Sílvia Mara Soares
Instituto Técnico Prof. Munir José, Barueri, SP
Plantas, cortes e fachadas
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  O volume curvo central abriga o auditório
 
Curvas e volumes articulados
Brises com inclinação de 45 graus, painéis metálicos envolvendo planos curvos, quadros com vidro laminado e perfis de alumínio revestem os volumes articulados da fachada frontal do instituto de ensino técnico, edifício projetado para abrigar cursos oferecidos pelo município.

A escola foi implantada em terreno elevado, circundado por áreas verdes que margeiam a estrada velha de Itapevi. Embora afastado alguns quilômetros do centro da cidade, trata-se de um local nobre de Barueri, na Grande São Paulo. A autora do projeto de arquitetura e diretora técnica de Obras do município, Sílvia Mara Soares, informa que a criação de um ambiente educativo multissensorial foi o partido adotado para o desenvolvimento da proposta.

 
A janela circular, na fachada frontal, tem cinco metros de diâmetro
 
  Os brises são fixados em suportes de polímero especial inseridos em tubos de alumínio extrudado
 

"Apostamos em amplas circulações iluminadas naturalmente, para que os alunos pudessem usufruir de momentos de convívio, bem como de interação, ora montando exposições, ora participando de workshops", explica a arquiteta. Os espaços internos voltam-se para uma praça central criada a partir da planta em U do edifício, ela acrescenta.

Asa-delta

O Instituto Técnico de Barueri Prof. Munir José oferece cursos gratuitos de informática, administração, logística/gestão, secretariado e segurança do trabalho. No edifício de 7.251 metros quadrados, distribuídos em dois pavimentos, há laboratórios de física, química, informática e ciências, além de 20 salas de aulas, com 50,4 metros quadrados cada, e dependências como lanchonete/cantina com 120 lugares, ginásio coberto e quadra de vôlei descoberta.

O projeto arquitetônico e todas as especificações de materiais, cores e paisagismo foram executados pela equipe técnica da Secretaria de Projetos e Construções da prefeitura de Barueri, sendo passados para detalhamento ao escritório do arquiteto Satio Tomita. Logo à entrada, a cobertura da portaria lembra uma asa-delta. Com policarbonato alveolado e estrutura metálica embutindo a calha, esse elemento cria a sensação de espaço livre.

A área da recepção tem vidro temperado de dez milímetros, cinza reflexivo, com abertura maxim-ar, enquanto os pilares metálicos medem 35 centímetros de diâmetro e são revestidos com painéis de alumínio composto. A edificação é delimitada por gradil feito com chapa de aço perfurada, com dois metros de altura.

 
Detalhe das janelas maxim-ar para ventilação das salas
 
As salas de aulas voltam-se para uma praça central, criada a partir da planta em U
 
  As passarelas receberam cobertura com policarbonato
 

Volume em balanço

Voltada para oeste, a face principal é composta de três volumes distintos, com diferentes soluções de fechamento: um bloco central, envolvido por lâmina metálica curva, ladeado à esquerda por um volume com brises e à direita por outro com a fachada protegida por painéis de alumínio composto que circundam uma grande abertura circular.

O bloco central, que abriga o auditório, no piso superior, avança 3,60 metros no seu ponto máximo, com formato curvo. Nesse trecho, a fachada é envolvida por painéis metálicos verticais, compostos por chapas de 300 milímetros de largura e 19 milímetros de espessura. Na parte superior da face curva, um rasgo protegido por vidros reflexivos verdes de dez milímetros permite a entrada de luz natural no interior do auditório.

No coroamento desse trecho central, a cobertura compõe um volume diferenciado, também revestido com painéis metálicos, avançando 2,50 metros além da linha da fachada de vidro. Essa projeção, assim como outras utilizadas nos fundos do prédio, tem a função de sombreamento, de acordo com os estudos de insolação. Os painéis metálicos são constituídos de alumínio e zinco, e têm sistema de encaixe do tipo macho-fêmea, com junta seca. Possuem isolamento termoacústico em poliestireno expandido, densidade de 20 kg/m3 e espessura de isolamento de 40 milímetros, além de uma chapa de fechamento com a mesma combinação metálica na outra face.

Chapas perfuradas

À esquerda do bloco do auditório, a fachada ganhou brises com painéis metálicos de 300 milímetros de largura, perfurados e fixados em estrutura metálica, com inclinação de 45 graus. A área fechada pelos painéis soma 210 metros quadrados (7 metros de altura por 30 de comprimento). A liga de alumínio e zinco dos painéis tem resistência mecânica maior que a do alumínio e, além disso, possui resistência à corrosão próxima à deste.

"Se o painel fosse inteiramente de alumínio, para obter a mesma resistência mecânica, a espessura da chapa estaria em torno de 1,2 milímetro, ao passo que, com a liga, a espessura caiu para 0,6 milímetro", explica o engenheiro Roberto R. dos Santos, diretor comercial da Sanfor, responsável pela instalação dos painéis. Por serem perfurados, esses brises permitem visão de dentro para fora, como uma persiana microperfurada.

O jogo de volumes e formas prossegue no lado direito da fachada principal, onde ganha destaque uma janela circular, com cinco metros de diâmetro, recortando um plano azul, resultante do revestimento com painéis de alumínio composto. Os painéis de 1.042 x 4.951 milímetros saíram da fábrica com estrutura auxiliar e foram fixados em perfis metálicos estruturais, explica o arquiteto Koiti Kawahara, da K2, responsável pela colocação das chapas de ACM.

Instalada pela Comovent, a janela circular foi chumbada no contramarco com grapas de alumínio. Com vidros temperados espelhados de dez milímetros, ela leva luz natural às rampas de circulação vertical, que facilitam o caminhar dos portadores de mobilidade reduzida "e também conduzem ao percurso mais agradável, passando pelo jardim interno", comenta Sílvia Mara. Os guarda-corpos das rampas possuem corrimãos nas alturas de 0,70 metro (para crianças) e 0,92 metro (para adultos).

Pele de vidro

Uma das propostas do projeto de arquitetura era iluminar os ambientes internos e ao mesmo tempo protegê-los contra o excesso de calor. Nas fachadas laterais, os módulos de 95 x 1.100 milímetros receberam vidros laminados de sete milímetros na cor verde. Segundo José Victorino, diretor comercial do Grupo Como, responsável pelas instalação das esquadrias, usinagens e fechamentos structural glazing, para a colocação dos caixilhos foram utilizadas ancoragens de alumínio com regulagens, facilitando possíveis ajustes.

A pele de vidro (PV2) foi utilizada no centro da fachada principal, nas laterais esquerda e direita do prédio e no pátio interno. A linha Gold foi especificada para as salas de aulas e faces voltadas para o pátio. No fim do corredor que parte do átrio do piso superior, assim como no final do corredor do térreo, duas janelas maiores, do tipo maxim-ar, com folhas móveis e fixas, integram os dois pavimentos com a praça interna nos fundos. Essas janelas medem 2.500 x 1.500 milímetros, sendo conjugadas por perfis que fazem o papel de travessas verticais e definem a junção de uma à outra. Venezianas foram utilizadas no ginásio de esportes, favorecendo a iluminação e a ventilação naturais.

Passarela metálica

O prédio do ginásio de esportes, situado num desnível de 3,91 metros, é ligado ao edifício principal por passarela metálica de 40 metros de extensão, 7,70 metros de largura e quatro metros de altura. Trata-se de elemento arquitetônico com pórtico de concreto, estrutura metálica e cobertura de policarbonato.

O ginásio tem estrutura metálica composta por treliça espacial. Telhas trapezoidais do tipo sanduíche, de 6,5 milímetros, com recheio de lã mineral e caimento acentuado nas laterais, amenizam o excesso de luz na quadra poliesportiva.

Texto resumido a partir de reportagem
de Jaime Silva
Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 52 Março de 2008

 
Edifício do ginásio esportivo
 
O ginásio de esportes tem estrutura metálica composta por treliça espacial
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