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Reinach Mendonça Arquitetos Associados
Residência, Itu, SP |
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Delgados pilares metálicos sustentam a laje do piso superior |
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| Elemento de concreto aparente configura eixo que abriga circulação |
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Situada em um condomínio em Itu, a cem quilômetros de São Paulo, a residência desenhada por Henrique Reinach e Maurício Mendonça foi implantada em lote privilegiado, junto a dois cul-de-sacs, pois tem sua área visualmente duplicada pelo espaço verde comum que margeia os lagos de fundo do vale. Assim, a casa de veraneio está disposta junto à esquina, com acesso pela porção mais alta. Os níveis internos, contudo, acomodam-se de acordo com a topografia em declive.
Os projetos residenciais de Reinach e Mendonça são marcados pela força do desenho, em contraposição ao atendimento rigoroso do programa e do conforto. Assim, eles mesclam o aprendizado de canteiro e o próprio desenvolvimento da arquitetura que realizam a referências diversas - do espaço contínuo da escola paulista aos muros de Barragán e Botta.
Do ponto de vista conceitual, esta casa é definida, sobretudo, por um volume principal, que se estende na porção sul em dois níveis (no sentido leste-oeste), e dois auxiliares, mais próximos da divisa ao norte. O aspecto mais significativo do projeto é a conformação lateral do primeiro, que se traduz visualmente em uma espécie de pórtico de concreto aparente. Como os dois volumes auxiliares são térreos, esse pórtico é visível, por cima dos demais, desde a rua lateral, tornando-se pano de fundo. Segundo os autores, esse elemento “alto, com paredes e laje de concreto, foi proposto como articulador dos diversos blocos da residência”. Ele amplia visualmente o eixo de entrada no sentido longitudinal da construção, tornando-se o protagonista externo. |
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| O elemento de concreto é visível desde o pátio de acesso |
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| A passarela no pavimento superior ultrapassa o limite do muro-anteparo de concreto |
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Em primeiro plano, o volume dos dormitórios; ao fundo, o bloco principal |
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Uma leitura mais atenta, contudo, revela que não se trata propriamente de um pórtico, mas de um elemento dobrado e recortado conforme a necessidade, mesmo que uma de suas funções seja conferir força e caráter à construção. Do pátio de acesso, visto em elevação frontal, por exemplo, ele conforma um L invertido, com pilar e laje de cobertura enquadrando a caixilharia, uma composição ora opaca (porta de entrada), ora transparente (vidros). Observado da lateral, no entanto, estende-se por todo o volume de dois pisos, fazendo às vezes de uma viga-platibanda.
Na parte posterior, voltada para o oeste, o elemento de concreto ganha ares funcionais: moldado pelos arquitetos, transforma-se em uma grande parede (com isopor no miolo) que protege a construção do sol poente. Esse muro-anteparo tem aberturas calculadas para proporcionar a visão e, ao mesmo tempo, resguardar as áreas de estar, jantar e a suíte principal, esta isolada no piso superior. Ainda para controle da temperatura interior, atrás do muro um espaço vazio com pédireito duplo é utilizado como terraço. Por fim, o elemento de concreto contorna a construção, arrematando a parte superiorposterior do dormitório principal.
Fazendo a leitura interna desse elemento, seu primeiro trecho visível abriga a circulação em rampa. O hall de entrada fica no mesmo nível da garagem, que configura um pátio de acesso. Nesse patamar, que corresponde à cota mais elevada, apoiada diretamente no terreno, o primeiro dos dois anexos apresenta ligação por passadiço e abriga os dormitórios, à direita de quem entra na casa. Ele possui configuração diferenciada: assentado sob um muro de pedras, o bloco de concreto e alvenaria destaca-se pelo balanço nas áreas perimétricas e pelas venezianas de madeira. |
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| O passadiço liga o hall ao volume dos dormitórios e ajuda a definir os limites do pátio interno... |
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| ...que na outra extremidade é demarcado pelo volume que abriga a sala íntima |
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A passarela também contribui para o conforto visual, ao reduzir o pé-direito da varanda |
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A partir do hall já se vislumbra grande parte da residência. A seqüência longitudinal é dada por duas rampas paralelas: a que sobe, leva ao dormitório principal, numa separação do núcleo íntimo típica das casas de campo desenhadas pelos autores (leia PROJETO DESIGN 244, junho de 2000, e 277, março de 2003); a que desce, conduz ao restante da casa. As rampas são ladeadas por um grande caixilho voltado para o pátio interno. Nele, um detalhe chama a atenção: por causa da orientação norte, os arquitetos selaram alguns requadros centrais, para diminuir a incidência de luz solar. Para isso, usaram vidro branco por fora e placas de gesso por dentro.
Continuando a leitura da circulação / elemento de concreto, esse conjunto ganha a função de cobertura da varanda (no piso superior) e é incorporado ao segundo volume secundário, com a área social e a sala íntima no térreo. Para facilitar a percepção do anexo como independente, o trecho da sala de estar que os liga é acristalado dos dois lados e a estrutura da laje da varanda (que cobre a sala) possui delgados pilares metálicos.
Por fim, o último trecho da lateral norte desse volume é marcado pela varanda da sala (cujo platô está assentado sobre área em aterro ou sobre os volumes da sauna, vestiário etc.) e, no piso superior, por uma passarela que reforça a associação entre pórtico e circulação. Tal como em outros projetos da dupla (leia PROJETO DESIGN 232, junho de 1999), a passarela também tem a função de estabelecer um ponto de observação privilegiado. Assim, a arquitetura de Henrique Reinach e Maurício Mendonça abriga sem deixar de valorizar o potencial do lugar.
Texto resumido a partir de reportagem
de Fernando Serapião
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 326 Abril de 2007 |
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Henrique Reinach e Maurício Mendonça formaram-se em 1980, na FAU/USP. Com escritório próprio desde 1987, conquistaram diversos prêmios, entre eles o de Escritório do Ano na Premiação Asbea 2003 |
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| Vista das rampas, com destaque para a área fechada do caixilho: por fora, vidro branco; por dentro, placas de gesso |
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Fornecedores
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