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Para acompanhar o formato irregular do terreno, o edifício ganhou
fachadas curvilíneas com planos facetados de revestimento
de alumínio e vidro. No acesso, a marquise curva envidraçada de
120 metros quadrados tem estrutura metálica portante e é sustentada
por tirantes de aço. A construção de edifícios
comerciais com estrutura predial automatizada, amplas lajes moduláveis
e heliponto está deixando de ser estratégia empresarial exclusiva
de grandes centros urbanos, como Rio de Janeiro e São Paulo. Capitais de
outras regiões do país também têm registrado demanda
por esse tipo de edificação. A torre de escritórios
Iguatemi Corporate, em Porto Alegre, é parte desse cenário. O projeto
arquitetônico desenvolvido pelo escritório Botti Rubin e por Ronaldo
Rezende orientou-se pelas condicionantes dos empreendedores, que desejavam uma
construção com lajes inteiras moduláveis e com infra-estrutura
para as novas tecnologias de automação predial e de
transmissão de dados, além de catracas eletrônicas de segurança
e fluxo de pedestres controlado. Com 18 andares, lajes de 960
metros quadrados, hall de entrada com pé-direito duplo e fachadas curvas
vedadas por vidros refletivos na cor verde-azulada, combinados com painéis
de alumínio composto prata, o edifício tornou-se uma referência
na capital gaúcha. Implantado em terreno irregular, com acentuado desnível,
ele foi concebido em dois blocos - a torre de escritórios e um volume de
garagem com cinco pavimentos, localizado na parte posterior do lote.
O desenho do edifício origina-se do formato irregular do
terreno. No térreo, uma marquise curva envidraçada marca o hall
de entrada, que se abre para áreas destinadas a cafés, restaurante,
recepção e hall de elevadores. No coroamento, o heliponto
foi concebido como elemento arquitetônico, sendo sua estrutura avistada
do nível da rua. Projetado pelo Escritório Técnico
Júlio Kassoy e Mário Franco, o heliponto é composto por uma
estrutura quadrada, com área de 13 x 13 metros, revestida
por chapas de alumínio composto na cor prata e totalmente apoiada na laje
da tampa da caixa-d’água superior. Em seu perímetro, o apoio é
constituído por quatro paredes de concreto com um metro de altura; internamente,
há pilaretes de 25 centímetros de diâmetro e eqüidistantes
2,50 metros. Segundo o engenheiro Mário Franco, foram seguidas as normas
do Ministério da Aeronáutica, considerando carga distribuída
de 500 kgf/m², e definida a carga concentrada de três toneladas
em qualquer ponto, o que corresponde a um helicóptero de até quatro
toneladas. Painéis colados A fachada,
projetada pelo engenheiro e consultor Nelson Firmino, da Aluparts, é constituída
por painéis de vidro e alumínio composto, colados com fita
dupla face em perfis de alumínio no sistema structural glazing. As
fitas utilizadas têm diferentes propriedades, para atender ao peso
e à conformidade de cada material. Segundo Firmino, para a colagem
dos vidros foi usada a VHB 4972, na cor cinza, com dois milímetros de espessura
e 30 milímetros de largura. Para o alumínio composto, que
trabalha mais que o vidro, a fita VHB 4970, com 2,4 milímetros de espessura,
é mais conformável. Foram adotados perfis de alumínio,
desenvolvidos especialmente para vencer o vão livre entre pisos maior que
3,30 metros. Para a aplicação dos painéis de alumínio
composto e dos vidros foi utilizado o mesmo sistema de perfis. No total, foram
empregadas 70 toneladas de alumínio, entre perfis e chapas.
Os caixilhos com o revestimento metálico foram instalados na
frente de laje, em montantes verticais iguais aos utilizados para a fixação
dos vidros. As chapas foram cortadas, esquadrejadas e coladas nos quadros de alumínio.
Para atender à estética da fachada, a cada dois módulos a
junta dos vidros coincide com a dos painéis de alumínio. Todas as
interfaces dos materiais receberam gaxetas de EPDM de vedação
e retenção da água sob pressão de ventos.
Para acompanhar o formato curvilíneo do edifício, a fachada
tem trechos com planos facetados de revestimento de alumínio e vidro. Todos
os perfis possuem acabamento anodizado natural classe A13. O projeto de fachada
seguiu a NBR 6.123 - Forças Devidas ao Vento em Edificações.
O prédio está instalado na região 5, onde a pressão
chega a 50 m/s (equivalente a 18 km/h). Foram utilizados laminados
refletivos de oito milímetros, produzidos com chapas de vidro prata plus
neutro e PVB colorido. A composição beneficiou o tratamento térmico,
resultando em coeficiente de sombreamento de 0,22. Aplicados no vão-luz,
os quadros de vidro receberam juntas vedadas com gaxetas de EPDM. Na altura
do peitoril, perfis de alumínio de dez centímetros de largura, aplicados
nas juntas, marcam a fachada horizontalmente. Marquise curva
Com 1,2 mil metros quadrados de área construída, o térreo
tem altura de 6,10 metros e abriga um mezanino. Nesse pavimento, a fachada
recebeu vidros laminados refletivos de dez milímetros, colados em perfis
de alumínio com inércia necessária para vencer o pé-direito
duplo. Para a instalação da caixilharia adotaram-se pilares metálicos
tubulares. O acesso da edificação é protegido
por uma marquise curva envidraçada de 120 metros quadrados. Com estrutura
metálica portante, produzida com perfis I de aço e ancorada
nos pilares do edifício, a marquise é sustentada por tirantes de
aço, que dão estabilidade à cobertura de vidro. Os cabos,
presos nas vigas do primeiro andar, vencem a flexão e auxiliam na
absorção de eventuais cargas, como água e vento.
Para a instalação dos vidros laminados de dez milímetros
foi criada uma estrutura secundária de perfis de alumínio,
fixada na estrutura metálica. Entre as juntas dos quadros e vidros foi
aplicado silicone de vedação. Toda a frente da marquise recebeu
acabamento de painel de alumínio composto. Texto
resumido a partir de reportagem de Gilmara Gelinski Publicada
originalmente em FINESTRA Edição 45 Abril de 2006 |