Sergio Assumpção Arquitetura
Edifício comercial, São Paulo
    
 
 A marquise - com estrutura metálica e fechamento em vidro - e o pequeno jardim fazem a transição entre espaços públicos e privados
    
 
Mezaninos ampliam altura de edifício em lote compacto
 

O tamanho dos lotes - apenas mil metros quadrados de área - e a localização em corredor com sistema viário saturado não foram fortes o bastante para sugerir a implantação dos edifícios Paddock 1 e 2 em outro local que não a rua Hungria, voltados para o oeste. Fatores mercadológicos, como a vizinhança nobre e a vista panorâmica para o Jockey Club de São Paulo, falaram mais alto e levaram os profissionais a procurar formas de driblar dificuldades para viabilizar a construção no local. “O mercado quer vista”, justifica o arquiteto Sergio Assumpção, autor dos dois projetos.

O Paddock 1 foi o primeiro a ser finalizado. Sua estrutura centralizada libera cinco módulos de 1,25 metro em cada lateral, o que resulta em embasamento leve, com duas caixas de vidro suspensas, formando balanços de 6,5 metros cada. A posição da estrutura também permitiu que os cinco níveis de garagem ficassem livres da interferência de pilares.

O corpo do edifício é marcado externamente pelo escalonamento e pela fachada do tipo pele de vidro, que emprega laminado azul refletivo de oito milímetros nos andares e laminado opaco de seis milímetros nas frentes de laje. Painéis de concreto pré-moldado, com acabamento em cunha e tratamento impermeabilizante, sinalizam a posição da estrutura e definem a grelha de traçado suave. Esse conjunto é arrematado pelo coroamento em painéis do mesmo tipo, com um relógio na face central.

 
A fachada em pele de vidro alterna laminados azuis prateados e vidro opaco nas frentes de laje. A grelha é feita com painéis pré-moldados de concreto
 
 
 O escalonamento permitiu a abertura de um terraço no décimo andar
    
 

Totalmente envidraçado, o Paddock 1 tem sua fachada principal voltada para o oeste. Essa condição seria amenizada pelo uso de vidros duplos com persianas embutidas, o que também aumentaria o conforto acústico interno. Os altos investimentos para a abertura de cinco subsolos em terreno rochoso, no entanto, trouxeram como contrapartida a redução dos custos em outras partes da obra. Assim, os vidros insulados foram substituídos por laminados azuis com índices de transmissão luminosa de 26%, absorção de 52% e coeficiente de sombra de 0,76, especificados conforme estudo da QMD Consultoria.

A continuidade do corpo central do prédio é rompida em diversos pontos. Do primeiro ao nono andares, a fachada posterior apresenta terraços que acomodam equipamentos de ar condicionado; esses pisos têm 356 metros quadrados de laje cada um. A partir desse nível, na porção que corresponde aos recuos laterais maiores, a área de carpete é reduzida para 274 metros quadrados, com exceção do décimo andar, onde um terraço com jardim deixa 209 metros quadrados livres para escritórios. Do nono andar para cima, os pavimentos são complementados por mezaninos de 60 metros quadrados, em ambientes com pé-direito duplo. Mais que um detalhe da arquitetura de interiores, esse elemento tem a função de elevar o gabarito do edifício, colocando-o na mesma escala das construções vizinhas, mas sem exceder o limite legal de área construída. O ático é ocupado pelo auditório e possui terraço com jardim.


Texto resumido a partir de reportagem
de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 315 maio de 2006

 
Detalhe do acesso principal
 
O balcão da recepção tem design dos arquitetos. Perfis de aço reforçados sustentam a marquise e a face de vidro da entrada
 
Os arquitetos especificaram persianas em chapa perfurada para controlar a incidência de luz no interior
 
  Sergio Assumpção formou-se em arquitetura pela Universidade Mackenzie em 1970. É titular do escritório que leva seu nome, responsável pelo projeto de diversos edifícios comerciais e residênciais em São Paulo
 
    
  
 Mezaninos elevam o gabarito do edifício sem exceder o limite de área construída Pavimento com mezanino. A obra foi entregue com piso elevado com vão de 15 centímetros e forro acústico
  
Fotomontagem mostra a inserção dos dois edifícios no entorno
 

Com conclusão prevista para setembro próximo, o Paddock 2 ocupa lote igualmente compacto, situado a poucos metros de distância do Paddock 1. Embora com desenhos distintos, os dois prédios possuem identidade única definida por gabarito, balanços, escalonamento e pelo uso de painéis pré-moldados para criar grelhas diferentes na fachada. Para ganhar altura, o edifício utiliza o mesmo recurso de mezaninos adotado no Paddock 1, porém em menor quantidade. A diferença é compensada pela altura piso-teto, que chega a 4,20 metros no Paddock 2, contra os 3,60 metros no Paddock 1. Ambos os prédios ocupam terrenos com coeficiente de aproveitamento ampliado graças ao mecanismo de operações interligadas.

Ficha Técnica

Edifício Paddock 1

Local
São Paulo, SP
Início do projeto
2003
Conclusão da obra
2005
Área do terreno
1.008 m2
Área construída
9.076 m2
Arquitetura
Sergio Assumpção Arquitetura - Sergio
Assumpção (autor); Andrea Lopes, Luciana Walder
e Eliane Scherer (colaboradoras)
Paisagismo
Officina de Casa
Estrutura
Aluízio D’Ávila
Caixilharia
QMD
Fundações
Assessoria de Projetos de Fundações
Instalações
PHE
Ar condicionado
L&M
Construção
Bueno Netto
Fotos
Carlos Gueller

 

Fornecedores

Stone (pré-fabricados de fachada); Glassec (vidros); Itefal (caixilhos); Time do Brasil (piso elevado); Salco (forros); Atlas Schindler (elevadores)

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