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Paulo Mendes da Rocha e Eduardo Colonelli
Capela, Recife |
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A laje de cobertura é protendida e solta em relação às paredes de pedra |
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| Interferência mínima recupera idéia de abrigo |
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Implantado em meio ao ateliê e ao museu de Brennand, o pequeno edifício utiliza parcialmente as ruínas de uma casa. Em contraponto com a arcada remanescente, de blocos cerâmicos, o que chama a atenção é a estrutura, com dois pilares.
Das ruínas de um casarão do século 19, Paulo Mendes da Rocha e Eduardo Colonelli projetaram uma capela para os Brennand, no Recife. Localizado em região de clima quente e úmido - uma fazenda que abrigava a antiga cerâmica da família e que, desde 1971, o artista plástico e ceramista Francisco Brennand vem recuperando com a instalação de suas oficinas, ateliê e museu -, o templo se desenvolve através de alpendres seqüenciais.
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| A iluminação artificial evidencia o partido de setorização em torno do alpendre e a singela beleza da edificação |
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A capela recupera antigo casarão em ruínas, mantendo-se como referência e condicionantes suas paredes e a arcada externa |
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O partido proposto por Mendes da Rocha e Colonelli, de mínima intervenção no restabelecimento da condição de abrigo, já era sugerido pelas ruínas do antigo casarão. Da construção sobravam apenas as paredes de pedra, envoltas por trechos da arcada feita com blocos cerâmicos. Localizados junto aos vértices edificados, eles enfatizam a implantação retangular em meio à generosa área verde e aberta, resguardando-se o estreito contato dos interiores com a bela paisagem do entorno.
Externamente, destaca-se o trabalho de restauração das alvenarias, a cargo do arquiteto Jorge Passos. Camadas de massa e de outros revestimentos foram removidas das paredes de pedra, que tiveram recuperadas as alturas totais de seus vãos de janelas e de passagem. As arcadas passaram por processo de consolidação e complementação em certos pontos - esta última etapa, assinale-se, devidamente evidenciada pelas propriedades singulares do concreto que lhe dá forma.
Em sintonia com o conceito de mínima intervenção, a capela surgiu a partir da reprodução do terraço externo nos interiores, já que, distanciadas cerca de 80 centímetros em relação às alvenarias de pedra, divisórias altas de vidro transparente passaram a delimitar internamente o novo uso. A capela é, assim, contornada por corredor aberto e coberto que, transparente, faz a mediação entre os espaços internos e externos. Destaca-se a implantação angular dos painéis, soltos do teto, desenho que os torna autoportantes e aprimora ainda os reflexos da luz natural incidente.
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| A implantação em torno do alpendre foi partido arquitetônico mantido no projeto da capela |
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As poucas partes remanescentes da arcada externa concentravam-se junto aos vértices retangulares, caracterizando a implantação racional no entorno |
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Também a cobertura, outro elemento essencial à idéia de abrigo, esmera-se em desempenhar papel coadjuvante na arquitetura, em proveito da intervenção minimalista. Feita com concreto protendido, sua laje plana se restringe à exata projeção das paredes restauradas, sem, contudo, utilizá-las como superfícies de apoio. Evidencia-se, ao contrário, o distanciamento através de frestas regulares que percorrem todo o perímetro da edificação.
Dois robustos pilares, com oitenta centímetros de diâmetro cada um, funcionam como elementos de sustentação da laje e também de setorização interna. Em torno deles se organizam o altar, o púlpito e o acesso à sacristia subterrânea, assim como, na outra extremidade longitudinal, o coro, implantado como mezanino.
O piso térreo, interno e externo, é constituído por placas cerâmicas que levam a assinatura de Brennand, assentadas no sistema de piso elevado junto à nave, para garantir o insuflamento de ar condicionado.
O campanário é o elemento destoante da singeleza da arquitetura da capela, sobretudo em virtude de sua verticalidade, centralidade e associação ao sistema mecanizado de captação e circulação de água pluvial.
Texto resumido a partir de reportagem
de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 328 Junho de 2007 |
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| Os dois pilares de sustentação da cobertura organizam os interiores |
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O templo é espaço resultante de um alpendre interno, delimitado por painéis transparentes de vidro. Painéis cerâmicos especiais, no piso, destinam-se ao ossário
da família Brennand |
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Os painéis de vidro têm implantação angular, o que os
torna autoportantes. Embora predominantemente fixos, desempenham a função de singelas portas junto à
entrada principal |
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| Detalhe da laje do coro, sobre o acesso principal |
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Paulo Mendes da Rocha (FAU/ Mackenzie, 1954), premiado arquiteto brasileiro, é autor, entre outros projetos, do Museu Brasileiro da Escultura (Mube).
Eduardo Colonelli é arquiteto (1978) e mestre (2003) pela FAU/USP. Sócio do Escritório Paulistano de Arquitetura, já desenvolveu outros projetos em parceria com Mendes da Rocha, como a capela de São Pedro, em Campos do Jordão, SP |
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A aparente horizontalidade da construção contrasta com a verticalidade ortogonal do campanário |
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Detalhes do percurso externo promovido pelo alpendre descoberto |
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Fornecedores
Cerâmica Brennand (revestimentos cerâmicos); Lumini (luminárias)
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