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Paulo Mendes da Rocha e MMBB
Edifícios de uso misto, Recife |
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Detalhe do edifício-garagem e do centro de compras mostra a relação entre o novo e o antigo |
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| Pontes amenizam impacto de intervenção em bairro histórico |
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Abrigando garagem para mil veículos, os dois volumes novos foram construídos em entorno histórico. Ainda não totalmente finalizado, no conjunto se localiza também uma livraria e, futuramente, um espaço de eventos.
A proposta do edifício-garagem nasceu para dar suporte ao Paço Alfândega (veja matéria no publicada no Arcoweb), centro de compras instalado em uma edificação do século 18 com o objetivo de alavancar a revitalização da porção sul da ilha do Recife (leia PROJETO DESIGN 290, abril de 2004). A opção de abrir subsolos de estacionamento foi considerada economicamente inviável, devido à presença de um lençol freático a cerca de dois metros de profundidade. A solução estava na verticalização das garagens a partir de um projeto que minimizasse o impacto desse tipo de construção sobre a vizinhança, respeitando seu alinhamento e escala, e que ao mesmo tempo estabelecesse diálogo harmonioso com entorno, onde se destacam o rio Capibaribe, o cais do porto, o próprio shopping e a histórica ponte Maurício de Nassau.
A necessidade de mil vagas de estacionamento - o que significa maior área construída que a do centro de compras - e a limitação do gabarito à altura dos antigos casarões sugeriram a implantação da garagem em dois blocos posicionados em quadras distintas. Para viabilizar essa fórmula, do ponto de vista urbanístico, era preciso encontrar soluções que favorecessem a circulação de pedestres nesse percurso e evitassem o agravamento do já intenso tráfego local.
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| A ponte permite a circulação de pedestres entre a garagem e o shopping center |
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| A antiga construção amarela, adaptada por Pontual Arquitetos, situa-se na margem direita do rio Capibaribe e abriga o centro de compras Paço Alfândega |
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Os novos blocos têm volumetria que acompanha o formato original das quadras. A saída de carros localiza-se na metade direita da abertura frontal |
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Paulo Mendes da Rocha apresentou uma resposta engenhosa à equação com a transformação dos dois blocos em edificações de uso misto, trabalhando especialmente térreo e cobertura, as duas cotas de maior importância no ambiente urbano, e reservando os quatro andares intermediários para garagens. Os dois volumes são interligados por pontes de concreto que passam sobre a via pública na altura do segundo, do terceiro e do quarto pavimentos.
Um dos blocos apresenta no térreo um conjunto de lojas totalmente ocupado pela livraria Cultura. No outro, o pavimento foi planejado para abrigar auditório e salão de exposições. Para configurar um pequeno centro de convenções, foram previstas salas de reuniões nos andares - ainda não executadas -, ocupando parcialmente os níveis de garagem. As duas coberturas, com agradável vista para o porto e para a foz do rio, funcionarão, quando finalizadas, como um salão de festas ao ar livre, com ampla área ajardinada, que valoriza a paisagem local. A solução técnica para levar o verde para a cobertura foi a criação de caixas com 1,5 metro cúbico de terra, cada uma delas apoiada na cabeça de um pilar. “O projeto deixa o térreo livre, mantendo a continuidade do espaço público, e dá ânimo aos andares”, resume o arquiteto.
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| A ponte permite a circulação de pedestres entre a garagem e o shopping center |
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A vista aérea mostra os volumes de garagem, na mesma escala do antigo casario. As pontes que interligam os blocos passam sobre a via pública, sem restringir a passagem de veículos altos |
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O dinamismo a que Mendes da Rocha se refere também é dado por dois elementos construtivos. O primeiro deles é o fechamento do volume situado mais próximo do centro de compras, feito com tela metálica perfurada (segundo o projeto, os dois deveriam ser vedados com o mesmo material), o que cria efeitos interessantes com a luz dos faróis dos carros em movimento. “As fachadas translúcidas conferem um aspecto delicado e intrigante”, ele detalha. O segundo elemento é a passagem dos veículos nas pontes de concreto que interligam as edificações. Expressão maior do projeto, elas não restringem o tráfego de caminhões e permitem que os carros entrem pelo bloco localizado na quadra maior e saiam pelo outro, sem necessidade de voltar às ruas durante a circulação à procura de vagas. “O projeto previa também a implantação de uma ponte no nível da cobertura, de onde se teria vista para o cais. Porém o Iphan e a prefeitura não aprovaram essa idéia, o que foi uma perda”, avalia Milton Braga, do MMBB, escritório que colaborou no projeto.
O bloco que ocupa a quadra menor, no qual se localiza a rampa de saída dos veículos, comunica-se ainda diretamente com o centro de compras por meio de outra ponte, exclusiva para pedestres.
Texto resumido a partir de reportagem
de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 328 Junho de 2007 |
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| Interior da área de saída de veículos |
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| O rendilhado das chapas perfuradas resulta em diferentes efeitos de sombra e luz |
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| A vista do bloco menor para o maior evidencia as pontes que cruzam a rua na altura do segundo, do terceiro e do quarto pavimentos |
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| A escada de emergência da garagem dá acesso direto à rua |
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Paulo Mendes da Rocha, formado pela FAU/Mackenzie em 1954, é um dos mais renomados arquitetos brasileiros. Entre os prêmios que conquistou, destacam-se o Mies van der Rohe 2001 e o Pritzker 2006.
Formados pela FAU/USP, Fernando de Mello Franco, Milton Braga (ambos em 1986) e Marta Moreira (1987) são sócios no escritório MMBB desde 1996 (receberam, entre outros, o prêmio da 4ª BIA pelo projeto da garagem do Trianon, em São Paulo) e colaboradores de Mendes da Rocha em projetos como o terminal rodoviário do parque D. Pedro 2° e o Poupatempo Itaquera.
Angelo Bucci, também graduado pela FAU/USP em 1986, foi um dos sócios fundadores do MMBB, do qual se desligou em 2002 |
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