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10ª Mostra Internacional de Arquitetura
Veneza, Itália |
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Imagem da premiação de Richard Rogers com o Leão de Ouro pelo conjunto da obra, em 10 de setembro |
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| Bienal de Veneza discute problemas do mundo urbano |
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Foram anunciados, no início de novembro, os vencedores da 10ª Mostra Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza. Os premiados, entre projetos e obras que estiveram expostos nas várias seções do evento, abordam a interface de arquitetura, sociedade e cidades, sob a perspectiva da crítica concentração populacional contemporânea. Esse foi o tema da bienal, que reuniu experiências urbanas de 139 cidades, dos quatro continentes.
O evento é tradicionalmente organizado em três eixos: exposição principal, no pavilhão do Arsenale, que em 2006 versou sobre Cidades, Arquitetura e Sociedade; representações nacionais, no conjunto do Giardini, das quais o Brasil toma parte; e mostras paralelas. Cada um deles, isoladamente, concorre aos Leões de Ouro, que são os prêmios concedidos pela bienal. Este ano, a relativamente compacta capital colombiana, Bogotá, venceu como melhor cidade. Com 6,5 milhões de habitantes e densidades habitacionais médias e altas, distribuídas de forma equilibrada pelo território, a cidade foi apontada pelo júri como exemplo de centro urbano “prazeroso ao olhar, economicamente viável e socialmente inclusivo”.
Investimentos em massa no sistema coletivo de transporte público ao longo das últimas décadas revelaram-se, segundo os jurados, fator essencial à qualidade urbana conquistada pela cidade. Assim, na mostra principal, Bogotá apresentou, entre outros, o projeto do TransMilenio Bus System.
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| Imagens da mostra Cidades, Arquitetura e Sociedade, que reuniu imagens de satélite, fotografias aéreas, gráficos... |
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| ... e projetos recentes de 16 metrópoles mundiais. |
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Na transição entre as salas regionais, temas como densidade, mobilidade e sociedade eram expostos de forma comparativa |
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Em implantação desde 2000, o sistema se baseia em corredores exclusivos para ônibus de elevada capacidade, inicialmente num percurso com 60 quilômetros de extensão, atendendo até regiões periféricas. Ele simplificou e reduziu em até 25% o tempo de deslocamentos pela cidade, em virtude da substituição das antigas e caóticas conexões entre pequenas linhas municipais. De forma análoga, integrou a mostra o Ciclo Rutas, malha cicloviária com quase 300 quilômetros de vias, que liga áreas densamente habitadas, notadamento do sul e nordeste, ao centro de Bogotá. A previsão da administração local é que, nos próximos dez anos, as ciclovias sejam duplicadas na cidade.
Já o mexicano Brazil 44, concebido pela equipe de Higuera + Sanchez para o Instituto Nacional de Moradia, foi eleito o melhor projeto urbano. Trata-se de uma proposta para recuperação de antigas habitações da região central da Cidade do México, através de programa misto, comercial e residencial. A flexibilidade e a qualidade arquitetônicas do projeto, adaptável a diferentes dimensões e tipos de edifícios, além do enfrentamento de questões relativas a preservação e revitalização patrimoniais, foram apontadas pelo júri como motivos para a premiação. “É projeto pequeno em escala, mas grande em possibilidades; um convite à adaptação e à mutação, na contramão da simples imitação. Em suma, um trabalho representativo da arquitetura de cunho social”, conforme divulgou a organização do evento.
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| As cidades participantes foram comparadas também em termos demográficos, como faixa etária e concentração no território |
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Localizada na África do Sul, Johannesburgo é a terceira maior cidade do continente africano |
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A Dinamarca conquistou o Leão de Ouro entre os 46 pavilhões nacionais. Denominada Co-Evolution, a mostra nórdica retratou iniciativas de cooperação entre aquele país e a China em torno de questões de sustentabilidade que se colocam como desafio ao desenvolvimento urbano chinês.
A expertise dinamarquesa foi revelada na exposição de projetos elaborados no workshop Co-Evolution, realizado no primeiro semestre de 2006, em Copenhague, de que participaram profissionais locais e acadêmicos chineses. Na ocasião, foram abordados aspectos ligados à sustentabilidade, como a gestão de recursos hídricos e energéticos no contexto da marca de 1,3 bilhão de moradores urbanos, estimada para o território chinês dentro de 20 anos.
Entre as propostas e estudos de caso da mostra dinamarquesa (veja em detalhe os projetos em www.dac.dk) estiveram expostos: projeto Magic Mountains, para a localidade de Chongquing, que trata da habitabilidade em áreas montanhosas por meio de hipotético centro empresarial verde (Cobe/Universidade de Chongquing); Shanghai Sub-City, para adensamento do subúrbio Jiading (Effekt/Universidade de Tongji); Citywall, ou seja, novo cinturão vertical que, em 14 quilômetros, duplicaria a histórica muralha chinesa, a fim de concentrar meios de transporte, novos parques e alojamentos urbanos (Transform/Xauat); além de Performative Urbanism, um conjunto de sete pequenos núcleos urbanos e suas relações de proximidade e densidade (Cebra/Universidade de Tsinghua).
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| São Paulo abriu a mostra principal no pavilhão do Arsenale |
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| Bogotá recebeu o Leão de Ouro para cidades |
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Exemplo de espaço público em Bogotá, exibido na mostra |
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Também relacionado ao meio acadêmico, o prêmio especial para escolas de arquitetura foi conferido à Politécnica de Turim, que desenvolveu projeto para a cidade indiana de Mumbai. O tema foi a criação de habitações para população de baixa renda.
Integraram o júri desses quatro prêmios: Richard Sennett (presidente), Amyn Aga Khan, Antony Gormley e Zaha Hadid. Em setembro, o Leão de Ouro por conjunto da obra foi conferido ao italiano Richard Rogers (leia PROJETO DESIGN 320, outubro de 2006). A escolha, feita pelo diretor geral do evento e curador, o inglês Richard Burdett, deveu-se “ao comprometimento de Rogers com o espírito público e o design sustentável”, divulgou-se em nota oficial.
Entre os exemplos listados por Burdettna cerimônia de premiação, que ocorreu em setembro, em Veneza, podem se destacar projetos de planos diretores, como o Pu Dong Financial District, em Xangai, e os planos para o centro de Londres, desenvolvidos com a participação de Rogers desde a década de 1980, além de projetos de arquitetura, como o Centro Georges Pompidou, em Paris.
O recorte urbano é novo na trajetória da bienal de arquitetura de Veneza, que surgiu em 1980, desvinculando-se da mostra artística. Se comparados aos malabarismos tecnológicos e formais exibidos na edição anterior do evento, em 2004, as imagens de satélite, fotos aéreas, gráficos econômicos e demográficos que estiveram presentes na exposição Cidades, Arquitetura e Sociedade enfatizaram a mudança de foco proposta pelo curador.
Este ano, o que esteve em jogo foi a estimativa, da Organização das Nações Unidas, de que até 2050 cerca de 75% da população mundial será urbana. E não se trata de um problema futuro, já que as 16 cidades escolhidas para integrar a mostra oscilam entre 5 milhões e 30 milhões de habitantes. “Uma escala jamais vista anteriormente na história da humanidade, e que torna explícitos e extremos os problemas de inclusão social, saúde, sustentabilidade e qualidade de vida”, avaliou Burdett.
Como se organizam essas 16 cidades emblemáticas, em termos de distribuição populacional, deslocamentos (automóveis x sistemas públicos de transporte), nível de renda, extensão territorial, desempenho econômico, entre outros fatores, e o que elas têm feito para, através das escalas arquitetônica e urbana, reverter seus problemas coletivos mais evidentes? Foram esses os questionamentos e a abordagem da mostra central da bienal.
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| Performative Urbanism, projeto exposto no pavilhão da Dinamarca. O país recebeu o Leão de Ouro para pavilhões nacionais |
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| Projeto Magic Mountains, do pavilhão dinamarquês |
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| Citywall, proposta de cooperação entre Dinamarca e China |
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Pavilhão do Brasil, que teve curadoria de Jacopo Visconti |
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As cidades participantes foram: São Paulo, México, Caracas, Bogotá, Nova York e Los Angeles, na América; Xangai, Mumbai e Tóquio, na Ásia; Johannesburgo, Cairo e Istambul, na África e Mediterrâneo; Londres, Barcelona, Berlim e a dupla Milão/Turim, na Europa.
São Paulo, posicionada na entrada dos 300 metros de comprimento do pavilhão do Arsenale, era a cidade que inaugurava a exposição. A pequena densidade populacional, aliada aos coeficientes de baixa distribuição de renda, população predominantemente jovem e até quatro horas diárias gastas em deslocamentos em transporte público, foi contraposta a projetos, implantados ou não, para os setores educacional, cultural e de transportes metropolitanos.
Foram eles: Projeto Nova Luz, da prefeitura local, desenvolvido pela equipe da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb); extensão ferroviária do trecho leste da cidade e projeto da estação Itaquaquecetuba, desenvolvidos pelo escritório Una Arquitetos para a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM); proposta de urbanização e qualificação das imediações ferroviárias do Ipiranga e da Mooca, também a cargo do Una Arquitetos, para a Secretaria Municipal de Transportes; projeto de José Alves e Juliana Corradini para o elevado Costa e Silva (Minhocão), vencedor de concurso público promovido pela prefeitura em 2006; Praça das Artes, na confluência do vale do Anhangabaú com a avenida São João, no centro da cidade, concebido por Marcos Cartum, também para a prefeitura; e, por fim, escolas da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), criadas pelos escritórios MMBB, Estudio 6 e SPBR.
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| No espaço de Nova York, destacavam-se os poucos 25% de transporte privado pela cidade |
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| O projeto Brazil 44, da Cidade do México, conquistou o Leão de Ouro para projetos urbanos |
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Projeto de Richard Rogers para estação ferroviária a ser implantada no aeroporto de Capodichino, em Milão. A maquete esteve exposta com outros projetos de estações na mostra paralela Metro-polis |
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Já para o pavilhão brasilieiro, no Giardini, o curador Jacopo Visconti (da Fundação Bienal de São Paulo) reuniu imagens que testemunhavam o processo histórico de urbanização de São Paulo ao longo dos eixos hidroviários do Tietê e do Pinheiros, bem como projetos representativos arquitetônica e urbanisticamente da boa relação entre os profissionais da área e os cidadãos.
Entre eles, a marquise do parque Ibirapuera (Oscar Niemeyer, 1955), o Sesc Pompéia (Lina Bo Bardi, 1982), o edifício da FAU/USP (Vilanova Artigas e João Cascaldi, 1961), o Centro Cultural São Paulo (Eurico Prado Lopes e Luiz Benedito de Castro Telles, 1982) e a unidade escolar do Centro Educacional Unificado projetada por Alexandre Delijaicov, André Takiya e Wanderley Ariza, entre 2002 e 2003. A publicação de uma agenda para as cidades do século 21 foi prometida pela direção da bienal para os próximos meses. Ela será uma espécie de resumo e conclusão da série de palestras, encontros, debates e workshops que acompanharam o evento, entre 10 de setembro e 19 de novembro de 2006, e será divulgada no website www.labiennale.org.
Texto resumido a partir de reportagem
de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 322 Dezembro de 2006 |
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| Participante do workshop Learning from Cities, a Faculdade de Arquitetura da Politécnica de Turim conquistou o prêmio especial para escolas de arquitetura, através de projeto proposto para Mumbai, na índia |
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Projeto vencedor do prêmio City-Port, evento paralelo da bienal em conjunto com o Cities of Stone. O júri escolheu o trabalho da equipe de Gustavo Matassa, para a ... |
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... localidade de Potenza, ao sul da Itália, pelo “forte desenho
da paisagem, que conecta elementos históricos, rotas urbanas e jardins marinhos” |
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