KOM Arquitetura
Edifício Jornalista Roberto Marinho, São Paulo, SP
Plantas, cortes e fachadas
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Ficha técnica deste projeto
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  A torre de 80 metros de altura é destinada à recepção e a transmissão de dados e imagens da emissora
 
Torre integrada ao edifício
Soluções como a marquise atirantada, a estrutura da torre para recepção/transmissão de dados e imagens da emissora e um estúdio panorâmico na cobertura expressam a integração de profissionais de diversos setores envolvidos na obra do novo edifício da Rede Globo.

A proposta apresentada pela direção da emissora ao escritório de arquitetura era a criação de um edifício corporativo que se integrasse aos blocos destinados ao departamento de jornalismo, já existentes e em funcionamento. O novo prédio deveria acomodar, além dos funcionários da empresa, os equipamentos, salas de treinamento e reuniões, uma antena link para transmissões ao vivo, área destinada à diretoria e restaurante privativo. Também havia a necessidade de espaço para exposições e eventos, no térreo, e estacionamentos no subsolo.

Para atender ao extenso programa, foram adotadas soluções como o desenvolvimento de uma modulação de escritório que seguisse o conceito open planning, com lajes protendidas para aumentar os vãos, diminuindo ao máximo o número de pilares internos. O arquiteto José Godoy, um dos autores do projeto de arquitetura, lembra que, nos andares de mil metros quadrados, a exigência era criar ambientes internos que recebessem abundante luz natural.

 
A fachada foi configurada com montantes verticais,
fixados na frente da laje com ancoragens reguláveis
de alumínio
 
A localização do edifício em via de tráfego intenso levou à escolha de vidros e perfis com tratamento especial
 

Outra condicionante do projeto era a instalação de uma torre (antena) de 80 metros para a recepção e a transmissão de dados e imagens da Rede Globo. Ela deveria ser implantada sobre o edifício com elegância, sem, contudo, deixar de atender às especificações técnicas. De acordo com Álvaro Aguiar, gerente de patrimônio da empresa, a alternativa foi executá-la usando o próprio corpo do prédio. Dessa forma, dois pilares contíguos ao edifício e um isolado formam sua base de sustentação.

No térreo, a torre metálica sustentada em uma base de concreto armado transpassa a marquise, integrando-se à estrutura do edifício corporativo. Engastada no pilar da torre, em balanço atirantado, a estrutura da marquise é composta por vigas de aço especial. “Os tirantes cumprem as funções de estabilizar a estrutura contra a ação dos ventos e proporcionar sustentação do peso dela mesma, dos caixilhos e dos vidros”, explica o consultor Nelson Firmino, da Aluparts, empresa responsável pelo projeto de fachada da obra.

Sujeita a vibrações e a mudanças de temperatura, a estrutura metálica da marquise recebeu caixilhos que permitissem a “flutuação” dos vidros, absorvendo, dessa forma, as deformações e evitando que estas provocassem rupturas. Os perfis de alumínio foram dimensionados para vãos de 2,5 metros e os vidros possuem de cinco a dez milímetros. Os quadros de vidro estão fixados através de ancoragem de alumínio apoiada sobre a estrutura de aço.

 
A fachada de vidro estrutural do térreo permite entrada de luz natural no pavimento acima deste
 
Vidros laminados de dez milímetros reduzem a transmissão de ruídos para o interior do edifício
 

Caixilhos com lã mineral
Na fachada, a leveza e a clareza pretendidas pelo projeto de arquitetura se expressam nos materiais utilizados: granito branco cristal polido, vidro, perfis de alumínio e painéis de alumínio composto na cor branca resultam numa paginação criativa. A localização do edifício, em via de tráfego intenso, aliada às exigências de conforto ambiental, condicionou a escolha dos vidros e dos tipos de perfil utilizados para a caixilharia.

A opção foi o uso de laminados metalizados de dez milímetros, com filme acústico e baixa absorção de calor, na cor verde-azulado, colados com silicone estrutural. Para atender às demandas acústicas, os montantes dos caixilhos de alumínio foram preenchidos com lã mineral. Persianas em todas as fachadas filtram a incidência de luz solar.

Entre os pavimentos, na frente de laje, foram aplicados isolantes de lã mineral. Além da contribuição acústica, o material cumpre a função de criar compartimentos contra a passagem de gases, calor e fumaça.

Outro destaque do projeto é o décimo andar, onde será alocado o estúdio panorâmico destinado às equipes de jornalismo que produzem os telejornais Bom dia, São Paulo e SPTV. As grandes áreas envidraçadas foram executadas com vidros especiais de 18 milímetros de espessura. “Assim, atenderíamos às exigências térmicas e acústicas e às grandes dimensões de 2,5 x 2,5 metros”, revela Nelson Firmino.

 
As fachadas laterais foram projetadas com caixilharia entre vãos
 
Para atender às exigências acústicas, os montantes dos caixilhos de alumínio foram preenchidos com lã mineral
 

Fluidez visual
Integrar o térreo ao complexo jornalístico existente era uma das tarefas na implantação da nova torre. Criou-se, então, uma grande área em pilotis - destinada a abrigar os eventos da empresa - que, somada à amplitude do lobby, com pé-direito que chega a 7,8 metros, e à adoção do sistema de fechamento em vidro estrutural, possibilitou fluidez visual e espacial.

Já a fachada, modulada em 2,5 metros de largura, foi configurada com montantes verticais - fixados na frente de laje com ancoragens reguláveis de alumínio - e por travessas horizontais. Os quadros fixos e móveis do tipo maxim-ar se alternam, com a predominância dos primeiros, de acordo com a paginação definida.

Para a execução de uma área de 5 mil metros quadrados de fachada, foram especificados perfis de alumínio tubulares e sólidos das linhas Atlanta 2 e Offset (entre vãos), que receberam pintura eletrostática branca RAL 9003 com camada mínima de 60 micra. Ao todo, a obra consumiu aproximadamente 40 toneladas de alumínio.

Cubo de vidro
Destaque da obra, o estúdio panorâmico teve como fonte de inspiração o cubo de vidro construído diante da loja Apple, no Central Park, em Nova York. Para a sustentação dos vidros da cobertura, das vigas e pilares foram fabricados 15 tipos de ferragens especiais de aço inoxidável, de acordo com projetos e especificações da Pilkington Brasil. “As ferragens padrão dependeriam de adaptações para atender às situações de fixação, devido aos esforços e tolerâncias exigidos no projeto”, explica Walter Costa de Carvalho, diretor da Walmetal.

As dimensões dessas ferragens variam de dez a 30 centímetros, de modo a resistir a cargas conforme normas (leia o quadro). Elas foram fixadas com parafusos e arruelas usinados em aço inoxidável. “As diferenças de medidas entre o projeto civil, as dimensões dos planos, níveis e alinhamentos na obra e a fabricação dos painéis de vidro com diversos furos cônicos especiais foram o maior desafio para o perfeito encaixe entre as ferragens na instalação”, enfatiza Carvalho.

Como o estúdio panorâmico recebe, durante o dia, alta carga de radiação solar, foi necessária uma proteção adicional para amenizar o calor. Foram especificadas cortinas do tipo rolô, com tela solar composta de 35% de fibra de vidro e 65% de PVC. “Essa tela não possui poliéster, proporcionando, assim, excelente estabilidade dimensional”, informa Maria Fernanda Duarte, diretora da Neo Design, responsável pela especificação e instalação. Os rolôs são motorizados e acionados a distância.

No teto, uma cobertura retrátil formada por 12 telas solares de 1,90 x 7 metros abre e fecha no vão, deslizando em trilhos paralelos instalados nas laterais dos vidros. Seu acionamento é manual, por haste, uma vez que a predominância do calor não exigirá movimentações muito constantes durante o dia.


Texto resumido a partir de reportagem
de Gisele Cichinelli e Jaime Silva
Publicada originalmente em Finestra
Edição 52 Março de 2008

 
No lobby, o pé-direito chega a 7,8 metros
 
Engastada no pilar da torre, em balanço atirantado, a estrutura da marquise é composta por vigas de aço especial
Estúdio panorâmico tem vigas e colunas de vidro

Em fase de implantação, o estúdio panorâmico que será usado para os telejornais de São Paulo vai ocupar o décimo andar do edifício. O projeto inicial do escritório KOM Arquitetura previa uma construção com estrutura metálica e vidro, mas a equipe de projetistas da Pilkington propôs um elemento arquitetônico em que o vidro fosse a pele e também a estrutura. A obra utilizou o sistema de envidraçamento estrutural TG (Tensioned Glass), que reúne projeto, engenharia, produção, instalação e garantia de funcionamento, explica Ângelo Arruda, gerente de Desenvolvimento de Negócios da Pilkington do Brasil.

Com exceção de uma parede de alvenaria, que ladeia o restaurante, no mesmo andar, o estúdio ganhou vigas, colunas, fechamentos, portas e até teto de vidro. São 130 metros quadrados de áreas envidraçadas fechando um espaço com pé-direito de quatro metros. As vigas de vidro de 8.200 x 500 milímetros e as colunas de 4.100 x 600 milímetros foram fabricadas com laminados temperados incolores de 30 milímetros (três chapas de dez milímetros intercaladas por película ionomérica). Os fechamentos têm laminados temperados verdes de 16 milímetros. No total, empregaram-se 251 metros quadrados de vidro, sendo 132 metros quadrados na cobertura e 119 metros quadrados nos fechamentos verticais.

A estrutura é composta por nove vigas e 15 colunas de vidro. Tanto para a estrutura como para os fechamentos verticais e da cobertura foram utilizados painéis especiais de laminado temperado compostos por duas chapas de vidro verde entremeadas por uma resina ionomérica. Cynthia Perissinotto, representante comercial da Glass Lamination Solutions/Brasil, da DuPont Brasil, explica que essa resina ionomérica é cinco vezes mais resistente ao rompimento e cem vezes mais rígida que o polivinil butiral (PVB). Além disso, possibilita menor espessura total dos vidros, proporciona maior resistência ao impacto, mais segurança, menor deflexão e melhor comportamento em envidraçamentos horizontais.

Segundo a arquiteta Luciana Teixeira, da área de Engenharia e Planejamento de Obras da Pilkington, as peças de vidro foram projetadas para atender às diversas solicitações da arquitetura, tais como caimento de água, inclinação, funcionamento das portas, união com jardineiras, persianas, sprinklers e tubulações. “Tudo passa pelo vidro e todas as peças casam em cima de projetos, pois nada foi medido na obra”, ela afirma.

O maior desafio foi a montagem de colunas e vigas com vidros de espessuras de 30 milímetros para suportar uma cobertura de aproximadamente 50 kg/m2, explica Laércio Basso, diretor presidente da Perfbox, que instalou os fechamentos de vidro estrutural.

Cargas de vento críticas
Como o prédio sofre forte pressão de ventos, devido a sua localização às margens do rio Pinheiros, o dimensionamento dos vidros passou por análise estrutural pelo método de elementos finitos, simulando-se todo o terraço como um único conjunto. Procurou-se determinar pontos de tensão máximos em função da carga existente, para a correta especificação das espessuras dos vidros.

Os calculistas da Pilkington não se basearam apenas nos parâmetros tradicionais das normas e trabalharam com cargas de até 2,5 mil pascals (250 kg/m2). Na simulação com ventos acima de 150 km/h foram usados vários formatos de cálculos de esforços - com portas abertas ou fechadas, ou abertas de um lado e fechadas de outro. Os técnicos também analisaram trechos da cobertura. Constatou-se, por fim, que os esforços eram mais críticos na flambagem dos pilares e das vigas, onde recai todo o peso da cobertura.

O estúdio panorâmico abrigará equipamentos de última geração para a recepção e transmissão de dados. Apesar de o edifício ter sido inaugurado em meados de 2007, o estúdio ainda está em fase de montagem, razão pela qual a emissora não permitiu que fossem tiradas fotos do local.

 
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