César Dorfman Arquitetura e Urbanismo e Paulo Zimbres Arquitetos
Biblioteca
- Detalhes
- 03 de Fevereiro de 2006. Visitas: 45.456
Fichas técnicas
Fornecedores
Plantas, cortes e fachadas
O rasgo na parte superior das paredes de pedra assinala a presença do elemento novo
Novo programa ocupa construção
do século passado
do século passado
Pouco restava da antiga construção dos anos 1920 quando foi decidido que seus quase-destroços
seriam transformados na biblioteca do Centro
Universitário IPA-Metodista, na capital gaúcha. As
equipes dos arquitetos César Dorfman, de Porto
Alegre, e Paulo Zimbres, de Brasília, são responsáveis pela intervenção que, a partir das paredes de pedra remanescentes, recuperou a imagem do edifício, inserindo ali o novo programa.
No plano diretor do Centro Universitário IPA-Metodista, elaborado em 2003 pelos escritórios de César Dorfman e Paulo Zimbres, constava, entre outras, a recomendação de que se mantivessem o patrimônio vegetal local e as edificações significativas. Uma delas estava quase totalmente
demolida: além das paredes externas de pedra, pouco restava da construção original. Em sua parte interna tinham sido iniciadas obras de estrutura para acrescentar dois pavimentos aos três preexistentes.
“Essa proposta alterava a volumetria, a altura
comum aos outros prédios e o caráter formal do conjunto”, recorda Dorfman.
Seguindo a recomendação do plano diretor, a obra anteriormente prevista foi suspensa e adotada a proposta de recuperar a antiga construção e transformá-la na biblioteca central da universidade. Para atender ao programa, foi adicionado um
mezanino destinado à área de leitura, acomodado
entre o segundo andar e o telhado, que também foi refeito e está ligeiramente elevado em relação à cota anterior. Essa abordagem, segundo Dorfman, alinha-se à intenção de, mesmo usando a referência do telhado demolido, destacar o novo em relação ao existente.
Esse tratamento é frisado pela faixa envidraçada ,
delimitada por duas barras horizontais, que faz a transição entre as paredes de pedra e a cobertura. O projeto manteve os vãos de iluminação existentes, mas vedou-os com esquadrias de alumínio vermelhas, que também sublinham a intervenção
contemporânea no imóvel antigo. O mesmo
recurso foi utilizado na nova cobertura, executada com telhas de alumínio do tipo sanduíche. Ainda na parte externa da edificação, foi implantada uma escadaria , que complementa o pórtico existente - este, objeto de restauro -, enfatizando o caráter simbólico do acesso principal.
Internamente , os autores procuraram criar espaços fluidos e, por meio do uso intenso da madeira, evidenciar a noção de opostos : escuro em oposição ao claro; dureza em contraste com o macio; pedra se
contrapondo à madeira. Também se destaca na composição interior o bloco de circulação vertical , executado em estrutura metálica. Também aqui a referência tecnológica propõe o contraste com a técnica da alvenaria de pedra.
Como a capital gaúcha apresenta, em boa parte do ano, temperaturas agradáveis , o sistema de ventilação natural atua de forma a se alternar com os equipamentos de ar condicionado e emprega o efeito chaminé . “O ar entra pelas esquadrias e sai pelo telhado, por meio de comportas móveis no forro
do mezanino e saídas na cobertura”, completa
Dorfman.
seriam transformados na biblioteca do Centro
Universitário IPA-Metodista, na capital gaúcha. As
equipes dos arquitetos César Dorfman, de Porto
Alegre, e Paulo Zimbres, de Brasília, são responsáveis pela intervenção que, a partir das paredes de pedra remanescentes, recuperou a imagem do edifício, inserindo ali o novo programa.
No plano diretor do Centro Universitário IPA-Metodista, elaborado em 2003 pelos escritórios de César Dorfman e Paulo Zimbres, constava, entre outras, a recomendação de que se mantivessem o patrimônio vegetal local e as edificações significativas. Uma delas estava quase totalmente
demolida: além das paredes externas de pedra, pouco restava da construção original. Em sua parte interna tinham sido iniciadas obras de estrutura para acrescentar dois pavimentos aos três preexistentes.
“Essa proposta alterava a volumetria, a altura
comum aos outros prédios e o caráter formal do conjunto”, recorda Dorfman.
Seguindo a recomendação do plano diretor, a obra anteriormente prevista foi suspensa e adotada a proposta de recuperar a antiga construção e transformá-la na biblioteca central da universidade. Para atender ao programa, foi adicionado um
mezanino destinado à área de leitura, acomodado
entre o segundo andar e o telhado, que também foi refeito e está ligeiramente elevado em relação à cota anterior. Essa abordagem, segundo Dorfman, alinha-se à intenção de, mesmo usando a referência do telhado demolido, destacar o novo em relação ao existente.
Esse tratamento é frisado pela faixa envidraçada ,
delimitada por duas barras horizontais, que faz a transição entre as paredes de pedra e a cobertura. O projeto manteve os vãos de iluminação existentes, mas vedou-os com esquadrias de alumínio vermelhas, que também sublinham a intervenção
contemporânea no imóvel antigo. O mesmo
recurso foi utilizado na nova cobertura, executada com telhas de alumínio do tipo sanduíche. Ainda na parte externa da edificação, foi implantada uma escadaria , que complementa o pórtico existente - este, objeto de restauro -, enfatizando o caráter simbólico do acesso principal.
Internamente , os autores procuraram criar espaços fluidos e, por meio do uso intenso da madeira, evidenciar a noção de opostos : escuro em oposição ao claro; dureza em contraste com o macio; pedra se
contrapondo à madeira. Também se destaca na composição interior o bloco de circulação vertical , executado em estrutura metálica. Também aqui a referência tecnológica propõe o contraste com a técnica da alvenaria de pedra.
Como a capital gaúcha apresenta, em boa parte do ano, temperaturas agradáveis , o sistema de ventilação natural atua de forma a se alternar com os equipamentos de ar condicionado e emprega o efeito chaminé . “O ar entra pelas esquadrias e sai pelo telhado, por meio de comportas móveis no forro
do mezanino e saídas na cobertura”, completa
Dorfman.
Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETO DESIGN
Edição 311 Janeiro de 2006
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETO DESIGN
Edição 311 Janeiro de 2006
Ventilação natural com efeito chaminé: no teto, as saídas
para o ar quente
para o ar quente

Vista da fachada leste. O telhado foi elevado para permitir
a inclusão do mezanino, onde fica a sala de leitura
a inclusão do mezanino, onde fica a sala de leitura
Nas paredes de pedra da antiga construção os
vãos foram mantidos, mas inseriram-se modernas
esquadrias de alumínio
vãos foram mantidos, mas inseriram-se modernas
esquadrias de alumínio
Acesso principal: nova escadaria e pórtico restaurado
Área de estar, no segundo andar, próximo ao setor
de atendimento
de atendimento
O mezanino tem rasgos nas laterais que deixam entrar
a luz externa
a luz externa
Nos interiores, o uso intenso da madeira é contraponto às paredes externas em alvenaria de pedra

