Estúdio América

Restauração Hotel das Paineiras, Rio de Janeiro

Revitalização de hotel pode estar concluída em 2011

Chefe do Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro, Ricardo Calmon tem uma meta: ver concluídas em julho de 2011, quando o parque completa 50 anos, as obras de revitalização do Hotel das Paineiras, das quais faz parte a construção de uma estação de transferência para a ferrovia que leva ao Corcovado. No início de novembro estava sendo preparado o estudo de viabilidade econômica, documento que vai fundamentar a licitação para conceder à iniciativa privada a exploração do empreendimento. A empresa que vencer a concorrência seguirá o projeto do Estúdio América, que foi o ganhador do concurso de estudo preliminar de arquitetura e urbanização do complexo, organizado pelo IAB/RJ em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Por ter vencido a competição, a equipe recebeu prêmio de 20 mil reais.

A proposta apresentada pela equipe coordenada por César Shundi Iwamizu, que ficou em segundo lugar, foi remunerada com 15 mil, enquanto o projeto de Filipe Gebrin Dória e Bruno Conde, terceiro classificado, foi contemplado com 10 mil.

1º lugar
Paisagem tem papel protagonista

Além de solucionar o emaranhado de fluxos de pessoas e veículos (um grande número de vans e automóveis precisa estacionar em meio à floresta), a proposta do Estúdio América (desenvolvida por Carlos Garcia, Guilherme Lemke Motta, Lucas Fehr, Marcus Vinicius Damon e Mário Figueroa) teve a intenção de informar os 6 mil turistas que transitam diariamente pelo local sobre as riquezas da floresta e a importância de sua preservação. No caso dos meios de transporte, os autores optaram por acomodar o estacionamento ao terreno, liberando a paisagem para os visitantes. Quanto às edificações existentes, a recuperação que propõem será complementada por adições necessárias ao programa atual, que ficarão claramente assinaladas no conjunto original. “O partido adotou como prioridades o passeio, como essência do sentido de estar no parque, e a paisagem, como protagonista exuberante”, explicam os arquitetos no memorial do projeto.

A estação de transferência proposta - o novo espaço exigido no edital - está camuflada sob o jardim da cobertura, permeado de vazios. O estacionamento de automóveis e do hotel integram esse volume, que é o elemento de conexão de todo o complexo. Para o edifício hoteleiro, está prevista a remoção da parede do fundo do térreo, com o objetivo de facilitar a entrada de luz e revelar a rocha que se transforma em pano de fundo do espaço. No subsolo do hotel ficarão os setores de apoio e a cozinha que vai atender restaurantes, lanchonete e café. As unidades de hospedagem ocuparão os apartamentos originais, que datam de 1921; dois grandes vazios, no entanto, levarão mais luz, proporcionarão melhor aeração e vão criar uma conexão visual entre os andares. Para abrigar o centro de convenções, foi desenhado um bloco acoplado ao topo do edifício existente. O intervalo entre esse elemento novo e o antigo (antes ocupado pelos apartamentos do terceiro pavimento) receberá um restaurante panorâmico, com vista para o mar.

 

1. Cobertura da estação de transferência / 2. Estação de transferência / 3. Estacionamento do hotel / 4. Estacionamento de vans e automóveis / 5. Circulação vertical / 6. Térreo do hotel / 7. Apartamentos / 8. Restaurante panorâmico / 9. Centro de convenções
10. Café / 11. Apoio hotel / 12. Restaurante
 

 
2º lugar
Estação transforma-se em esplanada

A proposta apresentada por Anita Freire, Anderson Freitas, Carlos Ferrata, César Shundi Iwamizu, Júlio Cecchini, Pedro Barros e Pedro Ivo Freire, classificada em segundo lugar, também se preocupa em causar pouco impacto à paisagem. A estação de transferência é um prisma retangular encravado no terreno, de forma que a inclinação da estrada das Paineiras possibilite o acesso aos pavimentos da garagem. O volume, cuja cobertura está no nível do térreo do hotel, abriga espaços para comércio, sanitários e bilheteria/acesso à estação. Esta se configura como uma grande esplanada, estendendo-se até a extremidade do conjunto.

Para o centro de convenções foi proposto um bloco suspenso ao lado do hotel, que envolve um trecho da estação/esplanada. Os arquitetos pretenderam valorizar a volumetria externa do hotel, retirando o acréscimo do último pavimento. No lugar que restará da demolição, uma leve construção de estrutura metálica e vidro abriga a lanchonete e o restaurante. Os apartamentos foram redesenhados de forma a privilegiar a relação com o exterior.

 

 
3º lugar
Eixo de pedestres estrutura programa
Filipe Gebrin Dória e Bruno Conde definiram um eixo de pedestres organizado ao longo da cota 460 como estruturador de sua proposta. “Nele estão dispostos os principais elementos do programa, reforçando sua integração e otimizando seus usos”, argumentam no memorial do projeto. Os autores concentram no térreo do hotel os espaços de uso comum do complexo e mantêm o primeiro e o segundo pavimentos com a ocupação original, de unidades de hospedagem. A intervenção realizada anteriormente no terceiro andar seria desfeita, abrindo espaço para uma construção em estrutura metálica destinada a novos apartamentos e à área de lazer dos hóspedes. Também fazem parte do projeto uma loja na fachada lateral do hotel, voltada para a estação de transferência, e a transformação do alpendre em restaurante. Para o centro de convenções foi reservada uma porção do lote na qual o perfil natural do terreno facilita a inserção do auditório. A estação de transferência e os estacionamentos são blocos independentes, utilizando principalmente elementos pré-fabricados.


Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 358 Dezembro de 2009