Fernando Maculan e Pedro Morais
Residência, Nova Lima, MG
- Detalhes
- 14 de Julho de 2009. Visitas: 44.112
A casa está situada em condomínio residencial no município de Nova Lima, ao sul de Belo Horizonte, um dos mais recentes e de maior poder aquisitivo vetores de crescimento da capital mineira.
A implantação da residência resulta do equacionamento de duas demandas de ordem diversa: por um lado, o cliente - um jovem casal sem filhos - a desejava na cota mais alta possível, a fim de apreciar a paisagem do entorno com liberdade e privacidade; por outro lado, os 60% de inclinação do lote impunham restrições quanto à trajetória ideal e menos agressiva da rampa de acesso à edificação. O plano inclinado da circulação de veículos possui desenho em V, alternando no percurso concordância e discordância com as curvas de nível.
O posicionamento do platô é um dos pontos-chaves do projeto. A laje plana que o conforma tem quase a largura total do terreno e excede confortavelmente a área de projeção da edificação, gerando um terraço contínuo ao redor da construção. É uma casa-praça, na definição dos autores. Os ambientes sociais da residência - sempre receptiva aos hóspedes e às confraternizações, assinalam os arquitetos - têm como piso a laje do platô, que funciona também como cobertura das áreas íntimas e de serviço. Se o primeiro setor tem linguagem irreverente, jovial, conforme demanda inicial dos clientes, conhecedores do trabalho de Maculan e Morais (que já haviam desenhado uma casa para um membro da família), o bloco dos dormitórios é um volume de linguagem racional: um paralelepípedo branco com aberturas modestas, embora ambientalmente confortáveis.
Essa contraposição faz com que a casa, ainda que distribuída em dois pavimentos, pareça uma residência térrea, do tipo pavilhonar. Destaca-se, assim, o grande entrosamento entre interiores e exteriores no domínio da laje plana da praça, resultante das fachadas envidraçadas. Os ambientes compartimentados - a sala de televisão e a cozinha - estão localizados ao lado, em volumes autônomos.
Seria, no entanto, um pavilhão à mineira. Se é que se pode, nesses termos, fazer menção à correspondência entre os sucessivos ângulos oblíquos - desde a forma da laje até o plano inclinado da abertura zenital e a angulação das paredes - e as cotas de nível da topografia acidentada, recorrente em Minas Gerais. Nada muito literal, mas, de qualquer forma, diverso da arquitetura de casas pavilhonares paulistas. É dessa dualidade proveitosa que se nutre o projeto, a um só tempo racional e irreverente, moderno e contemporâneo.
Por ora os arquitetos não têm planos para desenvolver novos trabalhos em parceria. Fernando Maculan, admirador de duas residências que ficam no entorno desta - uma desenhada por Camila Fabrini e outra por Carlos Teixeira -, está concebendo uma espécie de casa de cultura mineira em São Paulo. Já Pedro Morais desenvolve o projeto de instalação de um artista argentino, cuja inauguração está prevista para outubro próximo, no Centro de Arte Contemporânea Inhotim, na cidade mineira de Brumadinho. “É o projeto de uma piscina”, ele explica.
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 352 Junho de 2009
se abre no plano inclinado da
iluminação zenital
quartos, no pavimento inferior


