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Dois programas distintos compartilham a edificação implantada no bairro da Vila Madalena, em São Paulo. O projeto de Joana Elito, Edson Elito e Cristiane Takiy dispôs os ambientes para a prática de ioga nos dois primeiros pisos e reservou os níveis superiores para a residência do dono da academia. A proposta aproveita milimetricamente a área disponível, a fim de atender às necessidades do cliente dentro dos limites legais de ocupação do lote e sem desrespeitar a escala do entorno.
Bairro paulistano surgido no início do século 20, a Vila Madalena foi em boa parte ocupada por moradias simples, que até hoje predominam na gleba, apesar da valorização imobiliária, do crescimento vertical e da transformação da área em centro boêmio e cultural. É nesse contexto que foi inserida a edificação projetada por Joana Elito, Edson Elito e Cristiane Takiy. O extenso programa abrangia escola de ioga com amplos espaços para sua prática, recepção, loja, lanchonete, vestiários e estacionamento, além de residência com acesso e circulação independentes. Todos esses itens deveriam ser acomodados no terreno em declive, com 370 metros quadrados, e em acordo com a legislação que limita a área construída computável à medida do lote.
A resposta veio no projeto com pilares e vigas de aço e lajes pré-moldadas de concreto, solução que garantiu maior velocidade de execução da obra e reduziu o espaço reservado para canteiro. Amplas superfícies de vidro fazem o fechamento frontal, enquanto as demais faces são vedadas por tijolos aparentes e recortadas por grandes caixilhos. Esse volume é dividido em térreo e mezanino, destinados à escola, enquanto o piso superior - menor, deixando parte da estrutura à mostra - e a cobertura são reservados para a moradia. O acesso à academia de ioga é feito pela porta maior, transparente; a menor, opaca, conduz à residência. Dispostas paralelamente, as escadas são isoladas uma da outra; contudo, elas podem se comunicar, no nível do mezanino, a partir da abertura de duas portas. A garagem, no subsolo, também admite o uso como sala de aulas.
A área compacta da entrada da escola, marcada por pé-direito duplo com fechamento frontal de vidro, funciona como recepção, loja e lanchonete. Suas duas paredes laterais são tomadas por expositores, que oferecem livros, roupas e acessórios para a prática da ioga. Mais adiante, onde o pé-direito é menor, o balcão da recepção abriga também geladeiras e prateleiras para bebidas e alimentos. À esquerda do balcão ficam o controle de acesso e a principal sala de aulas, caracterizada por pé-direito duplo, grandes caixilhos e varanda com tratamento paisagístico, que pode ser incorporada como espaço de exercícios. O mezanino é ocupado exclusivamente pela segunda sala de prática, integrada visualmente à primeira através dos fechamentos de vidro, que também permitem a incidência de luz natural no ambiente.
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