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Volume autônomo em forma de periscópio
abriga centro de imprensa em estádio tradicional.
Natureza e tecnologia são as inspirações do Future Systems
Dentre uma produção de grande repercussão
na mídia internacional de arquitetura, o centro de imprensa
é o projeto de maior visibilidade do escritório Future
Systems: ganhou o Prêmio Stirling de melhor edifício
britânico de 1999 e o Aluminium Imagination Award .
Segundo os próprios autores, trata-se da “síntese do
trabalho, de idéias e sonhos alimentados há anos” pelo
escritório.
Em 1995, o Future Systems venceu um
concurso fechado para o novo centro de imprensa do estádio
Lord’s, considerado o templo do críquete na Inglaterra.
Curiosamente, os dirigentes do estádio conseguiram manter
uma alta qualidade nos diversos projetos de ampliações
implantados, incorporando ao espaço tradicional intervenções
contemporâneas de arquitetos como Michael Hopkins, David
Morley e Nicholas Grimshaw. É nesse cenário que se inclui
o trabalho do Future Systems, implantado em frente à
tribuna de honra, construída há mais de cem anos.
O centro, na forma de um periscópio
que observa o campo, foi desenhado para tornar-se o
ícone do estádio. Elevado a 15 m do solo, apóia-se
sobre duas torres de concreto armado, ocupadas pela
circulação vertical. Construída para suprir a infra-estrutura
exigida pelo campeonato mundial de críquete de 1999,
a edificação tem capacidade para abrigar até 200 jornalistas.
Dividido em um andar e mezanino, o programa é composto
por núcleos de rádio e televisão, uma grande sala de
mídia, duas salas para executivos do clube, restaurante,
cozinha, sanitários, laboratório de fotografias e recepção.
O interior tem acabamento nas cores branca e azul, inspirado
nos automóveis americanos dos anos 50.
Confirmando o uso da tecnologia como
uma constante no trabalho do escritório, o volume
suspenso foi executado em um estaleiro, com técnicas
de construção naval. Depois de pronte, ele foi transportado
de caminhão até o estádio e erguido com o auxílio de
guindastes. A estrutura é composta por 26 seções (de
4,5 m x 20 m) pré-fabricadas em aço; no fechamento,
chapas de alumínio cuja espessura varia de seis a 20
mm. A escolha do alumínio deve-se, segundo os autores,
à maleabilidade do material, que suporta dupla curvatura,
ao seu baixo peso e às escassas exigências de manutenção.
A espessura da nervura é ocupada pelas instalações elétricas,
hidráulicas e lógicas.
As soldas dissimulam as juntas de dilatação,
de forma que o edifício incha quando o alumínio se
dilata. A grande abertura de vidro em direção ao
campo possui inclinação de 25°, ângulo calculado
de modo a não causar reflexões na visão dos jogadores
e espectadores.
(Edição
242 - abril 2000)
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