Gustavo Penna Arquiteto & Associados
Residência, Nova Lima, MG
Plantas, cortes e fachadas
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Ficha técnica deste projeto
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  A casa de aparência hermética liga-se à rua pela extensa passarela
 
Caixa hermética altera-se com mudanças de luz
A passarela em nível dá acesso à casa, projetada para impedir interações indesejadas com a rua ou os futuros vizinhos laterais. Na face frontal, a opacidade realça o volume em balanço com clarabóias nas partes superior e inferior. Esse conjunto cria um jogo de luz e sombras sempre em mutação e altera o aspecto externo e interno da casa ao longo do dia. O contraponto é dado pela fachada posterior, totalmente transparente e integrada com a natureza.

A cidade de Nova Lima concentra condomínios residenciais de luxo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A casa projetada por Gustavo Penna localiza-se em Alphaville Lagoa dos Ingleses, versão mineira de empreendimentos imobiliários bem-sucedidos em outras cidades do país. A gleba tem ao fundo a serra da Moeda, continuação da serra do Curral, acidente geográfico que caracteriza a paisagem da capital mineira, situada a apenas 20 quilômetros de distância.

 
Passarela e o pórtico de acesso
 
  O pavimento inferior é ocupado pela garagem e pelas dependências de hóspedes
 

O projeto seguiu alguns pontos predeterminados, como reduzir ao essencial as interferências na área em declive, impedir que os interiores fossem vistos da rua e assegurar autonomia visual em relação aos lotes laterais. A solução desenvolvida parte de uma passarela em nível, que vence a inclinação e conduz à caixa hermética, no patamar intermediário do terreno. Amplo e vazado, o acesso brinca com a noção de cheios e vazios e enquadra a bela vista para a serra e para a lagoa.

Para valorizar a empena cega da face principal e levar luminosidade ao interior, Penna criou um volume em balanço, com seus dois planos horizontais vedados por clarabóias transpassadas pela luz natural. Externamente, esse recurso dá diferentes nuances à parte inferior da fachada no decorrer do dia; internamente, ilumina ambientes onde a incidência solar não chegaria. “O mineiro está sempre observando as montanhas e sabe que a paisagem muda conforme a posição do sol. A intenção nesse projeto foi capturar as sombras fortes, suaves e rebatidas e resgatar o jogo das variações de luz, que se perdeu na arquitetura de hoje”, detalha o arquiteto. A face posterior contrasta com esse conjunto e explora a estética dos grandes recortes e transparências. Segundo Penna, a dimensão poética está no espaço construído, e as aberturas tiram partido da vista da mesma forma que qualquer observador faria se estivesse no local.

 
Vista da fachada posterior, totalmente vazada
 
A luz da tarde dá tonalidades quentes ao conjunto, no qual predominam acabamentos brancos
 
  A proposta luminotécnica preocupou-se em impedir que as fontes luminosas fossem vistas
 

Construída em concreto, a residência de ancoragens sólidas mostra leveza e despretensão nas áreas internas. O amplo acesso já revela os interiores através de panos de vidro com altura do piso ao teto no fechamento do primeiro nível. O que se vêem são grandes espaços integrados, predominantemente claros e unificados por soluções simples e econômicas nos acabamentos. Para as paredes, optou-se por pintura branca e argamassa texturizada; para os pisos, cimento branco e pó de mármore com acabamento polido e proteção em resina. “A casa é toda resolvida sem materiais caros nem ostentação”, garante o arquiteto.

O impacto fica por conta da escada escultural, elaborada com estrutura metálica, de contornos inspirados nas dobraduras dos origamis. Outro destaque é a iluminação oculta, de modo que o observador não pode ver as fontes luminosas. Em toda a casa foram utilizadas lâmpadas fluorescentes e em duas temperaturas de cor, uma branca e outra de tom amarelado, dimerizadas e com alguns pontos em foco para dar efeito mais dramático. O conforto a mais é dado pela lareira, que aquece todo o piso social e também o superior, por meio de serpentina que irradia o calor e pode ser desligada quando desejado.

Texto resumido a partir de reportagem
de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 338 Abril de 2008

 
Vista da escada de desenho leve e escultural
 
A faixa de vidro sobre a lareira permite que a luz que entra pelas clarabóias incida também na área de estar
 
Vista do pavimento superior para a caixa da escada
  Gustavo Penna formou-se pela Escola de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Minas Gerais (EAU/UFMG) em 1973, mesmo ano em que estabeleceu em Belo Horizonte o escritório Gustavo Penna Arquiteto & Associados. Desde 1977 leciona na instituição na qual se graduou. É autor de diversos projetos, entre eles as sedes da TV Bandeirantes em Belo Horizonte (1985) e em São Paulo (1992) e do Centro de Feiras e Exposições de Minas Gerais (2006). Recebeu vários prêmios e conquistou o primeiro lugar, entre outros, nos concursos para a sede da ABM (SP) e da Forluz (MG), ambos em 2007
   
  O detalhe evidencia a proximidade entre a casa e a lagoa   Vista do acesso para o interior e para a rua
   
  Vista interna do volume que se projeta da fachada principal. Recortes de vidro permitem entrada de luz na galeria de circulação   A linha de pilares da passarela ganha continuidade até o perímetro posterior da casa
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