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Dal Pian Arquitetos Associados
Residência, Ubatuba, SP |
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A churrasqueira, junto à cozinha, também faz parte do bloco servidor |
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| Dualidades de uso, cobertura e estrutura organizam pavilhão |
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| Situada no litoral norte de São Paulo, esta casa de veraneio foi desenhada pelos arquitetos Lilian e Renato Dal Pian para uso próprio, com estrutura de madeira calculada e executada por Hélio Olga. A esidência foi premiada ex-aequo pelo IAB/SP, em 2004, na categoria projeto (leia PROJETO DESIGN 299, janeiro de 2005). |
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A edificação foi denominada pelos autores casa Brava 2, porque o projeto era uma derivação de outra proposta dos arquitetos - a casa Brava, criada em 2000 (leia PROJETO DESIGN 264, fevereiro de 2002). Além de guardar proximidade física - ambas ficam em área acidentada e coberta por densa vegetação da mata atlântica, na encosta da praia Brava, em Ubatuba, SP -, as duas residências possuem semelhanças nos partidos estrutural e arquitetônico.
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| A mão francesa permite o balanço estrutural da varanda |
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O pavilhão de áreas servidas é leve e semi-industrializado |
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A casa Brava 2 tem área menor (147 metros quadrados, contra 235 da anterior) e, em vez de ser bipartida (de um lado, sala e cozinha; do outro, dormitório), tal como sua inspiração, possui somente um núcleo. Para ser mais preciso, há apenas uma pequena construção anexa, destinada a lavanderia e depósito. E as semelhanças estão justamente na relação entre o pavilhão da sala/cozinha da primeira casa e o volume principal da segunda.
O partido que rege as duas construções constitui-se de uma série de dualidades. Em primeiro lugar, no que diz respeito à organização espacial. Voltadas para o mar (ou seja, na parte mais baixa do terreno), ficam as áreas servidas, que correspondem, na Brava 2, à varanda, às salas e aos dormitórios. Já os espaços servidores (cozinha e sanitários) orientam-se para a mata. As dualidades continuam na estrutura e na cobertura de cada um dos espaços: se a parte da frente, leve e semi-industrializada, possui estrutura de madeira e é coberta por uma única água de telhas metálicas do tipo sanduíche, a parte posterior, de características pesadas e artesanais, é um bloco comum de alvenaria e concreto, encimado por laje plana e beirais de concreto.
Esse esforçado exercício projetual e construtivo é justificado pelo autores em diversas frentes. Em primeiro lugar, permite a ventilação cruzada, com entrada pelos grandes caixilhos da fachada principal (quarto e sala), que possuem ainda bandeiras de venezianas e vidro, e saída por aberturas (também vedadas com caixilhos de madeira e vidro) situadas entre a cobertura de uma água e a laje.
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| Os peitoris dos caixilhos da área servida possuem 60 centímetros de altura |
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No diminuto bloco anexo ficam a lavanderia e o depósito |
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Além disso, essa composição, que distribui as áreas molhadas no bloco do fundo, facilita as instalações hidráulicas e a impermeabilização da laje de piso, que é realizada de maneira convencional (a região não possui mão-de-obra sofisticada).
Dessa maneira, se a estrutura de madeira trabalha em parceria com a de concreto, ela possui modulação de 5 x 3 metros, com seis módulos no sentido menor e um no maior - este último, com um só pilar de madeira. Já a área servidora possui 1,80 metro entre os eixos estruturais e os mesmos três metros no outro sentido.
Os acabamentos também são diferentes, de um lado e do outro. O piso, por exemplo, na área maior é de assoalho (na varanda e no deque), apoiado diretamente na estrutura; já no volume menor, foi especificado porcelanato na cor preta.
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| Os amplos caixilhos e o banco fazendo as vezes de guarda-corpo acentuam a integração entre interior e exterior |
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Piso de assoalho apóia-se diretamente na estrutura de madeira |
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O forro também muda, de um bloco para o outro: no servido, a telha fica à mostra; no servidor, a laje de concreto é acabada com forro de madeira. A varanda, que avança em balanço frontalmente dos limites do pavilhão, é estruturada com o auxílio de mão francesa, rebatida também no outro sentido.
Texto resumido a partir de reportagem
de Fernando Serapião
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 335 Janeiro de 2008
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| A cozinha é aberta para a sala de estar |
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| A paisagem litorânea é enquadrada pelo caixilho. |
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Lilian Dal Pian formou-se na FAU/USP em 1981 e é mestre pela mesma instituição em 2005. Renato Dal Pian graduou-se em 1981 na FAU/PUC de Campinas, SP, e defendeu mestrado em 2002 no Mackenzie, onde leciona desde 1993.
Após trabalharem por seis anos em Londres e Milão, Lilian e Renato constituíram, em 1992, em São Paulo, o escritório Dal Pian Arquitetos Associados, que desenvolve projetos nas áreas residencial, educacional, institucional e industrial. |
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