Castro Mello Arquitetos

Estádio Nacional, Brasília

Fichas técnicas
Plantas, cortes e fachadas
Plasticidade se renova com sistema de cobertura

Desenhado pelo escritório Castro Mello Arquitetos, o estádio de Brasília foi uma das propostas submetidas à análise da Fifa que mais alterações teve no aspecto plástico, em relação à arena inicialmente desenhada. O arquiteto Eduardo de Castro Mello (FAU/USP, 1990), um dos sócios do escritório, afirma que a mudança visual assemelhou-se à tática de treinadores de futebol que, até minutos antes da partida, não divulgam a escalação do time, com o objetivo de surpreender o adversário e, com esse trunfo, aumentar as chances de vitória. No caso da capital federal, a estratégia pretendia, segundo ele, impressionar os encarregados de analisar as candidaturas das cidades e sacramentar a escolha do Distrito Federal. Mais que isso, ainda, a intenção seria reafirmar a proposta de Brasília de receber a cerimônia de abertura e o jogo inicial da competição - manifestações recentes de dirigentes da Fifa têm colocado em xeque a capacidade do Morumbi, em São Paulo, de receber essa solenidade.

Em viagem à Alemanha no final de 2008, Eduardo e Vicente de Castro Mello (Centro Universitário Belas Artes, 1999), pai e filho sócios, encomendaram estudo para outra solução de cobertura ao escritório alemão GMP. Se entre as mudanças listadas para adequar o estádio à competição a cobertura já era a de maior impacto, a nova proposta acentuou esse caráter. Decidiu-se então que ela seria incorporada ao projeto a ser entregue à federação internacional de futebol.

A cobertura é formada por uma linha externa tripla e circular de pilares arredondados envolvendo o estádio, com estrutura mista de concreto e cabos de aço tensionados. Trata-se de uma solução que mescla placas de concreto, aço e vidro, a ser posicionada entre os cabos da estrutura principal. Os autores asseguram tratar-se de um sistema que permite cobrir grandes áreas de forma tecnicamente correta, em função das condicionantes dadas pelas fundações e estruturas existentes. Ao mesmo tempo, apresenta um desenho agradável ao conjunto, eles avaliam.

Na porção central a cobertura é retrátil e ficará apoiada em sua parte fixa com sistema de cabos de aço imóveis e deslizantes. Nesse trecho, ela é constituída por uma malha de fibra de vidro flexível, de alta resistência e durabilidade, recoberta com vinil de elevado desempenho. Os autores destacam que a cobertura retrátil poderá ser executada depois dos jogos da Copa, em função do planejamento geral do investimento. Relatam, no entanto, que uma empresa estrangeira manifestou interesse em antecipar essa etapa, para poder utilizar o estádio nas turnês dos shows que organiza, já que ele tem característica de arena de múltiplo uso. A estrutura da cobertura fixa, incluindo anel de compressão e pilares de concreto, já foi dimensionada para atender às solicitações da parte retrátil.

A intervenção no equipamento - projetado na década de 1970 pelo próprio escritório Castro Mello como um estádio olímpico, construído apenas parcialmente - vai eliminar a pista de atletismo e rebaixar o nível do campo em quatro metros. Algumas arquibancadas serão eliminadas e outras construídas, bem como instalações para a imprensa, camarotes etc.

De olho em patrocínios, a futura arena, que durante a Copa terá capacidade para 70.754 pessoas, foi rebatizada como Estádio Nacional de Brasília. O nome anterior, Mané Garrincha - um dos mais admirados jogadores do futebol brasileiro -, será dado ao museu que fará parte do conjunto.

Texto de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 357 Novembro de 2009
Estádio Brasília
Estádio Brasília