Paulo Mendes da Rocha e MMBB Arquitetos
Edifício público, Brasília
   
 
   
 
Partido preserva o térreo livre e concentra programa no subsolo
 

O Ministério da Aeronáutica organizou, no final dos anos 1990, um concurso fechado para a concepção da unidade central do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam). Denominado Centro de Controle Geral, o complexo de edificações tem a função de concentrar e disponibilizar informações colhidas em distintas regiões amazônicas brasileiras. O projeto de Mendes da Rocha propõe um “contraponto entre o cerrado de Brasília e as águas da Amazônia”.

A proposta de Mendes da Rocha enfatizou aspectos simbólicos e técnicos relacionados ao programa e à cidade de Brasília, ao eleger como partido a preservação de extensa área ajardinada do terreno, localizado nas imediações e perpendicularmente ao eixo central do Plano Piloto. Assim, o trabalho prevê que boa parte do programa seja implantada em subsolo, um pavimento originário do aproveitamento de sutis declividades do lote. No memorial do projeto, o arquiteto enfatizava: “Esse jardim será o contraponto entre o cerrado de Brasília e as águas da Amazônia”.

Para liberar o térreo da interferência de construções, o arquiteto e a equipe de colaboradores, integrantes do escritório MMBB, setorizaram o programa em áreas elevadas e enterradas, atendendo à orientação de prever, respectivamente, espaços de uso restrito, confidenciais, e outros de acesso controlado ou até mesmo público. “Uma forma de evitar os interstícios indesejáveis entre as edificações”, anotou Mendes da Rocha.

Entre os setores, em corte, a proposta era criar extensa galeria técnica, ora abaixo, ora acima da cota térrea, que concentraria os sistemas de infra-estrutura do programa. Ou seja, um caminho longitudinal, de cerca de 500 metros de comprimento, posicionado sobre outra galeria, enterrada, destinada ao fluxo de visitantes, pesquisadores e funcionários.

A liberdade de ocupação do subsolo é evidenciada nas plantas dos espelhos d’água do térreo, que, nas extremidades e no centro da galeria enterrada, funcionam como elementos de cobertura. Por suas proporções, eles seriam os referenciais às águas amazônicas, assim como à monumentalidade de Brasília.

Já os escritórios reservados seriam implantados acima da cota térrea, em edificações circulares e suspensas (denominadas anéis pela equipe de arquitetos), posicionadas junto ao centro da galeria longitudinal. Com estrutura de concreto e fachadas inclinadas, que suavizam a volumetria, essas construções sugerem generosas praças internas, embora visualmente integradas aos espaços externos.

“A forma circular é adequada à geometria estrutural e surge da vontade de evitar os corredores com fim morto”, observa Mendes da Rocha. Ela atenderia, ainda, à necessidade de possíveis expansões da instituição, o que foi evidenciado através do desenho de edifício em um quarto de círculo. “Essa área bastava para o programa da época, mas poderia ser facilmente complementada no formato total do anel”, explica o arquiteto Fernando de Mello Franco, do MMBB.

Além de Mendes da Rocha, o paranaense radicado em Brasília Sérgio Roberto Parada também foi chamado para desenvolver um anteprojeto. Este foi o vencedor do concurso, mas a obra ainda não foi realizada.


Texto resumido a partir de reportagem
de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 316 Junho de 2006

 
 
 
Maquete eletrônica volumétrica, com destaque para a
rampa de acesso principal
 
Maquete volumétrica. O projeto previu a implantação das
áreas restritas e de segurança em anéis elevados.
 
Foto aérea da localização do terreno nas proximidades do
eixo principal do Plano Piloto
 
Autor
  Paulo Mendes da Rocha, formado
pela FAU/Mackenzie em 1954, é
um dos mais renomados arquitetos
brasileiros. Entre os prêmios que
conquistou, destaca-se o Mies
van der Rohe e o Pritzker 2006.
 
Colaboradores
  Formados pela FAU/USP, Fernando de Mello Franco, Milton Braga (ambos em 1986) e Marta Moreira (1987) são sócios no escritório MMBB desde 1996. Receberam, entre outros, o prêmio da 4ª BIA pelo projeto da garagem do Trianon, em São Paulo. São colaboradores de Paulo Mendes da Rocha em projetos como o terminal rodoviário do parque D. Pedro 2°, o Centro Cultural da Fiesp, o Poupatempo Itaquera e o Sesc 24 de Maio, estes ainda com a presença de Angelo Bucci no escritório.
 
 

Ficha Técnica

Centro de Controle Geral do Sivam

Local
Brasília, DF
Início do projeto
1998
Área do terreno
78.500 m2
Área construída
16.630 m2
Arquitetura
Paulo Mendes da Rocha (autor); MMBB Arquitetos (colaboradores); Keila Costa, Maria Imbronito, Omar Dalank e Carmem Morais (equipe)
Cálculo estrutural
Jorge Zaven Kurkdjian

 
veja também
  Paulo Mendes da Rocha, MMBB Arquitetos e Alfonso Penela Fernandez - Plano diretor para universidade, Pontevedra, Espanha
  Paulo Mendes da Rocha e Metro Arquitetos - Museu, Rio de Janeiro
  Pedro e Paulo Mendes da Rocha - Museu, São Paulo
  Reinach Mendonça Arquitetos Associados - Residência em Bragança Paulista, SP
  Miguel Juliano - Clubes municipais, São Paulo
  Nave Arquitetos - Clubes municipais, São Paulo
 
patrocínio   informe publicitário
     
Índice Notícias Agenda Fórum Envie por e-mail