| Se não surgir nenhum contratempo, entre o
final de agosto e o início de setembro deve ser dada a largada para os
trabalhos de recuperação e modernização da
Biblioteca Municipal Mário de Andrade, em São Paulo. Esse
é o prazo para a conclusão do processo licitatório das obras
que vão permitir à edificação, hoje com capacidade
de armazenamento e atendimento esgotada, operar de forma satisfatória pelas
próximas décadas. Por determinação do Banco
Interamericano de Desenvolvimento (BID), organismo financiador, a concorrência
é aberta a empresas internacionais. O projeto do Piratininga Arquitetos
Associados é considerado por José Armênio de Brito Cruz, um
dos sócios do escritório, uma intervenção sistêmica
que define a atualização da tecnologia predial e o restauro de uma
série de componentes construtivos. Apesar da amplitude do trabalho, as
modificações físicas perceptíveis exteriormente serão
mínimas, sutis e elegantes, com o objetivo de dar ao edifício (que
tem projeto original do arquiteto Jacques Pilon e foi inaugurado em 1942)
a atenção que tem lhe faltado em mais de seis décadas de
existência. A proposta estabelece quatro linhas principais
de intervenção física. A mais visível externamente
será a conexão entre o hall da rua da Consolação
e o da avenida São Luís, com uma circulação
paralela à primeira via, anexada ao embasamento do conjunto. “Para valorizar
a fachada original, essa estrutura será constituída por uma esquadria
de aço, com desenho minucioso e presença discreta, recoberta por
vidro transparente”, descreve Cruz. A biblioteca circulante será
remanejada para o pavimento térreo, onde atualmente se situa a área
de leitura - a conexão entre os dois halls visa também atender a
demanda desse futuro espaço. O terceiro ponto do trabalho é a criação,
no segundo pavimento, de salas para pesquisadores. Por último, o edifício
tecerá relação mais estreita com a cidade, segundo os autores,
na praça Dom José Gaspar, por meio de uma plataforma que permitirá,
ao mesmo tempo, o acesso à construção dos portadores de necessidades
especiais. O projeto inclui um prédio de cerca de
8 mil metros quadrados na rua Bráulio Gomes, que se tornará um anexo
da biblioteca para abrigar o acervo de periódicos. A conexão entre
as duas construções será feita por galeria subterrânea.
Cruz acrescenta que o caráter pouco intervencionista da proposta
se deve à crença dos autores na autonomia da sede da biblioteca
e na sua possibilidade de interação com os vizinhos. Ele
dá como exemplo a galeria Metrópole, onde uma grande sala de cinema,
atualmente fechada, poderia dar suporte a eventos de maior porte organizados
pela instituição. Texto resumido
a partir de reportagem Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 317 Julho de 2006 |