Oscar Niemeyer
Coletânea de croquis
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  Congresso Nacional (1958), Brasília
 

Pesquisas formais

A primeira fase da trajetória de Niemeyer corresponde ao período que vai até Brasília. O arquiteto centenário se consagra de imediato com a construção da Pampulha, em Belo Horizonte, um dos primeiros projetos que realizou. Nessa etapa, além das pesquisas formais - que constituem a base de toda a sua obra -, Niemeyer tem a oportunidade de trabalhar com a escala urbanística em São Paulo (no CTA, localizado na cidade de São José dos Campos, e no parque Ibirapuera, na capital) e passa pelas primeiras experiências no exterior - em Nova York (Pavilhão do Brasil na exposição mundial e sede da ONU) e na Alemanha (unidade habitacional no bairro de Hansa, Berlim). Além disso, atua na implantação de novas construções no tecido histórico de cidades como Ouro Preto e Diamantina, onde se localiza a escola publicada nesta edição.

 
Residência Henrique Xavier (1936), Rio de Janeiro
 
Residência Prudente de Moraes Neto (1943), Rio de Janeiro
 
CTA (1947), São José dos Campos, SP
 
Fábrica Duchen (1950), São Paulo
 
Residência (1949), Mendes, RJ
 
Yacht Club e Cassino da Pampulha (1940), Belo Horizonte
 
Pavilhão do Brasil (1939), Nova York, EUA
 
Residência M. Passos (1939), Miguel Pereira, RJ
 
Hotel (1938), Ouro Preto, MG
 
Residência Cavanelas (1954), João do Rio, RJ
 
Sede da ONU (1947), Nova York, EUA
 
Hotel Tijuco (1951), Diamantina, MG
 
Museu de Caracas (1955)
 
Residência (1952), Canoas, RJ
 
Parque Ibirapuera (1951), São Paulo
 
  Igreja de São Francisco de Assis (1940), Belo Horizonte
 
  Palácio da Alvorada (1957), Brasília
 

Arquitetura oficial

Em Brasília, a arquitetura de Niemeyer torna-se oficial: ela materializa, com os palácios e edifícios da nova capital do Brasil, um desejo de modernidade que fazia parte de um grupo da elite política, econômica e cultural do país. Nessa fase, o arquiteto é influenciado pelas arcadas das grandes construções da humanidade. Contudo, deixando de lado os ícones brasilienses - como os palácios da Alvorada e do Planalto, a catedral e a sede do Itamaraty (Palácio dos Arcos) -, pinçamos uma obra menos conhecida e quase anônima: o módulo residencial, exemplificado pelas superquadras 107 e 108 Sul. Nele, Niemeyer estabelece o exemplo a ser seguido por diversos arquitetos. Nas SQS 107/108, além das lâminas de apartamentos, ele criou a igreja, a escola e o cinema.

 
Teatro Nacional (1958), Brasília
 
Palácio do Planalto (1958), Brasília
 
Catedral de Brasília (1958)
 
  Sede do Itamaraty (1962), Brasília
 
  Congresso Nacional (1958), Brasília
 
  Centro espiritual dos dominicanos (1967), Saint-Baume, França
 

Planeta curvo

Com o golpe de 1964, Niemeyer passa a enfrentar dificuldades para realizar seu trabalho. A partir do aumento da demanda de projetos no exterior, e depois que os militares no poder recusam sua proposta para o aeroporto da capital federal, ele toma uma decisão radical: parte para o auto-exílio na Europa. Com escritório baseado em Paris, faz diversos projetos, principalmente para países mediterrâneos: França, Itália, Argélia e Israel. Alguns desses edifícios são muito conhecidos - entre eles estão a sede do Partido Comunista Francês (PCF), em Paris; as instalações da editora Mondadori, na cidade italiana de Milão; e a universidade de Constantine, na Argélia. Outros, no entanto, foram pouco divulgados. Um deles é o conjunto de hotel e cassino na ilha da Madeira, o único projeto do arquiteto construído em Portugal.

 
Sede do jornal L’Humanité (1987), Paris
 
Mesquita (1968), Argel
 
Fata (1975), Turim, Itália
 
Sede da Mondadori (1968), Milão, Itália
 
Sede do PCF (1965), Paris
 
Casa Rotechild (1965), Israel
 
Bolsa do Trabalho (1972), Bobigny, França
 
Universidade de Constantine (1969), Argélia
 
Centro cultural (1972), Le Havre, França
 
Torre em La Défense (1973), Paris
 
Sede da Cartiere Burgo (1979), Turim, Itália
 
Alojamento de estudantes (1973), Oxford, Inglaterra
 
Conjunto em Vicenza (1978), Itália
 
  Caminho Niemeyer (1997), Niterói, RJ
 

Herói da resistência

Com o retorno do Brasil ao regime democrático, Niemeyer retoma com toda a força seus projetos em solo nacional. Nesse sentido, são simbólicos seus trabalhos recentes em Brasília - o Memorial JK e o Panteão da Liberdade, por exemplo - e o atendimento às novas demandas dos governos de matiz esquerdista, sobretudo Leonel Brizola, que, como governador do Rio de Janeiro, encomendou ao arquiteto locais de ensino (os Cieps) e lazer (o Sambódromo). Aliás, nesse período Niemeyer é requisitado por políticos de todas as tendências, principalmente em programas de finalidade cultural, deixando marcas nas cidades em que constrói. É o “Niemeyer effect”, em São Paulo (Memorial da América Latina), Niterói (MAC e Caminho Niemeyer) e Curitiba (Museu Oscar Niemeyer). Recentemente, mais um projeto seu foi concluído: o Centro Cultural de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, inédito em publicações e mostrado a seguir.

 
Memorial JK (1980), Brasília)
 
Aquário (2003), Brasília
 
Museu do Cinema Brasileiro (2001), Niterói, RJ
 
Ciep (1984), Rio de Janeiro
 
Panteão da Liberdade (1985), Brasília
 
Praça Maria Aragão (1998), São Luís
 
Museu do Índio (1982), Brasília
 
Memorial da América Latina (1987), São Paulo
 
Auditório Ibirapuera (2002), São Paulo
 
Museu de Arte Contemporânea (1993), Niterói, RJ
 
Auditório em Ravello (2003), Itália
veja também
  Vigliecca & Associados - Habitação social, São Paulo
  Marcio Kogan e Lair Reis - Escola-berçário, São Paulo
  Oscar Niemeyer - Superquadras, Brasília
  Brasil Arquitetura - Edifício comercial, Brasília
  Oscar Niemeyer - Centro Cultural Duque de Caxias, RJ
  Oscar Niemeyer - Conjunto hoteleiro, ilha da Madeira, Portugal
 
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