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Vista parcial da fachada principal, com a casa em dois pisos |
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Oswaldo Bratke nasceu em Botucatu, interior de São Paulo. Em 1914, sua família mudou-se para a capital. Três anos depois, ele começou a estudar na Escola Americana. Desde criança, nutria paixão pelo desenho. Roberto, um de seus filhos, guarda trabalhos do pai feitos de observação - galhos, frutas, pássaros -, (1) alguns datados de maio de 1918, ou seja, quando ele tinha apenas oito anos de idade.
Entrou na Escola de Engenharia do Mackenzie e logo deu início à prática: em 1929, com Eduardo Kneese de Melo, Oscar Americano e Clóvis Silveira, Bratke abriu um escritório de topografia. Com Americano, um de seus melhores amigos desde então, fez inúmeros projetos.
Depois de formado, dedicou-se à construção civil, por conta própria. Entre 1933 e 1942, manteve sociedade com Carlos Botti. Na ocasião, construiu sobretudo casas ecléticas nos bairros-jardins paulistanos. Com a morte prematura de Botti, passou a exercer, paulatinamente, apenas a atividade de arquiteto autônomo.
Três períodos
Podemos dividir a obra arquitetônica de Bratke em três períodos: a fase eclética (resultado da produção conjunta com Botti), a época de transição e o período moderno. A segunda etapa é composta por casas isoladas em São Paulo, como a da rua Sofia, criada em 1945 (leia PROJETO DESIGN 294, agosto de 2004). Nesse contexto, há dois grupos de projetos que se destacam: o da ilha Porchat e o do Jardim do Embaixador. Os da ilha Porchat, em São Vicente, no litoral (empreendimento executado por Oscar Americano), são em laje plana e se adaptam à topografia com o auxílio de muros de pedra.
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| Área em pilotis é ocupada por lazer e serviços, enquanto o piso superior abriga estar e dormitórios |
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| A residência Americano, em foto da década de 1950 |
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Luminárias e revestimentos de mármore atuais diferem do original |
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Já as construções do Jardim do Embaixador - o restaurante e as casas de veraneio - mereceriam estudo aprofundado. Uma das residências construídas era para uso da família Bratke. “Freqüentamos a casa durante quase todos os invernos da década de 1940. A viagem, quando chovia, chegava a demorar até 24 horas, com o carro movido a gasogênio”, lembra Roberto.
A obra de Bratke pode ser associada a loteamentos que contribuíram para delinear a gleba além do rio Pinheiros, sobretudo o Morumbi. E Oscar Americano teve papel importante nesse processo. No início dos anos 1940, ambos compraram juntos uma grande área na região. Cada um ficou com 100 mil metros quadrados. De início, Americano não ocupou o terreno. Bratke construiu um refúgio de fim de semana da família. “Deixávamos o carro na rua Iguatemi, onde hoje é a Faria Lima. De charrete, atravessávamos uma pequena ponte de madeira e subíamos em direção ao Morumbi por picadas”, recorda Roberto.
A terceira fase da arquitetura de Bratke, francamente moderna - identificada com a arquitetura da Califórnia, relacionada à revista Arts & Architecture -, foi iniciada entre o fim dos anos 1940 e início dos 1950. Bratke visitou a Califórnia em 1948 e conheceu de perto algumas obras que já admirava. (2) Um ano mais tarde, desenhou uma casa para morar com sua família na gleba do Morumbi. O projeto - marcado pela modulação expressa nas fachadas, pelo pátio interno (que divide os usos entre diurno e nortuno) e por inovações técnicas - tornou-se um clássico da arquitetura brasileira. No início da década de 1960, Bratke vendeu a casa para Baby Pignatari, que a desfigurou.
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| Assentamento de tijolos trançados protege parcialmente a porta de entrada |
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| Antigo pórtico de entrada, com a casa implantada em “acrópole” |
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Como na casa de Bratke, a de Oscar Americano tem volume solto do solo |
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A casa Americano
Em 1952, Bratke foi convocado pelo amigo e vizinho para desenhar outra casa. A não ser pelas dimensões - a residência da família Americano tinha extenso programa, com cinco quartos, salas de recreação e de projeção etc. -, os partidos eram muito semelhantes. Em primeiro lugar, a relação com a topografia e com o meio natural: não se trata de moradias urbanas. Ambos os projetos adaptam-se delicadamente às depressões naturais com o auxílio de um piso inferior em um dos lados da construção. São “casasapartamentos”, com o programa principal distribuído no piso mais alto, deixando o inferior para lazer, serviços etc. O porticado contínuo da fachada, que torna o jardim interno parte integrante do volume, também aparece nas duas residências. Por fim, existe a mesma relação de materiais de acabamento, principalmente as pastilhas de porcelana e os tijolos (na casa Americano, os elementos vazados de concreto foram trocados por tijolos trançados).
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| Revestimento de tijolos intercala dimensões e tamanhos diferentes |
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Pavilhão da piscina teve pilares e vazio da laje modificados |
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Pelas dimensões, a casa Americano possui peculiaridades. Foi implantada no alto em relação ao acesso e um tanto angulada, de forma que o visitante percebesse, de início, a massa construída. Mas para não parecer muito densa, Bratke fez um “truque”: o setor dos dormitórios possui uma saliência mais fina, deixando aparentemente leve a fachada lateral. O pátio interno tem continuidade com a área de recreação do piso inferior - cujo piso de mosaico português foi desenhado por Lívio Abramo.
Nesta casa, assim como na da rua Suécia, permanecem testemunhos da capacidade de Bratke de criar texturas, cheios e vazios, efeitos de luz e sombra. Parte desse perfeccionismo provavelmente advém da obsessão pelo desenho. Bratke trabalhava inúmeras hipóteses, testando aberturas, proporções. Contudo, os desenhos originais da concepção da residência Americano se perderam: a fundação que hoje toma conta da casa busca notícias deles.
Amante de música clássica, Americano facilitou a venda de terrenos próximo de sua casa para músicos, a fim de que pudessem tocar para ele. Sua empresa de construção, a CBPO, transformou-se em uma das maiores do país. A família morou na casa mais de 20 anos, até o início dos anos 1970, quando Oscar Americano - depois da morte da mulher, Maria Luísa - transformou o imóvel em instituição cultural.
A casa foi aberta ao público, que pode visitar a coleção da família. Mas já havia perdido algumas de suas feições originais: a pastilha foi trocada por mármore de Carrara (a contragosto de Bratke, que desenhou a paginação da pedra nos anos 1960); a mobília original, da loja Branco & Preto, dera lugar a outra, de época; as luminárias modernas das varandas foram trocadas por peças de estilo colonial; os pilotis sob os quartos das crianças foram fechados com caixilhos, aumentando a sala íntima (hoje transformada em auditório); o muro junto ao terraço com piso de Goeldi foi demolido e o pavilhão da piscina, também revestido de pedra, ganhou área construída sobre o espaço vazio da laje.
Depois da casa Americano, Oswaldo Bratke fez inúmeros outros projetos. Fechou o escritório entre o final dos anos 1960 e início dos 1970. Não queria concorrer com os filhos, ambos arquitetos. Fez ainda obras exemplares, como a casa do Guarujá (leia PROJETO 134, agosto de 1990). Morreu em 1997, a pouco mais de um mês de completar 90 anos.
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| A grande árvore irrompia no vazio do pavilhão da piscina |
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| Piscina, hoje soterrada, com a casa e a cidade ao fundo |
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| Parte do bloco dos dormitórios era suspensa por pilotis |
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| Mobiliário original, criado pela Branco & Preto |
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| Mobiliário original, criado pela Branco & Preto |
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| Mobiliário original, criado pela Branco & Preto |
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| Mobiliário original, criado pela Branco & Preto |
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