos ícones da produção do arquiteto. Le Corbusier criou inúmeras
pinturas, esculturas, gravuras e colagens, cerca de 8 mil peças,
material que passou a ser divulgado apenas na década de 1950.
A mostra do austríaco Clemens Holzmeister (1886-1983) destacou a
relação do arquiteto com o Brasil, motivada pelos projetos institucionais,
sobretudo igrejas, que criou no início do século 20. O projeto
não executado de uma catedral encomendada por autoridades governamentais
e eclesiásticas de Belo Horizonte, na década de 1930, era um dos
itens da mostra, que enfocava ainda os trabalhos mais notórios do arquiteto,
como o crematório de Viena, de 1921. Já as salas dos arquitetos
estrangeiros, convidados pelos organizadores da bienal, apresentaram diversificado
panorama da produção internacional, desde os anos 1980 até
a atualidade. O português Eduardo Souto de Moura trouxe uma série
de residências, grande parte delas localizada na região do Porto,
além do projeto do estádio implantado na cidade de Braga. Este foi
um dos finalistas da importante premiação européia Mies Van
der Rohe em 2005, o que enfatiza o renome internacional desse arquiteto
emblemático da chamada escola arquitetônica do Porto, que trabalhou
com o também português Álvaro Siza Vieira.
A produção de Gonçalo Byrne, representante da escola
de Lisboa, também foi apresentada na bienal. Os trabalhos selecionados
pelo arquiteto português foram: casa da província da Brabant Flamenga,
em Louvain, na Bélgica; Centro de Coordenação e Controle
de Tráfego Marítimo do Porto, em Lisboa; Complexo do Cais do Carvão
e Clube Naval do Funchal; além da intervenção no santuário
de Fátima, também em Portugal. Byrne utilizou grandes maquetes,
contornáveis por sistema de rampas e degraus, para discorrer sobre a relação
entre os projetos, por ele denominados objetos arquitetônicos, e a cidade.
Alberto Campo Baeza conceituou sua exposição com a noção
de que o arquiteto é um construtor de idéias. “Gostaria novamente
de mostrar que é isso que nós fazemos. Nós construímos
idéias segundo as leis da gravidade e da luz; idéias criadas
com nossa razão”, declarou o arquiteto espanhol, que exerce também
intensa atividade acadêmica. Entre os trabalhos expostos constavam desde
a extremamente divulgada residência Blas (2000), em Madri, até projetos
institucionais de grande porte. O chileno José Cruz Ovalle,
que conquistou notoriedade internacional com o pavilhão de seu país
na Exposição Universal de Sevilha, em 1992, apresentou projetos
residenciais e institucionais recentemente implantados, além de resumo
da trajetória de seu escritório. Destacou-se a residência
do arquiteto (1994), com seus planos multifacetados de madeira. Outros
arquitetos estrangeiros com mostras especiais na bienal foram o argentino de origem
uruguaia (e com grande atuação nos Estados Unidos) Rafael Viñoly;
o peruano radicado na França Henri Ciriani; o alemão Thomas
Herzog, com seus projetos de elevado desenvolvimento técnico e construtivo;
os espanhóis Esteve Bonell e Josep Maria Gil, representantes
do cenário urbano e arquitetônico da Barcelona contemporânea;
além do italiano Vittorio Gregotti, que trouxe trabalhos representativos
da escala local e urbana de projetos arquitetônicos, como os desenvolvidos
em diversas áreas de Veneza. Ainda apresentaram mostras especiais o norte-americano
Richard Meier, o mexicano Ricardo Legorreta e o austríaco
Hans Hollein, enfocados em reportagens desta edição. |
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Casa e estúdio do
arquiteto, Chile (1994), José Cruz Ovalle e Ana Turell |
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Litografia Modulor, baseada
em original a gouache (1956), Le Corbusier |
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| Maison Carré, França
(1961), Alvar Aalto | | |
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| Casa Blas, Espanha (2000),
Alberto Campo Baeza | | |
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| Clube Naval do Funchal, Portugal,
Gonçalo Byrne | |
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| | Teatro
degli Arcimboldi, Itália (2002), Vittorio Gregotti |
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| | Dezessete
salas homenagearam arquitetos brasileiros | | | |
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| | Fórum
de Teresina (1972), Acácio Gil Borsoi | | | | | |
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| Mostras brasileiras Outra atração
da 6ª BIA foram as 17 salas especiais, dedicadas aos arquitetos brasileiros
convidados, escolhidos por suas importantes contribuições no campo
da arquitetura e do urbanismo. “A intenção é homenagear esses
profissionais, que representam a diversidade da produção nacional
e atuam em áreas variadas, evidenciando a qualidade e a versatilidade da
arquitetura brasileira”, afirmou Gilberto Belleza, que divide a curadoria do evento
com o arquiteto Pedro Cury. A principal homenagem ficou para o arquiteto
carioca Acácio Gil Borsoi, que teve destacada atuação
no Nordeste, ao longo de seus 53 anos de carreira. Formado em 1949 pela Faculdade
de Arquitetura da Escola Nacional de Belas-Artes, no Rio de Janeiro, e considerado
o fundador da escola do Recife, Borsoi recebeu o Colar de Ouro do Instituto
de Arquitetos do Brasil (IAB) na solenidade de abertura. Em sua sala especial
estavam expostos 38 projetos. Foram destacadas 14 obras, entre elas o Palácio
da Justiça (1972) e a Assembléia Legislativa do Piauí (1984),
a restauração do Palácio São Luís, ainda em
andamento, e diversas residências, entre elas sua própria casa, no
Rio de Janeiro (1986). Ainda do Nordeste vieram alguns dos trabalhos
mais centrados em aspectos urbanísticos. O escritório Nelson &
Campelo Arquitetos Associados, de Fortaleza, fez uma amostragem dos trabalhos
produzidos ao longo dos 23 anos de sociedade entre Nelson Serra e Antônio
Carlos Campelo Costa. Entre as propostas expostas, ênfase para a requalificação
urbana dos centros históricos das cidades cearenses de Aquiraz, Quixeramobim,
Icó e Sobral. Destas, apenas a de Aquiraz ainda não foi implantada.
Em Sobral, o projeto abrangeu a urbanização da margem esquerda do
rio Acaraú, com a construção de uma praça cívica
e uma concha acústica. Luiz Eduardo Índio da Costa,
gaúcho radicado no Rio de Janeiro, também destacou projetos de revitalização,
entre eles o Rio Cidade Leblon (1994), finalista do prêmio de arquitetura
Mies van der Rohe para a América Latina. Nesse trabalho, o arquiteto propõe
recuperar elementos tradicionais da cidade, priorizar o pedestre e modernizar
o bairro, enfatizando sua vocação natural. Foi exibido um documentário,
elaborado pelo Centro de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro, com um resumo
da produção de Índio da Costa ao longo de seus 40 anos de
atuação profissional. Na sala de Hector Vigliecca,
arquiteto uruguaio radicado em São Paulo há 30 anos, destacaram-se
projetos de interesse social. O elemento de presença mais forte
é a maquete de 12 metros quadrados que mostra uma proposta de transformação
da favela Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. A discrepância
entre a realidade e o projeto ficou evidente ao se assistir ao vídeo sobre
o dia-a-dia da comunidade, que possui cerca de 80 mil moradores. Projetos
de interesse social também estiveram em foco na sala de Joan Villà,
nascido na Espanha e formado em 1968 pela FAU/Mackenzie. Eram oito trabalhos expostos
na forma de painéis fotográficos e maquetes, com ênfase para
o conjunto de 24 residências em Cotia, SP (2002), desenhado em parceria
com Sílvia Chile e vencedor do Prêmio Carlos Milan, conferido
pelo IAB/SP em 2002 (leia PROJETO DESIGN 276, fevereiro de 2003). A moradia estudantil
(1989/91) e o espaço cultural da Unicamp (1989/94), em Campinas, SP, e
a residência na praia do Félix (2001), em Ubatuba, foram outros destaques
do espaço. A apresentação do pernambucano Vital
Pessoa de Melo reuniu alguns dos principais trabalhos desenvolvidos ao longo
de quatro décadas de profissão. Painéis fotográficos
e 12 maquetes representavam os mais diversos programas. Os destaques ficaram
para escolas do Senai nas cidades pernambucanas de Petrolina e Garanhuns, para
a sede do Confea, em Brasília, e para a sede da Celpe (1975), a companhia
de eletricidade de Pernambuco. O arquiteto comemorou o fato de a edificação,
construída há 30 anos, ainda estar exatamente como na época
de sua inauguração. | | |
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Centro de Convenções
David L. Lawrence, EUA (2003), Rafael Viñoly |
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| Urbanização
da margem esquerda do rio Acaraú, Sobral, CE, Nelson & Campelo Arquitetos
Associados | | |
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Escola Sesc de Ensino Médio,
Rio de Janeiro (2004), Luiz Eduardo Índio da Costa |
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Intervenção
na favela de Paraisópolis, São Paulo, Hector Vigliecca |
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| Casa em Ubatuba, SP (2001),
Joan Villà e Sílvia Chile | |
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| | Salas
especiais apresentaram desde projetos de sinalização a obras
de interesse social | | | |
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| | Conjunto
residencial Villagio San Rafael, Bertioga, SP (1993), Benno Perelmutter e Marciel
Peinado | | | | | |
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| A arquitetura de Minas Gerais esteve
representada por 16 projetos de Joel Campolina, engenheiro-arquiteto e
urbanista formado pela UFMG. Para retratar três décadas de carreira,
Campolina apresentou projetos como o do edifício residencial Serramares
(1984), do Planetário de Belo Horizonte (2004) e das intervenções
para refuncionalização de edifícios da Fumec (2005), todos
na capital mineira. Ele também lançou um catálogo de 60 páginas,
distribuído pela ProLivros, com informações detalhadas sobre
os trabalhos expostos. Paulista radicado em Curitiba desde a década
de 1960, Luiz Forte Netto expôs cerca de 60 projetos, considerados
os mais representativos de sua trajetória profissional, iniciada com a
graduação pela FAU/Mackenzie em 1957 e marcada pela atuação
como urbanista - atualmente, ele é superintendente executivo do programa
Paraná Cidade. Dentre os projetos em destaque estavam a sede da Petrobrás
(1968), no Rio de Janeiro; o Centro de Processamento de Dados do Bamerindus, atual
HSBC (1970), e o edifício comercial Picadilly (1986), ambos em Curitiba.
A produção paulista teve diversos representantes. A arquiteta-paisagista
Rosa Kliass (formada pela FAU/USP, em 1955) apresentou a evolução
de sua carreira a partir de sete projetos principais, entre eles o Parque das
Esculturas de Salvador (1996); o laboratório Fleury (1998) e o parque da
Juventude (concurso de 1999), ambos em São Paulo; e Feliz Lusitânia,
em Belém (1998/2000), além do Plano de Paisagem Urbana de São
Luís. Outra atração do espaço foi o vídeo com
depoimentos sobre a trajetória da arquiteta, que comemora 50 anos de
carreira. Na sala especial de Carlos Bratke, foi possível
acompanhar a metodologia de trabalho do arquiteto a partir de um painel com croquis
e plantas que reproduz uma das paredes de seu escritório. Formado pela
FAU/Mackenzie em 1967 e pós-graduado pela FAU/USP em 1969, Bratke projetou
cerca de 60 torres implantadas na região da Berrini, entre elas
o edifício Plaza Centenário (1988/95), conhecido como Robocop. A
mostra reuniu ainda trabalhos desenvolvidos para a Petrobrás, um centro
de pesquisas da USP, uma escola e o Poupatempo de São Bernardo do Campo,
SP (2001). Benno Perelmutter (FAU/USP, 1960) e Marciel Peinado
(FAU/Universidade Católica de Santos, 1976) usaram o espaço da sala
especial para expor seis maquetes e dez painéis fotográficos coloridos,
que fizeram uma síntese dos anos de parceria profissional, iniciada em
1972. Entre os destaques figuravam diversos projetos de equipamentos públicos,
como a Estação de Passageiros do Aeroporto Santa Genoveva (2002),
em Goiânia, e o Poupatempo de Guarulhos, SP (2001). Também esteve
exposto o projeto do conjunto residencial Villagio San Rafael (1993), em Bertioga,
no litoral paulista. Vídeo com uma hora de duração complementou
a mostra. O espaço de Decio Tozzi apresentou toda a produção
do arquiteto, formado em 1960 pela FAU/Mackenzie. A exposição baseou-se
em livro sobre a obra de Tozzi, lançado na própria bienal. De um
lado, fotos, plantas, croquis dos trabalhos exibidos em um painel de 30 metros
quadrados. Outra parede servia para a projeção ininterrupta de imagens
de seus principais projetos e obras, com destaque para a área residencial,
como a casa em São Sebastião, SP (1998), e o edifício Spazio
2222 (1996), residencial de alto padrão na capital paulista.
O escritório Cauduro Martino, comandado por João Carlos Cauduro
e Ludovico Martino, de destacada atuação nas áreas
de planejamento ambiental, sinalização visual e mobiliário
urbano, apresentou alguns de seus principais trabalhos. Entre eles, os
sistemas de sinalização do metrô de São Paulo, da rodoviária
de Brasíla (1999) e da avenida Paulista (de 1974 e de 2004), bem como o
Sistema Metropolitano de Buenos Aires. Formado pela FAU/USP em 1959,
Siegbert Zanettini usou o espaço de cem metros quadrados para a
elaboração de dois painéis. O primeiro deles reunia diversos
projetos, como Escola Panamericana, Hospital São Luiz, São Luiz
Anália Franco, São Camilo Pompéia, Centro Virtual em Cultura.
O segundo painel apresentou a proposta de ampliação do Centro de
Pesquisas da Petrobrás, na ilha do Fundão, no Rio de Janeiro (2005).
Compuseram ainda as mostras brasileiras as salas de Eduardo de Almeida,
Paulo Zimbres e Mário Aloísio Melo, destacadas em
reportagens nesta edição. | | |
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| Sinalização
da rodoviária de Brasília (1999), Cauduro Martino |
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Poupatempo de São
Bernardo do Campo, SP (2001), Carlos Bratke |
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| Edifício da Fumec,
Belo Horizonte (2004), Joel Campolina | | |
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| Sede da Celpe, Recife (1975),
Vital Pessoa de Melo | | |
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| Casa em São Sebastião,
SP (1998), Decio Tozzi | |
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| Passeio público
de Belém (1998), Rosa Kliass | |
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| | Obra
de Milan é aula de como fazer arquitetura |
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| | Residência
Roberto Milan, São Paulo (1960), Carlos Milan |
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| Mostras Especiais Nacionais A 6ª
abriu espaço para o segmento Mostras Especiais Nacionais. Ali foram
instalados espaços em homenagem a arquitetos paulistas falecidos: Carlos
Milan, Oswaldo Corrêa Gonçalves, Ícaro de Castro
Mello e Eduardo Kneese de Melo. A morte trágica e
precoce, aos 37 anos, em 1964, não impediu que o arquiteto Carlos Barjas
Milan se tornasse uma figura-símbolo da moderna arquitetura paulista.
Passados mais de 40 anos de seu falecimento, Milan ainda desperta interesse, curiosidade
e reúne admiradores, inclusive entre as novas gerações.
A sala reservada a sua produção foi organizada pela arquiteta Mônica
Junqueira de Camargo, que considera as obras e desenhos deixados por Milan mais
do que patrimônio arquitetônico, aulas de como fazer arquitetura.
A casa que ele desenhou para o irmão Roberto, em São Paulo (1960),
exposta na bienal, é até hoje objeto de devoção, especialmente
entre os profissionais da sua geração. Oswaldo Corrêa
Gonçalves não pôde conhecer o espaço reservado
pelos organizadores para homenageá-lo na sexta bienal. Ele, que foi o responsável
pela coordenação da primeira edição do evento,
realizada em 1973, morreu, aos 88 anos, menos de dois meses antes da abertura
da BIA. Nascido em Santos, SP, Gonçalves desenvolveu a maior parte de seus
projetos entre as décadas de 1950 e 1970. Trata-se de outra figura-chave
para a compreensão da arquitetura moderna paulista e brasileira - ele foi
um dos principais divulgadores do ideário modernista de Le Corbusier.
Entre os projetos de Gonçalves expostos no Ibirapuera estavam o Senac de
Marília, SP, edificação que criou em 1953. O Sesc e o Senac
contrataram o arquiteto para criar edifícios de várias de suas unidades.
Um panorama da arquitetura esportiva desenvolvida e implantada no
Brasil do século passado foi proporcionada pelo estande que exibiu os projetos
de Ícaro de Castro Mello. O fato de ter sido atleta de competição
deve ter exercido influência na linha de trabalho pela qual ele se tornaria
mais conhecido. Ao lado dessa especialidade, Ícaro foi um ativista na luta
pela regulamentação da profissão, tendo ocupado a presidência
do IAB/SP por três gestões e a direção nacional
da entidade entre os anos de 1960 e 1966. O Estádio Mané Garrincha,
em Brasília, é uma das obras criadas por ele, assim como o ginásio
de esportes da capital federal (1970). O centro cultural e esportivo do Sesc Itaquera,
em São Paulo, foi uma das últimas obras de Ícaro, que faleceu
em 1986. Depois de ter desenhado, no início da carreira, dezenas
de casas para a elite paulistana, Eduardo Kneese de Melo reverteu esse
caminho. Em seguida a sua participação no 5º Congresso Pan-Americano
de Arquitetos, em Montevidéu, em 1940, direcionou sua carreira para os
chamados clientes coletivos. São desse segundo período os
conjuntos habitacionais que desenhou para atender, na época, faixas da
população de menor renda. Alguns mantêm a elegância
do desenho que os transformou em objeto de desejo da classe média. Além
deles, foi mostrada na bienal a sede da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Farias
Brito, em Guarulhos, SP, projeto que data do início da década de
1980. Além das retrospectivas desses quatro arquitetos, no módulo
de mostras especiais estiveram em destaque outras atividades ligadas à
arquitetura, como fotografia, artes plásticas e
iluminação. A obra construída de Cristiano Mascaro
é quase como uma nota de cem reais: todos sabem que ela existe, mas poucos
a conhecem. Isso porque, formado pela FAU/USP, ele enveredou pelo caminho da fotografia.
De certo modo, Mascaro é também um arquiteto, pois recria as obras
ao nelas revelar visões pessoais e insuspeitas. Os 30 anos de trajetória
do fotógrafo-arquiteto foram sintetizados na exposição Brasil
XYZ. As imagens escolhidas por Álvaro Razuk exibem situações
urbanas, edifícios, pessoas, e foram colhidas por Mascaro em várias
cidades do Brasil. A arquiteta Odiléa Setti Toscano, egressa
da mesma faculdade que Mascaro, tornou-se mais conhecida por sua outra profissão
- a de artista plástica, que, como a de fotógrafo, guarda
estreita relação com a arquitetura. Não é raro Odiléa
tomar como suporte para expressar sua arte a própria edificação.
É da artista a série (fotografada por Mascaro) de murais avistados
diariamente por milhares de passageiros do metrô paulistano nas estações
Paraíso e São Bento. Essas duas obras, junto com outros desenhos
preparados para várias publicações, estiveram expostas no
espaço reservado à artista-arquiteta. Quando foi realizada
a 1ª Bienal de Arquitetura de São Paulo, em 1973, eram raros
no Brasil os arquitetos especializados em iluminação. Duas
décadas depois, eles não só ocuparam espaços, como
fizeram por merecer uma ala no principal evento arquitetônico nacional,
representados pela Associação Brasileira de Arquitetos de Iluminação
(Asbai). Numa espécie de galeria, profissionais como Gilberto Franco,
Carlos Fortes, Esther Stiller, Peter Gasper,
Mônica Lobo, Inês Benevolo e Cristina
Maluf exibiram alguns de seus projetos recentes, mostrando por que nos
dias atuais é imprescindível sua participação na produção
de arquitetura. Para mostrar que mesmo nos dias atuais, com as
pessoas acuadas e temerosas da violência das grandes cidades, o arquiteto
pode trabalhar o espaço privado de forma a suplementar a função
de áreas públicas, a Associação Brasileira dos Escritórios
de Arquitetura (Asbea) desenvolveu um espaço original no Pavilhão
da Bienal. Placas de vidro atirantadas em colunas formavam uma espécie
de arena. No centro, equipamentos audiovisuais exibiam exemplos nacionais e internacionais
de projetos que praticaram a integração público/privado e,
até mesmo por isso, no caso da capital paulista, tornaram-se cartões-postais
da cidade, como o Museu de Arte de São Paulo, o Conjunto Nacional e o mais
recente discípulo dessa tipologia, o Brascan Century Plaza (1999).
Sensibilizar o universo arquitetônico brasileiro para, mais
adiante, tornar possível constituir o Museu da Arquitetura Brasileira.
Essa foi uma das intenções dos idealizadores da mostra Desenhos
da Arquitetura da FAU/USP, que apresentou na bienal reproduções
de desenhos de 40 dos mais importantes arquitetos brasileiros. A seleção,
realizada com base no acervo da biblioteca da faculdade, reuniu trabalhos de nomes
como Vilanova Artigas, Lina Bo Bardi e Rino
Levi, entre outros. Caso se viabilize a implantação do museu,
a biblioteca da FAU/USP - cuja capacidade está próxima do limite
- terá contribuição fundamental, uma vez que, atualmente,
tem em seu acervo mais de 400 mil projetos. Também figuraram
no setor de mostras especiais da 6ª BIA os seguintes espaços
e exposições: Alegoria Barroca; Síntese da 4ª Bienal
Ibero-Americana; New Territories; Habitação Popular - O Direito
à Arquitetura; Identidade Cultural de Heliópolis; Premiação
do IAB/SP; Urbanização Dispersa e Novas Formas de Tecido Urbano;
Quarenta Anos do Ippuc; Exposição do IAB - Núcleo Ribeirão
Preto; Sesc e a Arquitetura. | | |
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| Senac Marília, SP
(1953), Oswaldo Corrêa Gonçalves |
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| Ginásio de esportes,
Brasília (1970), Ícaro de Castro Mello |
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| Painel na estação
Paraíso do metrô, São Paulo (1990/91), Odiléa Toscano |
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Posto de gasolina, São
Paulo (2000), em foto de Cristiano Mascaro |
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| Faculdade de Arquitetura
e Urbanismo Farias Brito, Guarulhos, SP (1981), Eduardo Kneese de Melo |
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| Brascan Century Plaza, São
Paulo (1999), Königsberger Vannucchi | |
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Casa Lucy, Alabama, EUA
(2002), Rural Studio |
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Numa
espécie de galeria, profissionais da luminotécnica exibiram
projetos |
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Museu Oscar Niemeyer, Curitiba
(2002), iluminação de Peter Gasper |
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Representações
estrangeiras
Como a bienal de artes plásticas, o evento de arquitetura contou
com a participação de países convidados.
Cada um, de acordo com o tema proposto pela curadoria, teve liberdade
de enviar a mostra que desejasse. Para a 6ª BIA, a maior parte
dessas exposições foi idealizada pelas organizações
de arquitetos locais, ressaltou o curador Gilberto Belleza.
Uma das mais interessantes foi a exposição trazida
pelos Estados Unidos. Tratava-se de uma mostra sobre o trabalho de
Samuel Mockbee, criador do Rural Studio, que trabalhou
sobretudo com populações carentes do Alabama, no sul
do país. O arquiteto, falecido em 2001 e postumamente premiado
com a Medalha de Ouro do American Institute of Architects (AIA), utilizava
principalmente materiais simples e reciclados. Um dos destaques era
o centro comunitário de Mason’s Bend, em parte coberto por
vidros de carros.
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Edifício
de escritórios Berliner Bogen, Alemanha (2001),
BRT Architekten |
O maior espaço da 6ª BIA coube à Alemanha
(leia texto sobre a montagem da exposição na seção
Design), que trouxe sobretudo trabalhos localizados em Hamburgo. Na
sala da França estavam expostas, entre outras, a torre
Agbar, em Barcelona, de Jean Nouvel além de alguns
projetos na China. O espaço expositivo foi criado por Marc
Mimram, arquiteto-engenheiro, que se responsabilizou ainda
pela montagem da exposição Encore Moderne,
sobre a arquitetura brasileira, em Paris.
Israel trouxe uma retrospectiva do trabalho de David Reznik,
que nasceu no Rio de Janeiro, onde se formou arquiteto. Aos 25 anos,
Reznik - hoje com 81 - transferiu-se para Israel, país na ocasião
recém-criado. Lá, desenhou uma série de projetos
importantes, como o Centro de Estudos para o Oriente Médio
(1980/87), em Jerusalém, e o Departamento de Engenharia Mecânica
da Universidade Ben-Gurion (1994/98), em Negev. Além disso,
Reznik projetou a Embaixada de Israel em Brasília, criada entre
1974 e 1977. O trabalho dele mescla a arquitetura de Niemeyer,
com quem colaborou na década de 1940, e a de Louis Kahn.
A Áustria apresentou o trabalho do grupo Sppliterwerk,
em uma mostra quase conceitual, em parte baseada no pato-ícone
de Robert Venturi e Denise Scott-Brown,
da loja de caça em Las Vegas, que desmistificou a forma-função
do movimento moderno. A apresentação utilizou painéis
rotativos (leia reportagem na seção Design), cujos motores
não funcionaram.
A Holanda trouxe o trabalho do West 8, cujas
propostas mais interessantes são os parques. A arquitetura
da paisagem também foi a opção da Argentina,
o único país sul-americano representado individualmente.
Já a China, com a maior delegação, apresentou
obras de uma série de arquitetos - e mais maquetes do
que projetos executados. Cingapura também possuía
um interessante espaço expositivo, com apresentação
feita em vídeo. Também trouxeram trabalhos Suécia,
México, África do Sul e
Portugal.
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 310 - Dezembro de 2005 |
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| Biblioteca da
Academia Chinesa de Ciência (2004), Tong Cui |
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Memorial para
os Soldados, Jerusalém (1974/78),
David Reznik e Yad Labanim |
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| Centro de Estudos
para o Oriente Médio, Jerusalém (1980/87), David
Reznik e Frank Ferguson |
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| Black Treefrog/Blue
Shell, Áustria (1998/2004), Sppliterwerk |
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