Carlos Bratke, Edson Elito e João Belo
Centro administrativo, Cubatão, SP
- Detalhes
- 08 de Fevereiro de 2012. Visitas: 4.946
O novo centro administrativo da Refinaria Presidente Bernardes, no município de Cubatão, SP, substitui instalações projetadas por Oscar Niemeyer para a Petrobrás ainda na década de 1950.
Muito próximo das áreas de produção, o antigo centro foi sendo descaracterizado aos poucos, com a incorporação de recursos para proteger os funcionários contra o risco de explosões.
Situado entre a rodovia Cônego Domênico Rangoni e o Caminho do Mar (hoje avenida 9 de Abril), o conjunto atual ocupa a mesma gleba do primeiro, porém a cerca de 700 metros dos locais de produção, distância capaz de garantir segurança para as equipes.
As obras de implantação foram finalizadas em setembro último e no mês seguinte boa parte dos cerca de 1,2 mil funcionários já havia sido transferida para os escritórios.
Há uma segunda fase de obras prevista - oficinas, laboratórios e ampliação de áreas -, mas ela ainda depende de licença ambiental para ter início.
Desenvolvido a seis mãos pelos arquitetos Carlos Bratke, Edson Elito e João Belo, o projeto estabeleceu um conjunto pavilhonar de 12 volumes interligados por duas ruas internas de nove metros de largura, uma com 270 metros de extensão e a outra com 140.
Ambas possuem grandes trechos de cobertura com fechamento envidraçado, a fim de permitir a entrada de luz natural e tornar o percurso mais agradável.
“Chove com muita frequência em Cubatão. As ruas internas nasceram com essa proposta de criar uma circulação coberta e ainda fazer com que as pessoas se encontrassem no caminho. No antigo centro administrativo, era necessário percorrer longos trajetos descobertos e muitas vezes os funcionários pegavam o carro para ir de um prédio a outro”, comenta Bratke.
Além dessas vias, o conjunto é cortado por uma galeria no subsolo, pela qual correm todas as instalações. Dali elas se ramificam para os ambientes através do piso. De acordo com Bratke, o conjunto apresenta arquitetura de linguagem industrial.
Fogem desse conceito apenas as áreas de escritórios, o prédio do Corpo de Bombeiros, o amplo refeitório e o auditório, projetado para uso da própria empresa e também para oferecer um espaço cultural com programação voltada à população de Cubatão.
A escassez de mão de obra na construção civil levou à utilização de pré- -moldados de concreto em substituição à estrutura convencional inicialmente prevista. Os fechamentos são pré-fabricados já com acabamento e impermeabilização.
Todos os blocos, exceto o auditório, apresentam estrutura de aço na cobertura e fechamento com telhas zipadas. O conjunto caracteriza-se ainda pelos volumes predominantemente térreos.
Somente o principal edifício de escritórios e o prédio do Corpo de Bombeiros, situados em extremos opostos da maior rua interna, possuem mais dois pavimentos.
Embora ainda existam muitas indefinições sobre o pré-sal, é certo que o novo centro administrativo virá a abrigar parte das equipes dessa área. “Por isso, o cliente necessitava de espaços flexíveis, com grandes vãos sem pilares, capazes de se adaptarem às necessidades atuais e futuras”, detalha Belo.
O principal prédio de escritórios, que abriga gerência e engenharia, mede 54 x 60 metros e tem vãos de 20 metros. A circulação vertical é feita por rampas que conduzem a pisos defasados e com quase meio nível de diferença.
Os escritórios contam com piso elevado, forro acústico e projeto luminotécnico que visa assegurar eficiência e conforto visual.
Entre os prédios destacam-se ainda as instalações dos bombeiros. O nível térreo é ocupados por áreas de treinamento e oficinas de manutenção dos equipamentos; no pavimento superior ficam vestiários e escritórios.
Como Cubatão não possui Corpo de Bombeiros, os soldados a serviço da Petrobrás também atendem à população em casos de necessidade. A empresa ainda mantém centro médico com equipes especializadas em queimaduras, além de oftalmologistas e dentistas.
O conjunto é autossuficiente em energia elétrica. Ela é gerada em uma usina termoelétrica própria a partir das sobras de gás e o excedente é distribuído para o município.
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 382 Dezembro de 2011


Carlos Bratke é formado pela FAU/Mackenzie em 1967 e pós-graduado em planejamento urbano pela FAU/USP em 1969. É titular do escritório Carlos Bratke - Ateliê de Arquitetura.Edson Elito formou-se em 1971 pela FAU/USP. Desde 1998 é sócio do escritório Elito Arquitetos Associados.
João Belo é arquiteto formado em 1989 pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Trabalha com Carlos Bratke desde 1980



