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Humberto Hermeto
Residência, Nova Lima, MG |
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Interior da sala-mirante, com vista da serra do Curral, que envolve tanto a capital mineira como as cidades da região metropolitana |
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| Na sala-mirante, paredes de vidro revelam a paisagem |
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| Uma sala-mirante de concreto e vidro, parcialmente em balanço, marca a moradia desenhada pelo arquiteto Humberto Hermeto, no condomínio Vila Castela, em Nova Lima, cidade da região metropolitana de Belo Horizonte. Para enfrentar a topografia do terreno, de inclinação acentuada, o projeto optou pela implantação em cota elevada, com o acesso à residência feito por elevador. |
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Nova Lima está situada nos arredores de Belo Horizonte, ao sul da capital - de centro a centro dos municípios são cerca de 20 quilômetros. Na parte mais alta das cercanias da cidade, junto à serra do Curral, estão em implantação vários condomínios, que se definem de maneira contraditória: apesar de não serem considerados fechados, a maioria deles possui cancelas que controlam o acesso dos visitantes. A ambigüidade se estende à qualidade da arquitetura vista ali, formando um curioso painel sobre o trabalho atual dos arquitetos mineiros no programa residencial - estão presentes, por exemplo, as indefectíveis casas neoclássicas, mas há exemplos interessantes e abordagens originais.
Há, entretanto, uma característica comum a praticamente todos os lotes, que precisa ser equacionada pelos profissionais que projetam no local: a topografia dos terrenos, com inclinações que chegam a 70%. A questão também esteve presente na residência desenhada por Humberto Hermeto. Mas ele a solucionou da forma menos usual, evitando que desníveis dessa monta levassem a rampas extremamente íngremes e em curva - se os veículos têm dificuldades para vencê-las, o que dizer dos pedestres.
“A premissa do projeto era implantar casa e terraço num único nível. Ambos deveriam estar o mais alto possível, como forma de aproveitar as condições de vista existentes”, conta o arquiteto. Contratado depois de os clientes terem adquirido o lote - cuja inclinação na parte frontal, em seus primeiros dez metros, é em média de 68% -, Hermeto fez da topografia o núcleo de sua proposta. |
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| A sala em balanço é vedada por painéis envidraçados, que asseguram vista ampla da paisagem. O acesso à residência é feito por elevador |
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Um par de vigas invertidas suporta a laje de cobertura.
A solução, segundo o arquiteto, diminui as interferências no espaço interno |
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O pavimento superior, o terraço e a piscina estão situados praticamente na mesma cota. Os materiais predominantes na composição
do volume construído são concreto e vidro |
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O primeiro obstáculo apresentado pelo lote era a retirada de terra. “Foi feita uma simulação com a implantação de uma rampa. Constatamos que a solução seria economicamente inviável, porque o custo estimado para a remoção da terra e a construção de arrimos que acomodassem a rampa superaria o valor pago pelo terreno”, relata Hermeto.
Descartada a hipótese, ele optou por efetuar um corte na parte frontal do lote (com profundidade de 5,5 metros) para implantar a garagem. Um arrimo com 4,40 metros de altura contém a terra, e o acesso dos moradores às áreas residenciais é feito por elevador, no lado esquerdo do terreno. O volume da casa - um bloco longitudinal com dois pavimentos - foi disposto 15,50 metros acima do nível da rua. O piso superior abre-se para um terraço lateral, que recebe insolação do norte; a extremidade leste avança, criando a sala-mirante, onde paredes envidraçadas asseguram vista plena da paisagem.
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A casa está implantada 15,50 metros acima do nível da rua.
Os terrenos no condomínio Vila Castela têm inclinações que chegam a 70% |
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A laje de piso é sustentada por duas linhas de pilares arredondados, ancorados em fundações do tipo tubulão, e duas vigas longitudinais |
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A estrutura da casa é convencional. “São 16 colunas posicionadas sobre uma base de tubulões que sustentam o corpo principal da moradia”, revela o arquiteto. Nessas colunas está apoiado um par de vigas longitudinais, sobre as quais se distribui o peso da laje de piso. Mais uma dupla de vigas suporta a laje de cobertura - nesse caso, porém, elas são invertidas, livrando a residência de interferências internas e criando maior integração entre os espaços propostos.
Idealizada como extensão da cozinha, a varanda transforma-se em elemento de ligação entre o volume da residência e a área de lazer. “Com isso, pudemos abrir mão da construção de um anexo que abrigasse churrasqueira e bancada e maximizar a área de terraço disponível”, diz Hermeto. Separando os quartos e o estar íntimo das áreas sociais, as quais abrangem a cozinha, há um vazio que recebe iluminação zenital e realiza a conexão com o pavimento inferior, onde estão localizados área de serviço, escritório, dependência de empregado e sauna.
Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 337 Março de 2008 |
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| Setor íntimo da moradia, visto da sala-mirante. O piso é revestido com mármore |
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| O vazio que recebe iluminação zenital conecta o pavimento superior ao inferior |
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| Croqui |
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Humberto Hermeto é formado em 1997 pela Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais e possui escritório próprio desde 1996. É fundador e editor da revista MDC, especializada em arquitetura e urbanismo. Em 2005, venceu o concurso público para o projeto da sede da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais |
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