Paulo Bruna Arquitetos Associados
Ampliação de teatro, São Paulo
Plantas, cortes e fachadas
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Cultura Artística ganhará espaço com novo edifício

Inaugurado no início dos anos 1950, quando a cidade de São Paulo estava prestes a comemorar seu quarto centenário com um discurso voltado à boa qualidade urbana - cujo símbolo presumível é a criação do parque Ibirapuera -, o Teatro Cultura Artística amarga há anos a realidade inversa: a ausência desse atributo em muitas das áreas históricas e centrais da capital paulista.

A construção do elevado Costa e Silva, em 1970, transformou negativamente o desenho da praça Roosevelt, situada nas proximidades do teatro, selando com altos e baixos a história posterior desse importante espaço cultural da cidade. Contudo, o conjunto arquitetônico, que ostenta na fachada painel de pastilhas de vidro desenhado por Di Cavalcanti, não apenas resiste às ameaças de esvaziamento em função da ambiência pouco amigável e atrativa do entorno, como necessita crescer e adequar-se aos novos tempos.

Esse é o teor do projeto que começou a ser desenvolvido pela equipe do arquiteto Paulo Bruna desde que o escritório Rino Levi - cujo fundador, ao lado de Roberto Cerqueira César, é o autor do projeto original do teatro - encerrou suas atividades na década de 1990. Na concepção de Paulo, herdeiro da lógica de Levi, tem-se como eixo conceitual para a revitalização do Cultura Artística a expansão das áreas coletivas e do próprio foyer superior da construção original, assim como a incorporação de um edifício lateral de apoio.

 
 
 
 

Com implantação prevista para a única extremidade livre do terreno, a nova edificação já fora mencionada pela equipe de Levi logo após a inauguração do teatro, tratando-se na época, contudo, de conjunto destinado a ateliês de artistas. O projeto atual de extensão, por sua vez, cria setores de ensino, biblioteca para diversas mídias, áreas para patrocinadores - fundamentais em tempos de orçamentos sempre dependentes do setor privado -, camarins, espaços de ensaio e bar conectado ao foyer principal, elevado.

Dada a exígua área disponível para a construção adicional, o programa deverá ser desmembrado em edifício de 12 pavimentos. Cada andar abrigará, portanto, poucas salas.

De qualquer forma, a conexão entre as edificações deverá privilegiar a visualização do painel de Di Cavalcanti. Seja pela nova marquise de mármore branco ou pela criação de terraços frontais a partir do quarto pavimento, onde termina a construção original, a volumetria do projeto enfatiza a horizontalidade da fachada ornamental.

O projeto aguarda a captação de verbas para ser edificado, processo que, por sua vez, depende dos rumos que tomará a revitalização da praça Roosevelt.

Texto resumido a partir de reportagem
de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 336 Fevereiro de 2008

 
  Paulo Bruna
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