Mayerhofer & Toledo
Centro de Convenções Rio Cidade Nova, Rio de Janeiro, RJ
Plantas, cortes e fachadas
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Ficha técnica deste projeto
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  A construção faz parte do projeto de revitalização da área central da cidade do Rio de Janeiro
 
Painéis revestem a fachada
Com grandes vãos e amplo pé-direito, o novo centro de eventos do Rio de Janeiro tem como destaque a fachada revestida com painéis metálicos, compostos por chapas pintadas e núcleo isolante de poliestireno expandido, descrevendo linhas retas e curvas.

O Centro de Convenções Rio Cidade Nova faz parte do programa de revitalização da área central da capital fluminense. Além da implantação do espaço de convenções, o projeto prevê para o local a construção de duas torres de escritórios e a preservação de um edifício tombado, que já abrigou o Hospital das Crianças e a antiga TV Rio. O projeto foi selecionado em concurso público de idéias do Instituto Pereira Passos, organizado pelo IAB/RJ e pela prefeitura do Rio de Janeiro.

A idéia inicial era construir um centro de convenções, uma torre de escritórios e um hotel. Após vencer a concorrência, a Racional Engenharia realizou estudo
mercadológico
e constatou que a região não tinha viabilidade para um hotel. Propôs, então, a substituição desse programa por um prédio corporativo. O edifício tombado teve a fachada, elementos internos e cobertura restaurados, com o madeiramento substituído por estrutura metálica, respeitando a morfologia original com telhas francesas.

Destaque da obra do centro de convenções é a fachada curvilínea de 23 metros de altura, revestida com painéis metálicos, solução que conferiu rapidez à execução. Como ela apresenta várias curvas, o desafio era fazer o sistema respeitar o partido arquitetônico. “Fomos desenhando até chegar ao ponto da seção ideal, para que os painéis fizessem as curvas em segmentos de reta e não fosse preciso calandrá-los”, explica a arquiteta Denise Rubez, do Núcleo de Desenvolvimento de Negócios da Racional. Para isso, as chapas de 75 milímetros de espessura ganharam medidas entre 1 x 1,14 metro e 8 x 1,14 metro. No total, somam 5,2 mil metros quadrados, para as fachadas do bulevar e posterior, voltada para a avenida Paulo de Frontim.

A arquiteta explica que os painéis são fixados em pilares metálicos e possuem sistema de vedação praticamente imperceptível. Denise Rubez afirma ainda que é a primeira vez que se usa essa solução em formato curvo, pois o produto é geralmente aplicado em fachadas contínuas de obras de fábricas e supermercados. Para evitar problemas de vandalismo, uma vez que o prédio fica junto da calçada, parte da fachada foi mantida em alvenaria, o que também facilita a movimentação de empilhadeiras pelo lado interno, durante a montagem das feiras e exposições que podem ser realizadas no local.

Num pequeno trecho, a lateral esquerda da fachada ganhou caixilhos no sistema de vidros colados (silicone glazing), da linha Atlanta, com painéis fixos, para permitir a vista panorâmica do prédio tombado e do bulevar. Essas janelas formam panos de 1,80 metro, com vidros laminados de dez milímetros (6 + PVB + 4), na cor azul.

Painéis sob pressão
Com núcleo isolante de poliestireno expandido (EPS), os painéis pré-fabricados - com revestimento de aço zincado e pintura na cor branca RAL 9003 - são fixados em colunas metálicas ou pré-moldadas com vãos autoportantes, determinados conforme a espessura dos painéis, que varia entre 70 e 250 milímetros. Estes têm largura de 1.144 milímetros e comprimento de acordo com o projeto, respeitando as limitações do sistema de transporte. A junção no sentido horizontal, com o sistema de fixação embutido, garante a impermeabilização externa e a estética do conjunto.

O processo de produção com colagem do revestimento metálico sob pressão e calor (colagem contínua) torna o painel monolítico, garantindo-lhe alta resistência mecânica e à corrosão. Essa tecnologia, denominada TermoWall ou Styropainel, permite reduzir o canteiro de obras e, conseqüentemente, a agressão ambiental causada pela construção ou pelo futuro desmonte.

 
Acesso principal ao centro de convenções
 
A fachada metálica tem 23 metros de altura
 
Acesso principal ao centro de convenções
 
A lateral esquerda da fachada ganhou caixilhos e vidro para
permitir a vista panorâmica do prédio tombado
 
Interior do edifício restaurado
 
  A construção faz parte do projeto de revitalização da área central da cidade do Rio de Janeiro
 

Sistema misto
Com capacidade para cerca de 6 mil pessoas, o centro de convenções tem, no térreo, um salão nobre com 1,1 mil metros quadrados e pé-direito de cinco metros, e um salão de exposições com cerca de 5 mil metros quadrados e dez metros de pé-direito, para a montagem de estandes. O pavimento superior, destinado à realização de congressos, conta com 13 salas e um grande salão de 2,5 mil metros quadrados, com pé-direito de oito metros e vão livre de 40 x 60 metros. A edificação possui ainda dois mezaninos com salas de apoio e de reuniões, serviços e áreas técnicas.

O sistema construtivo do prédio é misto, sendo um trecho menor moldado in loco e o restante em pré-moldado, com módulos de 16 metros de vigas protendidas, para atender às necessidades de amplos vãos nas áreas de exposição. A cobertura do edifício ganhou estrutura metálica com telha zipada. Na face inferior da telha utilizou-se lã de rocha com 100 kg/m3 de densidade, com tela, para reforçar a proteção acústica interna. A cobertura do salão superior possui grandes treliças metálicas com três metros de altura. Estas também sustentam as divisórias retráteis e acústicas.

Com grande versatilidade, o complexo permite abrigar até três eventos simultâneos e independentes, porque há acessos exclusivos tanto pelo salão nobre, como pelas laterais, por meio do hall das escadas rolantes, que chegam até o pavimento superior, ou pela entrada do salão de exposições. A obra é da prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, com concessão por 30 anos à Racional.




Texto resumido a partir de reportagem
de Jaime Silva
Publicada originalmente em Finestra
Edição 52 Março de 2008

 
Detalhe da estrutura da escada metálica
 
A lateral esquerda da fachada ganhou caixilhos e vidro para
permitir a vista panorâmica do prédio tombado
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