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O Ministério da Aeronáutica organizou, no
final dos anos 1990, um concurso fechado para a concepção
da unidade central do Sistema de Vigilância da Amazônia
(Sivam). Denominado Centro de Controle Geral,
o complexo de edificações tem a função
de concentrar e disponibilizar informações colhidas
em distintas regiões amazônicas brasileiras.
O projeto de Mendes da Rocha propõe um “contraponto
entre o cerrado de Brasília e as águas da Amazônia”.
A proposta de Mendes da Rocha enfatizou aspectos simbólicos
e técnicos relacionados ao programa e à cidade
de Brasília, ao eleger como partido a preservação
de extensa área ajardinada do terreno, localizado nas
imediações e perpendicularmente ao eixo central
do Plano Piloto. Assim, o trabalho prevê que
boa parte do programa seja implantada em subsolo, um pavimento
originário do aproveitamento de sutis declividades
do lote. No memorial do projeto, o arquiteto enfatizava: “Esse
jardim será o contraponto entre o cerrado de
Brasília e as águas da Amazônia”.
Para liberar o térreo da interferência de construções,
o arquiteto e a equipe de colaboradores, integrantes do escritório
MMBB, setorizaram o programa em áreas elevadas
e enterradas, atendendo à orientação
de prever, respectivamente, espaços de uso restrito,
confidenciais, e outros de acesso controlado ou até
mesmo público. “Uma forma de evitar os interstícios
indesejáveis entre as edificações”, anotou
Mendes da Rocha.
Entre os setores, em corte, a proposta era criar extensa galeria
técnica, ora abaixo, ora acima da cota térrea,
que concentraria os sistemas de infra-estrutura do programa.
Ou seja, um caminho longitudinal, de cerca de 500 metros de
comprimento, posicionado sobre outra galeria, enterrada, destinada
ao fluxo de visitantes, pesquisadores e funcionários.
A liberdade de ocupação do subsolo é
evidenciada nas plantas dos espelhos d’água
do térreo, que, nas extremidades e no centro da galeria
enterrada, funcionam como elementos de cobertura. Por
suas proporções, eles seriam os referenciais
às águas amazônicas, assim como à
monumentalidade de Brasília.
Já os escritórios reservados seriam implantados
acima da cota térrea, em edificações
circulares e suspensas (denominadas anéis
pela equipe de arquitetos), posicionadas junto ao centro da
galeria longitudinal. Com estrutura de concreto e fachadas
inclinadas, que suavizam a volumetria, essas construções
sugerem generosas praças internas, embora visualmente
integradas aos espaços externos.
“A forma circular é adequada à
geometria estrutural e surge da vontade de evitar os corredores
com fim morto”, observa Mendes da Rocha. Ela atenderia, ainda,
à necessidade de possíveis expansões
da instituição, o que foi evidenciado através
do desenho de edifício em um quarto de círculo.
“Essa área bastava para o programa da época,
mas poderia ser facilmente complementada no formato total
do anel”, explica o arquiteto Fernando de Mello Franco, do
MMBB.
Além de Mendes da Rocha, o paranaense radicado em Brasília
Sérgio Roberto Parada também foi chamado para
desenvolver um anteprojeto. Este foi o vencedor do
concurso, mas a obra ainda não foi realizada.
Texto resumido a partir de reportagem
de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 316 Junho de 2006 |