Collaço e Monteiro Arquitetos
Faria Lima Square, São Paulo
 
   
 
  Volumes de granito branco e vidros verdes nas diferentes fachadas do edifício
 
Volumetria e planos inclinados

Volumes escalonados, elementos verticais de concreto e fachada-cortina levemente inclinada compõem a arquitetura do envoltório do edifício Faria Lima Square, que ganhou dois projetos diferentes de fachadas - um para as laterais e outro para a face frontal.

Situado na avenida Faria Lima, um dos eixos empresariais mais valorizados de São Paulo, o Faria Lima Square procurou fazer jus ao argumento de venda, que prometia um edifício “tão avançado e importante, que poderia estar em qualquer lugar do mundo”. Prometia também - cumpriu - oferecer uma grande área de laje, com escritórios de 430 a 1.820 metros quadrados locáveis por andar. A área bruta do pavimento-tipo está em torno de 1,8 mil metros quadrados, praticamente igual e modulável. As lajes livres de pilares valorizam a flexibilidade na definição dos layouts dos escritórios, cujo pé-direito mede 2,85 metros.

 
As esquadrias das fachadas laterais têm modulação horizontal de 1,25 metro e vertical de 1,40 metro na frente de viga
 
  Detalhe interno da fachada inclinada
 

Já o conceito square foi atendido com espaços livres em torno do prédio e uma praça lateral com jabuticabeiras, chamada área de descompressão, para que os usuários possam descer, sentar e relaxar. Em breve, o local ganhará mesas e bancos. Além disso, o hall, com pé-direito triplo (10,5 metros), tem uma verdadeira praça interna, enquanto em todo o recuo da rua Leopoldo Couto de Magalhães e esquina da avenida Faria Lima há fontes e espelhos d’água.

A obra encaixa-se no conceito triple A, cujos requisitos são exigidos pelo Núcleo de Real Estate da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. A sofisticação do Faria Lima Square atraiu empresas do porte da Basf e da Klabin, que já ocupam vários andares no edifício, cujos recursos e padrão atendem às atuais necessidades de instalações de grandes corporações nacionais e internacionais.

Volumes

Em terreno de 4.825 metros quadrados, os 43.556 metros quadrados de área construída estão distribuídos em cinco subsolos de garagem, térreo, mezanino técnico, 11 pavimentos de escritórios, terraço e um heliponto com sala vip. Elementos de granito branco e panos de vidro verde se unem nas diferentes fachadas do edifício. Da estrutura de concreto do seu corpo sobressai uma caixa central, cuja intenção é acentuar a verticalidade e fazer a composição entre os pilares e o vidro.

Os recursos utilizados no envoltório do edifício remetem a outro projeto arquitetônico do mesmo escritório, o do Faria Lima Financial Center, desenvolvido em parceria com os escritórios Hellmuth, Obata + Kassabaum (HOK) e Fernando Iglesias Arquitetos. Vizinhos, ambos possuem volumes escalonados e elementos de concreto compondo linhas verticais entre os panos de vidro.

Por estar situado em duas esquinas, o Faria Lima Square tem acesso tanto pela avenida Faria Lima quanto pela rua Lopes Neto. As rampas são independentes e o térreo conta com porte-cochère para embarque e desembarque dos visitantes. Este, recuado e abrigado sob o teto do pavimento, não compete com a fachada e cria um acesso exclusivo para quem chega de carro.

Fachada inclinada

Somando 12,1 mil metros quadrados, as esquadrias formam fachadas-cortina structural glazing com quadros fixos, com perfis projetados pela empresa Mário Newton Leme Consultoria e fabricados pela CBA. Foram utilizados dois projetos diferentes do sistema stick, um para as faces laterais, entre pilares de granito, e outro desenvolvido especialmente para a fachada da avenida Faria Lima. Para atender ao conceito arquitetônico, uma das particularidades dessa obra é a fachada inclinada. As esquadrias das faces laterais ganharam modulação horizontal de 1,25 metro e vertical de 1,40 metro na frente de viga, com vão-luz de 2,85 metros.

A fachada principal, composta de um trecho com aproximadamente cinco graus de inclinação, possui interseções a 90 graus, com dois panos laterais e modulação horizontal de 2,50 metros. Já a vertical é de 1,40 metro na frente de viga e 0,725 + 1,40 + 0,725 metro no trecho do piso à viga. Essa modulação de fachada se projeta acima do 14º pavimento, formando um coroamento com 12,09 metros de altura de esquadria fixada em estrutura metálica, em todo o perímetro do prédio. Os perfis estruturais de sustentação dos panos de vidro consumiram 66,5 mil quilos de alumínio e demandaram dez meses de trabalho.

O novo projeto do sistema stick utilizado na fachada principal eliminou as luvas internas das travessas, fixando-as diretamente nos montantes. Através da superposição da usinagem das travessas, criou-se uma ampla área para aplicação de silicone internamente, no encontro travessa/coluna, evitando também um ponto vulnerável de infiltração. Para garantir a estanqueidade, os quadros de vidro ganharam três níveis de vedação de gaxetas, todas fixadas nos próprios quadros e, portanto, com cantos vulcanizados por injeção. Após a fixação da travessa, uma presilha feita de barra chata colocada no canal desse perfil é deslocada para ser encaixada no rebaixo da coluna, travando a travessa para esforços de pressão negativa.

Colunas e travessas

As fachadas-cortina são fixadas à estrutura do prédio através de ancoragens de alumínio - são duas ancoragens por pavimento. Os perfis da linha Mário Newton são tubulares de alumínio em liga 6063, dureza T5, com anodização bronze 1001, classe A18. Suas dimensões variaram de acordo com a linha utilizada: 100 x 50 milímetros para as colunas, 80 x 50 milímetros para as travessas das fachadas laterais e 120 x 80 milímetros e 80 x 80 milímetros, respectivamente, para as colunas e travessas da fachada principal. Todos os perfis da obra foram dimensionados para a pressão de ensaio de 1.360 pascals.

Colado com silicone estrutural (bicomponente), o vidro das fachadas é laminado, com PVB de alta performance, controle de raios ultravioleta e conforto térmico, contribuindo para diminuir o consumo de energia pelo ar-condicionado. Ele é composto de um vidro de seis milímetros verde + mais butiral duplo + vidro incolor de cinco milímetros, perfazendo 11 milímetros de espessura.

Para maior transparência do lobby, foi utilizado outro projeto de esquadria com montantes espaçados de 2,50 metros, com vidros incolores temperados de 12 milímetros de espessura, com junta seca sem travessas horizontais. Essa esquadria tem 10,5 metros de altura e seus montantes foram compostos por dois tubos de 80 x 125 milímetros, com reforço interno de ferro galvanizado a quente. O vidro foi fixado externamente à coluna com tampa e contratampa de 80 x 20 milímetros.

Característica forte do visual externo, os pilares verticais de concreto das fachadas também funcionam como brises, pois diminuem a área de vidro e aumentam o conforto térmico. Eles são simétricos, para que em seus elementos ornamentais fossem locadas as luminárias destinadas a realçar o envoltório da edificação. São 11 pilares nas laterais (ruas Leopoldo Couto de Magalhães e Horácio Lafer), sete na fachada da Faria Lima (frontal) e nove na da rua Lopes Neto (posterior).

Nestas duas últimas, são dois pilares estruturais; os demais, falsos, formam a composição visual e foram aproveitados interiormente para a descida de águas pluviais e previsão de prumadas, caso algum usuário queira acrescentar banheiros em outros pontos além dos já indicados. Nas fachadas frontal e posterior, a distância entre os pilares é de 1,875 metro livre, ao passo que nas laterais é de 2,50 metros. Todos os pilares estão revestidos em granito topázio branco.

Com estrutura metálica, o terraço panorâmico, localizado abaixo do heliponto, é totalmente protegido e se destaca pela qualidade construtiva e sofisticação nos acabamentos. Essa cobertura também abriga a casa de máquinas dos elevadores e da ventilação mecânica.

De modo geral, todo o projeto foi focado na economia de energia, utilizando-se no ar-condicionado sistemas a gás, sistema misto gás/diesel e trocador de calor entre ar de exaustão e ar exterior, para recuperação de calor.

Texto resumido a partir de reportagem
de Jaime Silva
Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 49 Junho de 2007

 
Uma das faces do edifício tem cerca de cinco graus de inclinação
 
Detalhe dos elementos verticais de concreto
 
Detalhe da caixilharia do térreo
 
O hall tem pé-direito triplo de 10,5 metros
 
O hall tem pé-direito triplo de 10,5 metros
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Ficha Técnica

Faria Lima Square
Cliente:
Cyrela Brazil Realty
Local: São Paulo, SP
Projeto: novembro de 2003
Conclusão da obra: agosto de 2006
Área do terreno: 4.823,94 m2
Área construída: 43.556,44 m2

Equipe técnica

Arquitetura: Collaço e Monteiro Arquitetos - Roberto Collaço e Ângela Monteiro (autores); Maria de Fátima Rodrigues Alves (coordenadora); Alexandre Cecotosti, Cláudia Lage, Estela Mingroni, Leandro Pirone, Luiz Shiroma e Ricardo Iwabe (colaboradores).
Construtora: Cyrela Brazil Realty
Conforto ambiental: Schaia Akkerman (projetos acústicos)
Fachada: Mário Newton Leme (consultor); Luxalum (fabricação e montagem)
Estrutura de concreto: Júlio Kassoy e Mário Franco
Estruturas metálicas: VMC (fabricação e montagem)

 
Colado com silicone estrutural (bicomponente), o vidro das fachadas é laminado, com PVB de alta performance
 

Fornecedores
Perfis de alumínio: CBA; Vidros: Guardian; Persianas: Uniflex

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