| Ambientes integrados não apenas entre
si, mas com as áreas externas, estavam entre os pontos mais importantes
do programa desta residência de estrutura metálica, situada em condomínio
fechado, em Santana de Parnaíba, cidade da Grande São Paulo. As
etapas de detalhamento e compatibilização da proposta com
os projetos complementares possibilitaram a execução das obras sem
improvisos e no curto período de aproximadamente dez meses.
Quando se fala em detalhamento minucioso da proposta, compatibilização
de projetos ou uso de soluções pré-fabricadas, a primeira
imagem que surge é a de uma edificação em altura, quase sempre
comercial. Esta residência, com aproximadamente 500 metros quadrados
construídos, projetada por Arthur Casas e concluída em dez meses,
é uma das exceções que confirmam a regra. A opção
pela estrutura metálica foi um dos fatores que conduziram ao caminho
da industrialização. “O sistema requer modulação e
soluções planejadas”, resume Casas. Essa necessidade fez com que
fossem investidos cerca de quatro meses somente na etapa de detalhamento
e compatibilização de projetos. O tempo empregado nessa tarefa reverteu-se
em uma obra executada dentro do cronograma previsto e em total acordo com
a proposta, sem que fosse necessário recorrer a improvisos ou adaptações
no canteiro. Para a vedação das fachadas, Casas
optou por painéis pré-fabricados de concreto, alguns brutos e outros
já com acabamento de agregado mineral jateado. Comum em edifícios
e em galpões industriais, essa solução mostrou-se uma alternativa
prática, funcional e de fácil integração ao
desenho da casa, identificada por linhas leves e grandes áreas transparentes.
O mesmo tipo de painel pré-fabricado, mas sem o acabamento texturizado,
reveste os pisos externos. Internamente, a residência se
caracteriza por dois blocos simétricos e por ambientes plenamente integrados.
“No programa, a cliente deixou claro que não desejava espaços
compartimentados”, detalha o arquiteto. A divisão foi feita no sentido
longitudinal, reservando uma metade para cozinha, sala de jantar e varanda com
churrasqueira, todas visualmente interligadas por portas de correr de vidro. A
segunda metade é ocupada por uma pequena suíte para hóspedes,
ateliê e amplo estar, separado da sala de jantar pelo volume da lareira
e por uma porta pivotante. O fechamento da área de estar
é feito pela grande porta com estrutura de alumínio pintado
na cor branca e vãos vedados por vidro. Essa porta se move com facilidade
e pode ser deslocada para proteger tanto aquele ambiente como a varanda da churrasqueira.
“Ela desliza tão levemente que optamos pela automação, a
fim de frear seu movimento e evitar acidentes”, explica Casas. O estar
é marcado ainda pelo pé-direito duplo e pelo uso de panos
de vidro, que ocupam quase toda a altura do espaço. De acordo com o arquiteto,
ambos os recursos têm a finalidade de promover a integração
do interior com o verde do jardim e permitir a farta incidência de luz nos
interiores. A escada de madeira leva ao pavimento superior, onde
estão dispostos a suíte principal e mais um quarto
de hóspedes. Aberta para o piso térreo, a circulação
entre eles é protegida por um guarda-corpo de vidro igual ao da escada.
Também nesse nível, mas com acesso independente, estão concentradas
a área de serviço e as dependências de empregados.
Para dar unidade ao conjunto, o arquiteto especificou poucos materiais
de acabamento. O piso de madeira tauari aparece em todos os ambientes,
até mesmo na cozinha. A exceção fica por conta dos banheiros,
com revestimento de mármore nos pisos e pastilhas nas paredes. Pelo
lado interno, as paredes em painéis de concreto são recobertas com
gesso acartonado Texto resumido a partir de
reportagem de Nanci Corbioli Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 314 Abril de 2006 |