Mauro Munhoz
Museu, São Paulo
Plantas, cortes e fachadas
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Ficha técnica deste projeto
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Intervenção dá maior fôlego a estádio e entorno
Com percurso expositivo linear, o museu será dividido em duas alas interligadas por passarela delgada, com 150 metros de extensão, que vencerá o pórtico do acesso principal. Transparente, ela vai revelar a movimentação interna e convidará os pedestres a conhecer o espaço.

Uma série de seminários sobre museus, realizada em 2006 pela Fundação Roberto Marinho, foi o ponto de partida para o projeto do Museu do Futebol, cuja inauguração está prevista para meados de 2008. Instalado sob a arquibancada do estádio do Pacaembu (oficialmente denominado Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho), o museu propõe a revitalização do equipamento público e de sua praça frontal, valorizando o elegante e monumental conjunto art déco que o Escritório Técnico Ramos de Azevedo/Severo Villares inseriu na gleba, tirando partido da topografia natural e respeitando a escala das demais construções da área. Arrojado para sua época, o estádio foi projetado nos anos 1930, inaugurado em 1940 e tombado em 1994 pelo Condephaat, órgão estadual de preservação do patrimônio.

Inicialmente, a idéia era dispor o museu sob o tobogã, complemento bruto da arquibancada construído nos anos 1970 entre o campo e o complexo esportivo, onde originalmente havia uma concha acústica. “O tobogã está na parte posterior do estádio, o que não contribui para revitalizar a área frontal. Além do mais, carrega o estigma de ser uma obra errada e autoritária”, detalha Mauro Munhoz, autor do projeto do museu. Partindo dessa argumentação, o arquiteto defendeu o uso do espaço frontal, até então ocupado por pequenos ambientes compartimentados e distribuídos por quatro andares. “O futebol une ricos e pobres sem distinção. O Museu do Futebol deve ser, portanto, um espaço coletivo e democrático”, afirma.

Com a autorização do Condephaat, foram demolidas partes das lajes sob as arquibancadas e das empenas situadas entre o pórtico e as galerias, revelando mais da bela estrutura de concreto. Assim, criou-se um grande saguão vazado que explora a monumentalidade original do acesso principal, ressalta o caráter público do espaço e valoriza as novas instalações, alinhadas com a face frontal. O nível térreo concentra bilheteria, restaurante, café, acesso ao campo, área de exposições temporárias e auditório com 180 lugares. Estes dois últimos abrem-se diretamente para a praça, com apenas duas linhas de pilares separando-os da calçada. O museu, que só funcionará quando não houver jogos, ocupará o primeiro e o segundo pavimentos, enquanto o terceiro ficará reservado para administração e áreas técnicas.

 
 
 
 
 

O acesso ao primeiro pavimento será feito por escadas rolantes posicionadas na lateral esquerda, para proporcionar visão da “catedral de pilares” da arquibancada. “A idéia é que nessa área sejam projetadas imagens de torcidas”, adianta Munhoz. Linear, o percurso museográfico é dividido em duas alas interligadas por uma passarela delgada com 150 metros de extensão, que vencerá o pórtico do acesso principal. Transparente, ela também revelará a movimentação interna e convidará os pedestres a conhecer o museu. Nesse mesmo piso, serão resgatados dois acessos originais às arquibancadas, há muito vedados. “Dessa forma, o visitante sai do plano da representação e depara com o objeto real à sua frente”, afirma Munhoz.

O Museu do Futebol colocará em uso um equipamento público que permanece ocioso a maior parte do tempo. Seu principal mérito é estabelecer circulações transversais e longitudinais que contribuem diretamente para integrar as áreas internas e externas do estádio.


Texto resumido a partir de reportagem
de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 336 Fevereiro de 2008

 
 
  Mauro Munhoz
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