A geometria do terreno, explica Rezende, determinou a implantação de um volume recortado com seis fachadas. A rigor, são três torres com lajes interligadas - duas delas, alinhadas no mesmo eixo, são intercaladas por um átrio que ocupa toda a altura da construção.
Se a solução estética preocupou-se em evitar a ostentação, não se economizaram esforços - de projeto e de construção - para dotar o edifício de atributos que lhe permitissem requerer a certificação Leed, concedida pelo U. S. Green Building Council, organismo que reconhece empreendimentos que adotaram na concepção e na operação princípios de sustentabilidade. O processo do Cidade Nova está na etapa final. Assim, foi dada prioridade à especificação de materiais reciclados e recicláveis; durante a obra, montou-se um programa de coleta seletiva do lixo e entulho para posterior reciclagem.
A sustentabilidade também orientou a especificação dos revestimentos e das cores das fachadas, com o objetivo de impedir que o prédio se tornasse uma ilha de calor. O desenvolvimento do projeto foi cercado de cuidados para promover melhor aproveitamento da iluminação natural, criando extensas áreas envidraçadas (tanto externa como internamente) e o amplo átrio central coberto por uma clarabóia de vidro com aproximadamente 900 metros quadrados. Onde entra luz solar, também penetra calor. Para resolver essa situação, foi adotado na fachada o sistema de dupla pele: uma bolsa de ar entre superfícies de vidro impede a passagem do calor para o interior do prédio.
Rezende destaca ainda a eficiência energética do edifício, estruturada a partir do sistema de ar condicionado - que, segundo o arquiteto, numa construção desse porte consome de 50% a 60% do total de energia despendida. No Cidade Nova, o ar é insuflado a partir do piso elevado, o que, de acordo com os defensores dessa técnica, resulta numa distribuição mais eficaz que a dos equipamentos colocados em tetos ou janelas. O fato de o prédio ter sido idealizado como uma caixa vedada propiciou a instalação de sistema interno de pressão positiva que evita a entrada de ar não tratado.
Como é de praxe nas construções que buscam a sustentabilidade, o prédio coleta água da chuva e da condensação do sistema de ar condicionado para destiná-la a lavagem, irrigação e bacias sanitárias - estima-se que, com isso, consiga atender até 40% do consumo diário previsto.
Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 338 Abril de 2008 |