Carlos Porto, Gilson Santos, Geraldo Lopes e José Raymundo Gomes
Estádio, Rio de Janeiro, RJ
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Ficha técnica deste projeto
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  O estádio possui quatro acessos de público, voltados para as vias que definem o perímetro do terreno
 
Arcos de aço atirantam a cobertura suspensa

De oficina ferroviária a arena esportiva: também conhecido como Engenhão, o Estádio Olímpico João Havelange foi construído em terreno de quase 200 mil metros quadrados onde antes funcionavam galpões de manutenção de trens, em Engenho de Dentro, bairro da zona norte do Rio de Janeiro. A transformação foi orquestrada a partir de projeto dos arquitetos Carlos Porto, Gilson Santos, Geraldo Lopes e José Raymundo Ferreira Gomes.

Os autores explicam que a opção pelo lote naquela região deu-se, entre outros motivos, pela topografia e pela acessibilidade do terreno - chega-se ao local por trem (estação Engenho de Dentro), por diversas linhas de ônibus e, de automóvel, pelas vias expressas Amarela e Vermelha. Os primeiros esboços do estádio surgiram em 1995, mas os contornos da versão implantada são de 2002, quando a cidade foi escolhida para sediar os Jogos Pan-Americanos de 2007.

Ao longo desse período foram desenvolvidos três projetos diferentes, mas com uma característica comum: a fixação da cobertura por arcos com apoios independentes. Na edificação, é uma cobertura metálica que dá proteção à totalidade da platéia e encontra-se suspensa sobre a estrutura do corpo do estádio, atirantada em quatro grandes arcos tubulares de aço com dois metros de diâmetro.

A capacidade do Engenhão, tal como inaugurado em meados de 2007, é de 45 mil lugares, mas pode chegar a 60 mil.

 
O Estádio Olímpico João Havelange foi implantado em Engenho de Dentro, zona norte do Rio de Janeiro. A versão final foi definida apenas em 2002 e construída para os Jogos
Pan-Americanos de 2007
 
Vista noturna aérea do Engenhão. A atual capacidade é de 45 mil lugares
 
  Os pórticos de acesso possuem catracas eletrônicas e magnetômetros, além de entradas e saídas próprias para portadores de necessidades especiais
 

O estádio multifuncional tem forma ovalada, com eixos que medem 284 e 232 metros. Além de futebol e competições de atletismo, o Engenhão pode ter usos de lazer e entretenimento. Complementam o complexo um prédio administrativo anexo e a garagem, em cuja cobertura se situa a área de aquecimento externo dos atletas.

A entrada no Engenhão é feita por praças de acumulação, onde foram implantados pórticos, localizados nas quatro ruas que definem o perímetro do lote. Através de conjuntos de rampas, os espectadores alcançam as circulações e as arquibancadas. A circulação - destacam os autores - permite a passagem de veículos para atendimento de emergências, abastecimento e limpeza. Há completa independência entre os acessos e circulações, e as dimensões desses elementos permitem a desocupação do estádio em no máximo 11 minutos.

As arquibancadas foram desenhadas de modo a atender curvas de visibilidade para todos os eventos esportivos ali previstos. Num nível intermediário da platéia estão os camarotes privados, que contam com banheiros, copa e setor de rádio e TV.

Na arquibancada superior, na sombra e com entrada através do edifício administrativo, ficam as áreas da imprensa. Tribunas especiais e de honra, localizadas no setor oeste, também têm acesso pelo prédio da administração. Acima delas, na parte mais alta e central da arquibancada, situa-se a sala de controle do estádio, com visão total do público e do campo.

Para os arquitetos, os cuidados na elaboração dos projetos técnicos e na construção refletem a convicção de que os estádios esportivos não são apenas imensos teatros para a apresentação de feitos heróicos. “São também algumas das obras mais antigas e permanentes da arquitetura, desde o Coliseu de Roma até, 20 séculos depois, o atual Parque Olímpico de Pequim. E se caracterizam por apresentar qualidades arquitetônicas essenciais aos grandes projetos: monumentalidade, liturgia, significado, grandeza, porte e presença marcante”, argumentam.


Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 339 Maio de 2008

 
Um dos grandes arcos que atiranta a cobertura e marca a plástica da edificação
 
O Estádio Olímpico João Havelange foi implantado em Engenho de Dentro, zona norte do Rio de Janeiro. A versão final foi definida apenas em 2002 e construída para os Jogos
Pan-Americanos de 2007
 
A cobertura suspensa sobre a estrutura do estádio aparece em todas as versões do projeto
  Nascido no Rio de Janeiro, Carlos Porto graduou-se em 1967 pela Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil (atual UFRJ), mesma escola onde se formaram o mineiro Geraldo Lopes (1968) e o fluminense Gilson Ramos dos Santos (1967). Já o baiano José Raymundo Ferreira Gomes concluiu o curso de arquitetura em 1967, na Universidade Federal da Bahia
 
  O Engenhão pode aumentar sua capacidade para até 60 mil espectadores
 
  O Engenhão tem formas ovaladas, com eixos que medem 284 e 232 metros. A concessão para sua exploração foi obtida pelo Botafogo, um dos quatro grandes clubes da cidade
 
No estádio estão reservados quase 300 assentos para cadeirantes; as tribunas especiais podem receber até 1.020 convidados e a tribuna de honra, 180 autoridades
 
O acesso ao interior do estádio é feito por quatro conjuntos
de rampas circulares
 
Com circulações amplas, o estádio pode ser evacuado completamente em 11 minutos
 
A cobertura metálica é atirantada em um conjunto de
quatro grandes arcos tubulares de aço e cobre a totalidade
da platéia
 
Detalhe do encontro do arco metálico com a coluna de
concreto
 
Além do campo de futebol com grama natural, o complexo esportivo dispõe de pista de atletismo adequada a disputas internacionais
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