Gustavo Penna
Parque de exposições, Belo Horizonte
 
  
 
 O portal de acesso, que tem 14 metros de altura e também é um castelo de água, marca o principal eixo do complexo e o acesso ao hall nobre; à esquerda, os pavilhões, cuja cobertura é também elemento de composição arquitetônica. O desenho luminotécnico incorpora a aura de festa e amplidão que Penna procurou acrescentar ao espaço
    
 
Tom monumental surge de formas
simples e puras
 

Há dez anos Gustavo Penna projetou, em Belo Horizonte, o Centro de Exposições Expominas. No entanto, construído em duas etapas, o espaço só foi oficialmente inaugurado em abril último. Decorrida uma década, sua arquitetura não envelheceu - ao contrário, mostra-se extremamente contemporânea. O segredo dessa juventude está no desenho do arquiteto, nas formas puras e elegantes que, na sua simplicidade, expressam o caráter monumental do conjunto.

 
Visão do conjunto e do acesso principal, pela avenida Amazonas. Mesmo com formas simples, a elegância do desenho exprime a monumentalidade do centro de exposições
 
 Fachada de um dos pavilhões de exposições. O anexo incorporado à lateral dos três blocos é um volume limpo, essencial
    
 

Projetado na segunda metade da década de 1990, o Centro de Exposições Expominas - que alguns mineiros apelidaram de Uainhembi, em referência brincalhona ao conhecido conjunto expositivo paulistano - foi concluído no primeiro semestre de 2006. O término ocorreu com a implantação de mais dois pavilhões para mostras e do espaço que os conecta à arena de eventos - a etapa anterior do complexo foi publicada na edição 231 de PROJETO DESIGN, em maio de 1999. Mas não se trata de arquitetura datada: a edificação exibe-se em plena forma, tecnicamente avançada e esteticamente contemporânea.

O programa é complexo tanto pela dimensão - quase 72 mil metros quadrados de área - como pela demanda por uma flexibilidade capaz de atender exposições e eventos de diversas naturezas, incorporando a logística necessária a eles. Penna solucionou-o com traços diretos e uma objetividade que permitiria descrever o conjunto, sucintamente, como três quadrados e um círculo. Não há enfeites, não há excessos. As áreas agregadas não são apêndices, mas instalações que fornecem a essencial infra-estrutura ao centro expositivo.

Implantado no parque da Gameleira, o Expominas tem seu acesso nobre voltado para a avenida Amazonas. Os quatro blocos construídos se distribuem em lote de 185 mil metros quadrados e foram posicionados na fração do terreno mais próxima da linha férrea - uma passarela de 186 metros, em estrutura metálica, faz a ligação com a estação Gameleira do metrô. As edificações possuem estética industrial, com coberturas metálicas em vãos de 25 metros e fechamentos com telhas termoacústicas do mesmo material. “É uma imagem tecnológica, vibrante, contemporânea e em harmonia volumétrica com os edifícios existentes”, avalia o autor.

 
Encontro das laterais de um dos blocos do complexo expositivo, marcado pela estética industrial
 
Vista lateral dos pavilhões em direção ao hall de acesso e ao portal (à direita)
 
 Rampas que partem do portal conduzem aos diferentes pavimentos do hall nobre
    
 

Penna afirma que, no projeto, procurou fazer com que tudo contribuísse para gerar e estimular um clima de festa e de amplidão. Nesse sentido, as soluções de arquitetura funcionam a partir do acesso nobre: um portal de 14 metros de altura, que também é um castelo de água, assinala o eixo principal dos percursos e destaca o caráter grandioso do conjunto. “A visão para quem chega da avenida Amazonas é monumental e alegre”, observa o arquiteto. “As clarabóias de iluminação e de ventilação dos pavilhões, em ritmo, atraem o olhar para o corpo principal do edifício e fazem o jogo lúdico das formas.”

A versatilidade de uso é uma das principais características do Expominas. Os três pavilhões, com estrutura metálica, têm 75 metros de vão livre e pés-direitos de 17,50 metros. Sua modulação permite diferentes arranjos, em que podem ser montados estandes de cinco metros de profundidade, separados por ruas internas com largura entre três e cinco metros. Cada um dos blocos dispõe de sanitários, lanchonetes e salas para a administração. Essa independência permite a simultaneidade de ocorrência, montagem e desinstalação de eventos. Em acontecimentos de maior porte, os pavilhões podem ser interligados pela abertura de grandes portas acústicas corrediças.

A galeria de acesso ao conjunto tem a forma de varanda e foi projetada com 15 metros de vão. Essa dimensão permite que o local receba produtos distintos daqueles que são objeto das feiras mas que, por alguma razão, podem se beneficiar dos clientes atraídos pelo evento. Junto à galeria/varanda, mas em cota inferior, ficam os auditórios e as salas de reuniões de apoio às exposições. Essas instalações dispõem de painéis divisórios acústicos que propiciam a montagem de espaços de acordo com as necessidades. São dotadas de sistemas eletrônicos de tradução simultânea, equipamentos de áudio, vídeo e luminotecnia.

Os subsolos dos pavilhões foram destinados às operações de carga e descarga, além de acomodar contêineres, material de carpintaria, serralheria e reunir espaços para artes gráficas e depósitos dos montadores. Os acessos externos são facilmente identificáveis, o que contribui para a independência da imagem institucional de cada evento.

“O resultado é um conjunto urbanísticoarquitetônico digno e eficiente, que se harmoniza com a preservação dos edifícios históricos do parque”, avalia Penna. “Ele está dentro de modernos conceitos de revitalização urbana para configurar um marco da vocação mineira como pólo nacional de exposições e eventos.” Deve ter razão o autor, pois, na inauguração do complexo, o governador mineiro Aécio Neves foi também monumental ao qualificar o Expominas: “É o mais moderno centro de convenções do país e, talvez, da América do Sul”.


Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 317 Julho de 2006

 
A flexibilidade é uma das qualidades do espaço, capaz de receber exposições dos mais diferentes temas e produtos
 
Nas laterais dos pavilhões foram implantadas as instalações que fornecem infra-estrutura para os eventos
 
Os pavilhões permitem a montagem de estandes com até cinco metros de profundidade, separados por ruas com larguras variáveis
 
No auditório, que comporta até 600 pessoas, a iluminação procura criar clima acolhedor
 
  Gustavo Penna formou-se em 1973 pela Universidade Federal de Minas Gerais. Já realizou obras em várias cidades do país, mas a maior de seus trabalhos - que ultrapassam 500 - está em Belo Horizonte. Entre outras edificações, é autor do projeto da Escola Guignard, obra referencial na arquitetura brasileira.
 
  
O portal de acesso, que tem 14 metros de altura e também é um castelo de água, marca o
principal eixo do complexo e o acesso ao hall nobre; à esquerda, os pavilhões, cuja cobertura
é também elemento de composição arquitetônica. O desenho luminotécnico incorpora a aura
de festa e amplidão que Penna procurou acrescentar ao espaço

Ficha Técnica

Centro de Exposições Expominas

Local
Belo Horizonte, MG
Início do projeto
1996
Conclusão das obras
1998 (primeira etapa); 2006 (segunda etapa)
Área do terreno
185.000 m2
Área construída
71.825 m2
Arquitetura
Gustavo Penna (autor); Alexandre Bragança, Ana Paula Silva, Christiane Ramos, Norberto Bambozzi, Priscila Dias de Araújo e Wilson Moreira (colaboradores na primeira etapa); Norberto Bambozzi, Laura Penna, Mayra Rodrigues, Juliana Couri, Letícia Carneiro e Laura Caram (colaboradores na segunda etapa)
Luminotecnia
Iluminar e Ceilux
Construção
Via Engenharia
Fotos
Leonardo Finotti
Gustavo Xavier

 

Fornecedores

Atex (laje nervurada); Otis (escada rolante); Deca (louças); ThyssenKrupp (elevadores); Techneaço (estrutura metálica); Belgo Mineira (aço); Iluminar, Griven, Iridium (lâmpadas e equipamentos); Super Mix (concreto); Temper (vidros)

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