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Localizada entre uma área residencial e um pólo industrial no município de Barueri, na Grande São Paulo, a Escola de Ensino Médio Jardim Mutinga 1 é mais um exemplo de que os pré-fabricados de concreto têm a flexibilidade necessária para dar origem a edificações com diferentes características, a partir de um conjunto de elementos padronizados.
A volumetria da unidade de ensino é definida como dois blocos articulados pela caixa de circulação, com escada e elevador, e decorre da adequação do programa à topografia acidentada do lote, que apresenta declividade de 19 metros entre as faces sul e norte. Na cota mais baixa, situa-se o principal ponto de acesso, com entradas independentes para alunos e professores. Ele conduz ao bloco frontal, ocupado por secretaria, diretoria e salas de apoio, e ao pátio descoberto, posicionado na lateral oeste.
Esse pátio ganha continuidade sob o volume maior, implantado transversalmente ao primeiro e em pilotis, para dar lugar ao recreio coberto. Os painéis coloridos criados por Moracy Amaral delimitam o pátio e ambientes como refeitório e cozinha, além de marcar a rampa que leva aos sanitários e à caixa de circulação vertical.
Em dois níveis foram distribuídas 15 salas de aulas, todas voltadas para leste ou oeste. A proteção contra a incidência excessiva de luz e calor é dada em ambos os lados por uma pele de blocos vazados de seis centímetros de profundidade, posicionados a 1,80 metro da caixilharia. O vão formado simplifica a manutenção e impede os alunos de alcançar a face protetora. “Inicialmente usaríamos brises metálicos, mas eles foram substituídos por elementos vazados de concreto devido à alta no preço do aço”, relata o arquiteto Sílvio Oksman, um dos autores do projeto.
Uma laje com tratamento acústico isola as salas de aulas da quadra poliesportiva, implantada na cobertura do bloco principal, quase no mesmo nível da rua na face sul do lote. Essa característica sugeriu a criação de uma passarela que funciona como acesso exclusivo à quadra, “de forma que a comunidade possa utilizar o equipamento durante finais de semana e férias, mas sem a necessidade de circular pelas demais áreas da escola”, explica o arquiteto Eduardo Colonelli, que assina o projeto junto com seu sócio no Escritório Paulistano de Arquitetura.
A caixa de circulação vertical, recuada e vedada por blocos vazados mais robustos, também responde pela articulação horizontal e interliga o bloco frontal às largas galerias de circulação do prédio principal, caracterizadas por vão de 10,80 metros e pilar central.
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