Abrigar um dos mais importantes acervos particulares do Brasil será a função do Museu de Arte Contemporânea de Vitória, complexo cultural projetado pelo escritório carioca Coutinho, Diegues e Cordeiro Arquitetos, tendo como co-autor o arquiteto Alfredo Britto. O edifício, cuja construção deve começar este ano (2008), será implantado no cruzamento da avenida Adalberto Simão Nader com a via de acesso ao novo terminal de passageiros do aeroporto da cidade, em terreno contíguo ao do centro de convenções e eventos - também desenhado pelo escritório.
O projeto evita a fórmula da arquitetura-espetáculo. A edificação abrange, além de espaços destinados ao acervo permanente - com obras de propriedade do colecionador João Sattamini -, salas para exposições temporárias (o MAC capixaba pretende fazer convênios com instituições internacionais), escolas para restauradores, setor de pesquisa sobre arte brasileira e uma pequena escola de artes para jovens. Auditório, café, loja, escritório e, em destaque, um jardim de esculturas complementam o programa.
“O edifício será estruturado ao longo da empena noroeste por um grande muro que vai pontuar e organizar os espaços expositivos. Ele também vai proteger da insolação e fornecer sombra aos jardins e ao espelho d’água, que acompanha e marca seus limites internos”, descreve o arquiteto Aníbal Coutinho, um dos sócios do escritório. Aberto à principal via de circulação, o jardim, ligeiramente abaixo do nível da rua, vai oferecer-se à cidade, mostrando suas formas e esculturas. A leste, ele é limitado por muro e pérgula e pelo espaço de exposições e contemplação.
A área de exposições temporárias terá salas separadas por variações de pé-direito, em platôs criados por pisos de diferentes níveis. Circulações verticais e instalações serão dispostas na empena noroeste. Coutinho explica ainda que especial atenção foi dedicada ao acesso, uma vez que o museu receberá peças de grande porte. Por isso, as salas do acervo permanente, das exposições temporárias e o jardim de esculturas poderão ser alcançados
por transporte motorizado ou mecanizado, sem necessidade de elevadores ou monta-cargas.
O prédio receberá a nordeste, longitudinalmente ao corpo principal, a ventilação predominante - e com ela os resíduos de pó de minério da Companhia Siderúrgica de Tubarão. Por isso os arquitetos especificaram acabamentos em aço corten, cobre e minério de ferro em sua forma natural para o revestimento de parte das paredes, esquadrias, telas de proteção, cobertura e sheds. “A solução vai evitar os efeitos do envelhecimento precoce”, prevê Coutinho.
Texto resumido a partir de reportagem
publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 338 Abril de 2008 |