Paulo Mendes da Rocha
MMBB Arquitetos Associados

Poupatempo Itaquera, São Paulo-SP
Arquitetura para ganhar tempo
 
O Poupatempo Itaquera está localizado junto a um complexo com estações de metrô, trens metropolitanos e ônibus urbanos, na zona leste de São Paulo. O edifício é a materialização dos esforços para descentralizar serviços públicos, como Junta Comercial, Detran, Polícia Civil e Ministério do Trabalho, entre outros. A iniciativa dá continuidade a outras cinco unidades que reúnem diversos serviços públicos, concluídas desde 1997 e projetadas por arquitetos como Abrahão Sanovicz, Eduardo Colonelli/Ricoy Torres e Roberto Loeb.

Primeiro a ser construído exclusivamente para esse fim, o Poupatempo Itaquera pode ser considerado um pavilhão da cidadania, com sua capacidade para atender até 12 mil pessoas diariamente. Por sugestão de Paulo Mendes da Rocha, o edifício foi erguido (em 10 meses) junto ao terminal intermodal, aproveitando um acesso desativado. A Prodesp, órgão estadual ao qual o Poupatempo está vinculado, desejava construí-lo isolado e independente. Mas havia um problema: a estação Corinthians-Itaquera, apesar de ser a mais movimentada da cidade, com cerca de 200 mil passageiros por dia, localiza-se no centro de um imenso vazio urbano - em alguns trechos com mais de 1 km de raio - em uma região populosa e carente. O entorno próximo sugere uma área quase rural.

Além do metrô, o novo edifício é a única marca significativa do Estado nessa área. O projeto de Mendes da Rocha concebeu o edifício “sem um terreno”, apoiado sobre pilotis fixados em área que pertence ao metrô e será ocupada por estacionamento terceirizado. Com sua configuração de plataforma suspensa, o prédio oferece uma visão da cidade sem barreiras, com uma proposta de nova ocupação do território que está sempre presente no discurso do arquiteto. O único acesso aberto para o público é pela estação: uma passarela, preexistente, transpassa o edifício, dividindo-o em duas partes.

A cobertura unifica o volume de dimensões monumentais - 300 m de extensão por 26 m de largura -, situado paralelamente à estação intermodal, da qual herdou alguns elementos, como a modulação dos pilares de concreto. Junto à caixilharia, ao longo dos dois lados, estão os postos de serviços. No centro, áreas destinadas a escritórios de apoio, separados por divisórias baixas. E, nas duas extremidades, os sanitários. Em um piso inferior, ficam setores de apoio (como fotos e copiadora), além de espaço para a Secretaria da Cultura; no subsolo estão serviços (geradores, vestiários e refeitórios). Eletrocalhas aéreas alimentam todo o edifício e servem para sinalização da área de atendimento.

A estrutura é mista, em concreto armado e aço. As extremidades são marcadas por empenas de concreto que delineiam o volume. Uma seqüência de pilares duplos centrais apóia uma viga transversal, com balanços em ambos os lados. Essa viga, por sua vez, sustenta vigas longitudinais, que travam a estrutura de concreto e suportam o piso da área de atendimento. Um pórtico metálico apóia-se na grande viga, servindo de suporte para a cobertura e os fechamentos laterais, de telhas metálicas brancas.

A lógica do projeto faz jus à fama do arquiteto: usando elementos que lhe são caros, ele cria e recria um universo paralelo. Alguém poderia apontar, excluindo-se a escala, semelhança estrutural com a loja Forma (PD 175 junho 1994): estrutura de concreto armado coberta e fechada com elementos de aço. Já os planos inclinados, que aqui permitem a entrada calculada de luz, estavam presentes na gênese dos projetos não executados do MAC, na Universidade de São Paulo, e do Centro Georges Pompidou, em Paris.

Texto resumido a partir de reportagem de
Fernando Serapião
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 253 março 2001
 

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a ESTRUTURA do Poupatempo Itaquera

 
Um pavilhão suspenso: 300 metros de comprimento, implantado " em paralelo" com a estação intermodal
 
Plano inclinado de telhas metálicas:
proteção para as aberturas
 
Local de espera para retirada de carteiras
de identificação, localizado no piso inferior
 
Parte da área do piso inferior é ocupada pela
Secretaria da Cultura, que mantém ali uma gibiteca
 
As “setas aladas“ criadas por Francisco Homem de Mello marcam a programação visual do acesso de uma das 4 áreas
 
O painel translúcido fecha o pavimento inferior
 
Detalhe do caixilho, recuado em relação ao fechamento
 
Treliça espacial de seção triangular(à direita)
apóia cobertura e fechamento
 
Passarela
 
   
Piso inferior: áreas
de apoio e serviços
  O centro da construção é marcado
pelo vazio e por duas colunas
 
Uma passarela preexistente secciona o espaço: sinalização obedece ao padrão de cores do metrô
 
 
Rampa de acesso ao subsolo,
onde estão áreas de apoio, como
vestiários, transformadores e refeitório
  Acesso: apenas pela passarela
da estação. O volume pintado
de roxo abriga serviços e apoio

Ficha Técnica
Poupatempo Itaquera
Local
São Paulo-SP
Projeto
1998
Conclusão da obra
2000
Terreno
18.050 m2
Área construída
9.933 m2
Arquitetura
Paulo Mendes
da Rocha (autor);
MMBB Arquitetos - Marta Moreira, Fernando
de Mello Franco,
Milton Braga
e Angelo Bucci (colaboradores); Carmen Moraes,
Keila Costa, Maria Isabel Imbronito, Pablo Hereñu, Alexandre Hodapp, Omar Dalank,
Maria Júlia Herklotz, Martin Hernan Pecci, Eduardo Ferroni
e Sandra Llovet
Vilà (equipe)
Estrutura
Jorge K. Kurkdjian
e Jorge Z.Kurkdjian
Elétrica e hidráulica
Procion
Ar condicionado Thermoplan
Gerenciamento
CPOS
Fundações
Percon
Comunicação visual Homem de Mello
Troia Design (concepção geral); Paulo Mendes da Rocha (unidade Itaquera)
Orçamento
Triad
Implantação do projeto Superintendência Poupatempo/Prodesp:
Daniel Annenberg
e Vera Tokairin (coordenação geral); Odette Tomchinsky (arquitetura);
Arnaldo Osse Filho (engenharia civil); Nelson Pereira Filho (instalações); Plínio Ripare (informática)
Construção
Coneng
Fotos
Patrícia Cardoso

 

Fornecedores
Hold (fôrmas para concreto protendido); Mac Protensão (concreto protendido); Engemix (concreto); Stup/Freysinet (laje protendida); Engemetal (estrutura metálica); Galvanofer (cobertura e fechamentos laterais); Imbrás (impermeabilização); Prudenart (caixilharia); Artfibra (vidros); Moreno (serralheria); VEF (instalações); Carrier/Proar (ar-condicionado); Arc Telecom (lógica e telefonia); Gimi (painéis elétricos); Stemac (grupo gerador); Concremat (controle tecnológico); Ericsson (PABX)

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