Vigliecca & Associados
Habitação social, São Paulo
Plantas, cortes e fachadas
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Ficha técnica deste projeto
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  Na implantação, os dois blocos abraçam parcialmente o edifício da biblioteca existente (à direita)
 
Moradia para idosos evita exclusão e busca expor-se à cidade
Empreendimento da prefeitura paulistana destinado à locação social para pessoas com mais de 65 anos, o Residencial Vila dos Idosos foi projetado por Hector Viglieccca, Luciene Quel, Ruben Otero e Ronald Werner Fiedler, do escritório Vigliecca & Associados. O condomínio, localizado no Pari, bairro próximo da região central da cidade, mostra que baixa renda não é incompatível com arquitetura de qualidade e é exemplo de como ela pode atender às necessidades de pessoas de idade mais avançada.

Em São Paulo moram cada vez mais idosos. Recenseamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que, em 2000, mais de 973 mil habitantes da capital tinham mais de 60 anos - cerca de 9,3% da população. E a publicação Histórico Demográfico do Município, da Secretaria de Planejamento, mostra que, se em 1991 havia 18 idosos para cada grupo de cem crianças na cidade, nove anos depois essa proporção avançara para 25/100.

O projeto do Residencial Vila dos Idosos é uma exceção à regra pela qual a atenção social aos mais velhos, embora tenha melhorado, é tanto mais precária quanto menor for a renda deles. O empreendimento da prefeitura paulistana, destinado à locação social, procura suprir a necessidade de moradia desse grupo e atender demandas específicas relacionadas à idade. E essas solicitações se materializaram com uma arquitetura de qualidade.

 
Detalhe da junção da laje de cobertura com as esquadrias, no bloco posterior
 
  O acesso às unidades se dá por ruas de convívio, que, no bloco mais próximo da entrada principal, voltam-se para o pátio. Colunas circulares ditam o ritmo do conjunto
 

Quando apresentou seu projeto para o condomínio, em 2003, Hector Vigliecca disse considerá-lo um trabalho pioneiro, que poderia contribuir para a solução do problema de moradia para essa faixa da população em todo o país.

Para Vigliecca, apesar de a denominação Vila dos Idosos deixar transparecer a idéia de exclusão, sua arquitetura buscou contrapor-se a esse preconceito, com um desenho que procura contribuir para a cidade e que não se nega a expor-se a ela. “Concebemos um edifício articulado por passeios horizontais que têm vistas para fora. Não pretendemos fazer apenas corredores de circulação, mas ruas de convívio”, argumenta.

O conjunto tem acesso principal pela rua Carlos de Campos, na ruidosa porém arborizada quadra localizada a menos de cem metros da marginal do rio Tietê. Entradas secundárias - exclusivas para moradores - se situam na via lateral e na parte posterior do lote. A edificação é composta por dois blocos de quatro pavimentos formando um L, que se comunicam nas faces mais longas do retângulo. A implantação foi definida de forma que o residencial abraçasse parcialmente a biblioteca municipal existente no terreno da esquina.

Externamente, o conjunto é de um recato quase total, definido apenas pelas superfícies de alvenaria branca intercaladas pelas faixas escuras das janelas - na face principal, voltados para a rua, foram inseridos módulos de serviço. Na parte interna, orientada para o pátio central, o ritmo da edificação é determinado pela modulação das colunas circulares. No topo, a laje de cobertura transpõe ligeiramente o perímetro do retângulo e forma uma pequena aba. O pátio, onde a vegetação ainda está em formação, tem como elemento principal um espelho d’água.

Os acessos das unidades voltam-se para o corredor de convívio, orientado para o pátio central - no térreo, ele é uma espécie de galeria. Ao lado da entrada de cada apartamento encontra-se banco duplo de concreto; as quitinetes têm bancos simples. Ao todo, o condomínio é composto por 145 moradias. No térreo, situam-se 16 quitinetes e nove apartamentos destinados a pessoas com dificuldades de locomoção. Nestes, os banheiros contam com assento para banho, apoio para sanitário e espaço para circulação de cadeira de rodas.

O projeto se preocupou ainda em favorecer a ventilação natural cruzada, por isso todas as unidades têm janelas paralelas voltadas para a face externa e para a circulação. O conjunto é servido por três elevadores e dispõe, ainda, de salas de jogos e de TV, além de salão comunitário com cozinha e sanitários. Na parte externa, na lateral esquerda da entrada, há quadra de bocha e espaço para horta.




Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 335 Janeiro de 2008

 
O conjunto para locação social prova que é possível fazer boa arquitetura em moradia para baixa renda
 
O condomínio é composto por dois blocos de quatro pavimentos, em forma de L
 
Apartamento-tipo 1
 
Apartamento-tipo 2
 
Croqui
Croqui
  Hector Vigliecca, Luciene Quel, Ruben Otero e Ronald Werner Fiedler são sócios no escritório Vigliecca & Associados.




Vigliecca e Otero formaram-se pela FAU/Udelar, no Uruguai, em 1968 e 1983, respectivamente.




Luciene e Fiedler são graduados pela FAU/Mackenzie, em 1996 e 2001
veja também
  Maximus Rumis e Marcela Leiva (DPZ Latin America), Sílvia Lenzi e Jaime Lerner - Plano urbanístico, Palhoça, SC
  Dal Pian Arquitetos Associados - Residência, Ubatuba, SP
  Marcio Kogan e Lair Reis - Escola-berçário, São Paulo
  Oscar Niemeyer - Coletânea de 49 croquis de Oscar Niemeyer produzidos entre 1936 e 2003
  Oscar Niemeyer - Superquadras, Brasília
  Brasil Arquitetura - Edifício comercial, Brasília
 
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