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Marco Antônio Borsoi, Tereza Simis e Luiz Vieira
Museu, Olinda, PE |
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O edifício educacional é o maior prédio do conjunto. Amplos beirais de cobertura arqueada arrematam formas de inspiração moderna |
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| Edifícios de inspiração moderna ocupam parque |
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Volumes dispersos em meio a um parque organizam o percurso de espaço dedicado à ciência. Entre as construções, destacam-se pavilhão educacional e auditório e o espaço de exposições, em prédio desenhado por Borsoi em 1986.
A colaboração entre os arquitetos Marco Antônio Borsoi e Tereza Simis, responsáveis pelas edificações, e Luiz Vieira (projeto paisagístico) deu origem ao Espaço Ciência, complexo museológico localizado em Olinda, na região chamada Complexo de Salgadinho. Trata-se de um parque público de 12 hectares destinado a produção, transmissão e percepção de conhecimento científico - “um museu interativo de ciências”, na definição de Borsoi. |
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| No revestimento dos pisos, externa e internamente, foram empregadas lajotas de tijolo cozido em alta temperatura |
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Alpendres generosos, planta livre e estrutura aparente, típicos da arquitetura moderna, são características do edifício educacional |
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Situado em uma região circundada por autopistas, viadutos, áreas verdes, manguezais, equipamentos culturais, recreativos e comerciais, na ligação entre Recife e Olinda, o complexo teve implantação iniciada em 2002. Para isso, foi necessária a autorização da Comissão do Sítio Histórico de Olinda, referendada pelo Iphan e pelo Ibama (órgãos federais de preservação do patrimônio e do meio ambiente, respectivamente), uma vez que no local não é permitido construir.
O uso e as características dos edifícios propostos convenceram as autoridades.
O Espaço Ciência está contido no parque Memorial Arcoverde e a maior parte de seu programa se estabelece a céu aberto. A concepção espacial se desenvolve a partir da recepção, que se liga ao pavilhão de exposições e é seguida pelo percurso da Trilha da Descoberta, no lado nascente do lote - essa trilha está organizada em cinco setores temáticos: água, movimento, percepção, terra e espaço. No centro do terreno fica a laguna, rodeada pelo manguezal preservado. O retorno, que se faz pelo lado oeste, é chamado Trilha Ecológica.
O bloco da recepção é caracterizado por uma longa laje de cobertura e fachadas envidraçadas e taludes nas extremidades. Seis pequenos pavilhões de apoio, de desenho idêntico (quatro colunas cilíndricas, cobertura e parede-painel), encontram-se ao longo das trilhas.
Na extremidade oposta à da recepção, próximo do viaduto que corta o parque, está a maior edificação do conjunto, que reúne o edifício educacional e o auditório, ambos em dois níveis - um semi-enterrado e outro elevado, mas sem ultrapassar o ponto mais alto da obra viária. “O trecho, que inclui a sombra sob o viaduto, propõe pausa nas opções de trajetos e atividades”, segundo o arquiteto. Oferece em troca funções mais estáticas, como aulas nos laboratórios e outros eventos realizados no auditório. |
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| O pavilhão de exposições é remanescente do espaço de múltiplos serviços, projetado na década de 1980. Ele passou por reformulação interna e tem inserção discreta no parque |
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| Os pequenos pavilhões que se espalham pela trilhas têm desenho idêntico, com quatro colunas cilíndricas, cobertura e parede-painel |
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O sistema de circulação forma um longo alpendre sombreado e periférico, com acesso por rampa |
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O edifício educacional é uma composição de planta livre e estrutura aparente, com pilares cilíndricos e cobertura arqueada com grandes beirais. O auditório, que se comunica com o pavilhão no pavimento superior, tem formato oval, ao qual foram agregados corpos em balanço. “A solução do teto em arco, em casca de concreto construída com placas pré-moldadas, com vão de 15 metros e beirais de 2,5 metros, permite baixa altura final e extremidades de seção bem delgadas, com escoamento natural das águas”, observa o arquiteto. A parte externa da cobertura, assim como os pisos do térreo e do andar semi-enterrado, é revestida com lajotas de tijolo cozido em alta temperatura.
O atual pavilhão de exposições é remanescente do antigo espaço de múltiplos serviços, projetado em 1986 por Marco Antônio e seu pai, Acácio Gil Borsoi. Trata-se de edificação quase neutra, que tem como expressão plástica mais visível uma colina, formada por taludes gramados que buscam dar continuidade ao verde do parque. Para a atual configuração, o edifício foi reformulado internamente, de forma a acomodar a área de exposição permanente. A ela foi acrescentado um anfiteatro semicircular coberto por laje plana, recompondo o talude ao leste.
Borsoi explica que o Espaço Ciência dá continuidade às investigações e proposições formais e construtivas das obras públicas desenhadas pelo escritório - e exemplifica com os edifícios do Fórum de Teresina (leia PROJETO DESIGN 33, setembro de 1981), da Assembléia Legislativa do Piauí (edição 131) e do Centro Administrativo de Uberlândia (edição 166), seqüência que tem prosseguimento com a Assembléia Legislativa do Maranhão, atualmente em construção.
“Nos edifícios do Espaço Ciência buscamos fixar um paradigma do desenvolvimento da arquitetura moderna no Brasil”, argumenta Borsoi. “Nessa sintonia, a partir dos princípios da estrutura independente e visível, das lajes planas e da seção circular, os elementos conceituais formulados por Le Corbusier - pilotis, planta livre, tetojardim, fachada livre e aberturas contínuas - constituem recursos tecnológicos, ajustados e difundidos no país, sobretudo na obra de Lucio Costa”, finaliza.
Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 328 Junho de 2007
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| O edifício educacional e o auditório se comunicam no pavimento superior de ambos |
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| Corpos suspensos foram agregados ao auditório, que tem no térreo os sanitários e a área de reserva técnica. Sua altura não ultrapassa a do viaduto próximo |
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| O formato oval do auditório difere das outras edificações do parque, nas quais prevalece a ortogonalidade |
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| A maior parte do programa do Espaço Ciência se desenvolve a céu aberto. No lado nascente, está a Trilha da Descoberta; no poente, aTrilha Ecológica |
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| O Espaço Ciência se localiza dentro do parque Memorial Arcoverde, na área de ligação entre Olinda e Recife |
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Marco Antônio Borsoi formou-se em 1976 pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Tereza Simis graduou-se em 1990 pelas Faculdades Unidas de Pernambuco.
Luiz Vieira, em 1980, na Universidade Federal de Pernambuco. |
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