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| | Reinach
Mendonça Arquitetos Associados Residência em Bragança
Paulista, SP | | | | | |
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| | O
eixo longitudinal é demarcado por duas empenas |
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| Eixos de circulação
definem planta em T e dois pátios externos | |
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Situada em condomínio fechado no interior de São Paulo, a casa de
veraneio foi desenhada por Henrique Reinach e Maurício Mendonça.
A residência possui planta em forma de T, configurada por meio de dois eixos
de circulação distribuídos nos quase mil metros quadrados
de área construída. No entanto, a massa resultante é aparentemente
menor, pois o volume foi diluído com o auxílio de pátios
internos, a adoção de dois pisos no trecho central e subdivisão
em blocos independentes conforme o programa. A residência, localizada
em Bragança Paulista, tem um bloco de dois pisos com platibanda,
enquanto as demais áreas, térreas, receberam telhas de barro. As
coberturas dos espaços de pavimento único, como não configuram
volumes puros de quatro águas, são delimitadas por empenas mais
altas que as respectivas cumeeiras. A engenhosa solução
adotada por Henrique Reinach e Maurício Mendonça cria um contraponto
entre modernidade e tradição, já que, de forma geral, a arquitetura
moderna aboliu os telheiros. Principalmente nas casas unifamiliares, que, até
mesmo para dar o exemplo de ruptura com o passado, utilizavam, em sua maioria,
lajes planas. Essa história começou a mudar na segunda metade do
século 20, quando os telhados voltaram a ser considerados por projetistas
de diversas partes do mundo - na maior parte dos casos, com a intenção
de retomar a tradição vernacular e/ou contestar o
modernismo racionalista. Essa imagem ganha luz ante exemplos de arquitetos nórdicos,
portugueses ou mesmo mexicanos. | | |
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| O talude artificial dá
privacidade à fachada voltada para a via de maior movimento |
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| Os quartos de hóspedes
abrem-se diretamente para o jardim | |
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| | O
pátio posterior é ocupado pelos equipamentos de lazer |
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| Nesse aspecto, não se pode esquecer do apelo
latino nacionalista, tanto na obra de Lucio Costa (via Gilberto Freyre) quanto
do mexicano Luis Barragán, este um dos arquitetos que mais influência
exerceram sobre a dupla Reinach e Mendonça. A relação
entre prismas retangulares puros e/ou empenas e telhados
foi definida por Barragán já na década de 1960, e é
visível em um de seus projetos mais conhecidos, o haras em San Cristóbal
(1966/67), com as épicas gárgulas rosadas. Por isso mesmo, a casa
em Bragança Paulista também nos faz lembrar - em aspectos como os
pátios, os muros largos e a cor - da arquitetura minimalista de
Aurelio Martinez Flores, igualmente de raiz mexicana e reverberado por outros
arquitetos paulistas, como Márcio Kogan e Isay Weinfeld. Soma-se
ainda a essa lógica arquitetônica latina a exaustiva setorização
do programa residencial - ausente em Barragán ou em Flores, mas afirmando-se
como herança de uma peculiar lógica paulista pragmática,
ampla o suficiente para ir de Rino Levi a Eduardo de Almeida. Já
a partir do pátio de acesso ficam claras as intenções
dos projetistas. A garagem, juntamente com as dependências do caseiro, compõe
a primeira área coberta com telha de barro. O volume central, com
dois pisos, abriga estar e serviço no térreo, os dormitórios
principais e a sala de TV no pavimento superior. Por fim, um bloco independente,
mas conectado ao todo, contém os três dormitórios de hóspedes
e a sauna. Em algumas situações, as empenas que delimitam os telhados
de barro também os escondem, criando, de determinados ângulos, a
impressão de que há mais lajes do que realmente existem.
A graça do projeto está justamente no jogo de esconde-esconde
entre telhados e volumes sem telhas aparentes. E a parte mais evidente
dessa relação está no setor de hóspedes. Ali, o eixo
da circulação foi demarcado entre duas empenas, uma das quais delimita
o telhado. Visto a partir do pátio da piscina, o bloco parece um monólito
branco - símbolo da modernidade racionalista da arquitetura
do início do século 20 -, tal qual o Instituto Moreira Salles, em
Poços de Caldas, MG, projeto de Flores. Do lado oposto, o grande telheiro
faz lembrar as casas bandeirantes paulistas. No entanto, a visão
intermediária revela a disposição dos autores: o eixo de
circulação desfaz a impressão de extremos - da modernidade
à tradição -, aproximando-os. Texto
resumido a partir de reportagem de Fernando Serapião Publicada
originalmente em PROJETODESIGN Edição 315 Maio de 2006 |
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| O pátio de acesso
dá o teor do projeto: muros e volumes fechados alternados com o telhado |
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| O volume central possui dois
pavimentos | | |
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| No trecho da sala de estar,
grande abertura interliga os espaços | | |
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| O eixo longitudinal é
cortado, transversalmente, pela relação entre varanda e sauna |
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Henrique Reinach e Maurício Mendonça são formados
pela FAU/USP em 1980. Em 1987 criaram o escritório Reinach Mendonça
Arquitetos Associados, que em 1993 e 1996 foi premiado pelo IAB/SP, por sua obra
construída | | | |
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| | O
ripado marca o bufê da sala de estar e a passarela do piso superior |
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| | Detalhe
da sala de estar | | Passarela
interliga dois setores do piso superior |  |  |
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| Fornecedores Pial
(interruptores); La Fonte (fechaduras); Cerâmica Maristela (telhas) ; Por
tobello (revestimento cerâmico); Suvinil (tintas); Vidrotil, Jatobá
(pastihas); Grad-art (caixilhos de alumínio); Cia. da Iluminação
(iluminação); Panisol (telhas de alumínio); Jacuzzi (banheiras);
Stell (balcão frigorífico) | |
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