A Casa do Bosque foi implantada na parte mais alta e final de um corredor de área de pasto circundado por mata nativa. Contudo, além da situação original, houve a preocupação de criar uma nova condição paisagística - de que se encarregou Fernando Chacel -, idealizando uma transição entre a mata e o pasto. Para James Lawrence Vianna, o projeto tratou de “estabelecer uma relação natural entre a paisagem e o envoltório da casa, em que os jardins, distanciando-se de forma suave, seguem pelo declive, naturalmente, assumindo características de bosque-parque”.
Comparada com a Casa do Riacho, a Casa do Bosque possui agenciamento mais complexo. O extenso programa foi dividido em quatro alas, cada qual formando um dos lados ao redor de um pátio central. Na frente - voltada para o sudoeste -, fica a área de estar; ao lado está a bateria de dormitórios, voltada para sudeste; no fundo, com orientação nordeste, situa-se a biblioteca; e, fechando a figura geométrica, o bloco de serviços ocupa o quadrante noroeste.
Com 7 x 7 metros de dimensão, o pátio da moradia, segundo o próprio arquiteto, é uma espécie de referência às históricas casas rurais do Rio de Janeiro, tal como a Fazenda de Colubandê, do final do século 18. Contudo, essa mesma proposta de Vianna foi trabalhada por Lucio Costa em residências de veraneio na serra fluminense, tal como na casa de Roberto Marinho em Correias, criada em 1942. Por outro lado, o pátio também foi o mote do projeto de Alcides da Rocha Miranda para a casa urbana de Tiradentes, MG, desenhada em 1987. A circulação interna ao redor do pátio forma uma galeria coberta com vidros, com uma solução que se poderia definir como “neo-acachorrada”, pelo uso que faz dos suportes.
A complexidade dos volumes que configuram a Casa do Bosque - quase barroca - levou o autor a realizar um malabarismo intenso entre formas e materiais, de modo a harmonizar o conjunto, marcado por acentuada horizontalidade.
Nesta casa, há também referências aos pontos de apoio utilizados por arquitetos do movimento moderno brasileiro. Em vez dos pilares em W da Casa do Riacho, o arquiteto optou pelo V, presente no apoio da pérgola de acesso à porta de entrada. As aberturas também alternam elementos históricos, como as seteiras, e soluções de característica moderna, como as janelas em fita e de canto. A residência possui ainda o embasamento de pedras, piso técnico e uma combinação de fechamentos de madeira (do tipo macho-e-fêmea), pedras, vidros e alvenaria (nas áreas molhadas). A construção foi modulada em 1,20 metro por 80 centímetros, que corresponde à chapa de compensado, presente no forro e na cobertura.
Texto resumido a partir de reportagem
de Fernando Serapião
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 340 Junho de 2008 |