No ano passado, a equipe paulista de Vinícius Andrade e Marcelo Morettin venceu o concurso público de anteprojeto para a sede da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), fundação ligada ao Ministério da Educação e criada há 55 anos. A doação de terreno à instituição foi o evento motivador do concurso, organizado pelo IAB/DF. Atualmente, os arquitetos desenvolvem os projetos básico e executivo, que nortearão, possivelmente ainda em 2008, o processo de licitação pública para a construção do edifício.
O lote generoso, com 13 mil metros quadrados de área e topografia predominantemente plana, motivou a proposta de ocupação linear. Assim, boa parte do volumoso programa se acomodará em edificação extensa - cerca de 16 metros de largura por mais de 90 de comprimento, com cota térrea rebaixada em relação ao entorno. O partido, então, não só minimiza visualmente o impacto da inserção do novo edifício, reduzindo-o aparentemente a volume único, como abre a possibilidade para que as construções auxiliares se mimetizem.
As imediações da praça rebaixada, para a qual se voltará a comprida fachada sul, serão ocupadas por edificações complementares laterais, que mais se parecem com prolongamentos do próprio terreno. Sobre a maior delas, ao sul do complexo arquitetônico, o artifício da implantação de um grande espelho d’água enfatiza a intenção do projeto de gerar maior área livre possível.
De certa forma, o partido deriva direta e habilmente das diretrizes enunciadas no edital do concurso, que já previa proporcionalmente grande parte do programa - sobretudo os andares de garagem - localizada em cotas subterrâneas. O edifício principal, portanto, é, em síntese, ladeado por dois sulcos longitudinais, que funcionarão como espaço de aeração, na fachada norte, e como rua interna de distribuição dos acessos, no setor sul.
Além de garantir a correta setorização do projeto, implantando paralelamente os blocos de suporte, presidência e aquele destinado principalmente às atividades de consultoria e aos auditórios, tais aberturas atendem às condicionantes de conforto natural. Permitem, assim, a correta ventilação e distribuição dos sistemas de captação e reúso da água pluvial.
Com a ocupação rarefeita no sentido vertical, uma bonita imagem do projeto é a redução da passarela de acesso à objetiva largura da ordem de dois metros. Ela se destaca, posicionada quase centralmente à grande fachada interna.
Texto resumido a partir de reportagem
de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 336 Fevereiro de 2008 |