Brasil Arquitetura

Terminal rodoferroviário, em Santo André-SP

Para ver a cidade

Passarela, rodoviária, terminal de ônibus urbano, estação ferroviária e estacionamento integram o conjunto que visa renovar o bairro industrial do município paulista. Os autores optaram pela superestrutura metálica aparente e desenvolveram perfis básicos que personalizam o projeto. A construção do terminal intermodal faz parte do programa municipal Eixo Tamanduateí para a revitalização da zona industrial de Santo André (município da Grande São Paulo), delimitada por duas importantes avenidas (do Estado e Industrial) que ligam a cidade à capital paulista. O projeto de Marcelo Ferraz e Francisco Fanucci foi premiado pelo IAB/SP em 1998.

Entrecortada pelo rio Tamanduateí, canalizado, e pela linha ferroviária da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), dois eixos paralelos distantes quase 200 m, a região cindia a cidade, criando uma zona de difícil transposição e contribuindo para o processo de degradação iniciado com a evasão das empresas a partir do início da década de 90.

A nova estação ferroviária, que substituirá a atual, mas cuja construção depende da Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos, ainda não foi iniciada, mas os demais equipamentos já foram concluídos. O primeiro a entrar em funcionamento foi a rodoviária, viabilizada pela parceria entre a Empresa Pública de Transportes de Santo André (EPT) e o Consórcio Terminal Rodoviário de Santo André (Tersa), que terá direito sobre as receitas por 25 anos.

A passarela estruturada em aço permite transpor totalmente a área, travessia antes feita por cima de um viaduto que não dispõe de faixa para pedestres. Isso determina a importância desse eixo central com 400 m de extensão e 8 m de largura, que interliga a rodoviária e o terminal de ônibus urbano, 7 m abaixo, passando sobre a linha da CPTM e a futura estação ferroviária. Escadas fixas e rolantes dão acessos independentes a cada um dos edifícios do conjunto, distribuindo o fluxo de usuários diretamente ao serviço pretendido.

Prevendo as inevitáveis barracas de camelôs, os arquitetos especificaram pontos de água e luz que devem servir os boxes de aço inoxidável com 15 m2 que, no futuro, ocuparão toda a extensão da passarela. “Espaços como rodoviárias ou terminais de ônibus costumam ter o aspecto negativo do estar provisório, de lugar de passagem. O projeto queria quebrar esse ranço, usando transparências para criar um conjunto leve”, explica Francisco Fanucci, também sócio do Brasil Arquitetura.

A solução foi tirar proveito da plasticidade da superestrutura metálica, que emprega apenas quatro tipos de perfis estruturais, desenvolvidos especialmente para esse projeto. “O catálogo de perfilados brasileiros para construção civil não é tão variado como o inglês, por exemplo. Por isso, criamos meia ferradura, uma curva, uma conexão e uma reta. São módulos de fácil produção, transporte e montagem, fixados por parafusos”, diz Fanucci.

A estrutura é convencional, de concreto, com pilares redondos formando vãos de 8 m x 15 m ; a cada 2,5 m aparecem as vigas transversais que sustentam a passarela. Essa laje de 8 cm de espessura utiliza fôrma metálica que substitui a ferragem positiva e permanece depois da concretagem. Placas de borracha revestem o piso da passarela; nas demais áreas empregou-se o basalto fosco. Da rodoviária, com 12 baias e espaço reservado para mais quatro, partem diariamente 212 ônibus, o que significa movimento de 1300 pessoas por dia ou cerca de 50 mil por mês, entre passageiros e acompanhantes. Para atender esse público foram previstos 28 pontos comerciais, dos quais apenas oito estão em funcionamento. Quando a estação ferroviária estiver pronta, o conjunto somará 9 600 metros quadrados de área construída.

Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 250 Dezembro de 2000
Quatro tipos de perfis metálicos estruturais
foram desenvolvidos para o projeto
Luz e ventilação naturais humanizam o espaço
da rodoviária, onde as estruturas ficam aparentes
Em seu ponto mais alto, a passarela está a 7,5 m.
A estação ferroviária ficará ao lado do terminal urbano
Passarela: única alternativa
para transpor a zona industrial
Escadas:acesso da passarela diretamente à rodoviária, ao terminal e à futura estação ferroviária
Vidros delimitam a área de embarque, preservando
a transparência que caracteriza o projeto
Quatro tipos de perfis metálicos estruturais
foram desenvolvidos para o projeto