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Os arquitetos Abrahão Sanovicz (falecido
em abril de 1999) e Edson Elito mostram fidelidade aos
princípios da escola paulista em seu último projeto
conjunto. O complexo de lazer e cultura do Sesc de Araraquara
foi tratado, segundo Elito, como um shopping cultural,
com todas as atrações integradas e visíveis desde o
acesso. Como nas obras exemplares da escola paulista,
o conjunto tem sistema de fluxos de circulação com eixos
bem definidos e espaços contínuos e fluidos.
O edifício principal tem transparência marcante,
com destaque para a integração interior/exterior,
a ventilação natural e a iluminação zenital; os desníveis
do terreno são usados com criatividade. Porém, a estrutura
de concreto - em geral de forte presença na escola
paulista - aparece com discrição. “No Sesc Araraquara,
não há ode ao concreto e a estrutura não tem caráter
expressionista. O racionalismo construtivo busca evitar
apelos formais desnecessários”, diz Elito.
O esqueleto estrutural, de concreto moldado in loco,
tem vedações de tijolos laminados e grandes aberturas
para ventilação. Pilares colocados à mesma distância
compõem uma malha, dentro da qual o projeto vai se desenvolvendo,
como numa espécie de “improviso musical”. Dessa forma,
o edifício constitui um jogo de cheios e vazios
- com pilares, balanços, áreas cobertas e descobertas
-, mas a partir de estrutura totalmente racional.
Os espaços principais ficam sob a grande cobertura:
a planta é livre e as divisões são feitas com critério.
A idéia norteadora do projeto, segundo Elito, foi a
de um shopping cultural, no qual as atrações
do Sesc (teatro, ginásio de esportes coberto, quadras
e espaços de lazer descobertos e parque aquático) deveriam
estar visualmente integradas e visíveis desde
a entrada do conjunto.
O clima da cidade, quente e seco, exigiu para o edifício-sede
um sistema de ventilação natural com grandes
aberturas, além de varandas e beirais para proteção
do excesso de sol. A topografia do terreno, com
declive de 4 m, também colaborou para a forma do grande
bloco social: na parte mais alta do lote, no nível da
rua principal, o acesso ao prédio acontece por meio
de rampa leve, protegida por corrimão e finalizada
no saguão de entrada.
O programa inicial previa um auditório, mas,
com o desenvolvimento da proposta, optou-se por um pequeno
teatro, com projeto cenotécnico do arquiteto e cenógrafo
José Carlos Serroni. Sua localização, junto à entrada,
permite-lhe funcionar de forma autônoma, mesmo
integrando o corpo principal do edifício. Do lado oposto,
ficam a administração e os consultórios odontológicos.
O saguão dá continuidade ao hall de recepção, com balcão
de atendimento ao público e, em frente, o salão de exposições
e sala de leitura.
Esses ambientes abrem-se para a área principal da
unidade, no piso inferior, a de convivência - com
infra-estrutura cênica, pé-direito duplo e que se comunica
com todos os demais espaços: ginásio, restaurante, salas
multimídia e de uso múltiplo, fosso do teatro, vestiário,
camarins e as piscinas, voltadas para o poente. Um piso
técnico foi construído embaixo delas, para facilitar
sua manutenção. O volume principal é independente,
mas com comunicação para o prédio do ginásio, implantado
lateralmente e preparado acusticamente para a apresentação
de grandes shows.
Do lado oposto ao bloco central, em, estão as quadras
esportivas, o espaço externo de convivência e a área
de recreação infantil. O setor de serviços vaza os espaços
da trama estrutural e resulta numa rua interna
que resolve os problemas de infra-estrutura do prédio.
Na entrada da rua principal, o destaque é a caixa-d’água,
de concreto e revestida de chapas de aço inoxidável,
que, apesar de ser elemento de infra-estrutura, foi
projetada como marco arquitetônico para o Sesc
e para a cidade, e pode ser vista desde a rodovia. O
pórtico de entrada, em concreto, tem traço próprio da
arquitetura paulista.
Texto resumido a partir de reportagem
de Éride Moura
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 248 Outubro de 2001.
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