Quando apresentou seu projeto para o condomínio, em 2003, Hector Vigliecca disse considerá-lo um trabalho pioneiro, que poderia contribuir para a solução do problema de moradia para essa faixa da população em todo o país.
Para Vigliecca, apesar de a denominação Vila dos Idosos deixar transparecer a idéia de exclusão, sua arquitetura buscou contrapor-se a esse preconceito, com um desenho que procura contribuir para a cidade e que não se nega a expor-se a ela. “Concebemos um edifício articulado por passeios horizontais que têm vistas para fora. Não pretendemos fazer apenas corredores de circulação, mas ruas de convívio”, argumenta.
O conjunto tem acesso principal pela rua Carlos de Campos, na ruidosa porém arborizada quadra localizada a menos de cem metros da marginal do rio Tietê. Entradas secundárias - exclusivas para moradores - se situam na via lateral e na parte posterior do lote. A edificação é composta por dois blocos de quatro pavimentos formando um L, que se comunicam nas faces mais longas do retângulo. A implantação foi definida de forma que o residencial abraçasse parcialmente a biblioteca municipal existente no terreno da esquina.
Externamente, o conjunto é de um recato quase total, definido apenas pelas superfícies de alvenaria branca intercaladas pelas faixas escuras das janelas - na face principal, voltados para a rua, foram inseridos módulos de serviço. Na parte interna, orientada para o pátio central, o ritmo da edificação é determinado pela modulação das colunas circulares. No topo, a laje de cobertura transpõe ligeiramente o perímetro do retângulo e forma uma pequena aba. O pátio, onde a vegetação ainda está em formação, tem como elemento principal um espelho d’água.
Os acessos das unidades voltam-se para o corredor de convívio, orientado para o pátio central - no térreo, ele é uma espécie de galeria. Ao lado da entrada de cada apartamento encontra-se banco duplo de concreto; as quitinetes têm bancos simples. Ao todo, o condomínio é composto por 145 moradias. No térreo, situam-se 16 quitinetes e nove apartamentos destinados a pessoas com dificuldades de locomoção. Nestes, os banheiros contam com assento para banho, apoio para sanitário e espaço para circulação de cadeira de rodas.
O projeto se preocupou ainda em favorecer a ventilação natural cruzada, por isso todas as unidades têm janelas paralelas voltadas para a face externa e para a circulação. O conjunto é servido por três elevadores e dispõe, ainda, de salas de jogos e de TV, além de salão comunitário com cozinha e sanitários. Na parte externa, na lateral esquerda da entrada, há quadra de bocha e espaço para horta.
Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 335 Janeiro de 2008
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