Flávio Castro
Residência, São Paulo
- Detalhes
- 08 de Setembro de 2010. Visitas: 43.518
A caixa é composta por dois pisos, como tradicionalmente se dividem as residências urbanas (estar e cozinha no térreo, dormitórios no andar superior), e parece “flutuar” sobre um pavimento semienterrado que abriga garagem e serviços.
Segundo Castro, essa forma responde ao extenso programa solicitado por dois jovens recém-casados, diante do lote urbano de dimensões relativamente modestas - são 226 metros quadrados de terreno, para 300 metros quadrados de área construída.
A ideia da caixa como um volume autônomo foi reforçada pelo arquiteto, que imaginou uma construção isolada da divisa, solução que contrasta com os vizinhos. Assim, visto da rua - que pode se traduzir na imagem pública da casa -, o projeto se apresenta na sua melhor forma: compreende-se claramente a intenção do autor, cuja proposta foi ratificada pela coloração da viga metálica, em contraste com o restante.
A cor no componente metálico ecoa, provavelmente, o trabalho acadêmico de mestrado de Castro, realizado em Barcelona, onde estudou a obra do francês Jean Prouvé (1901-1984).
Prosseguindo a análise a partir da rua, o desenho do volume suspenso é virtuoso: emoldurado por saliência, o requadro alterna - à la Mondrian - panos vazados, de alvenaria, uma grande veneziana e a reentrância da varanda da sala.
Lembra vagamente a arquitetura de edifícios de apartamentos dos anos 1950. A outra face de destaque é a do fundo (as duas laterais, propositalmente, possuem tímidas aberturas). Contudo, embora a diferença de nível entre o térreo e o pátio posterior reforce o partido do objeto puro, a diminuta dimensão do lote dificulta a leitura do projeto a partir do fundo.
Para chegar ao resultado final, Castro lançou mão de lajes maciças de concreto armado com generosos balanços frontais e posteriores. O destaque da organização interna é a sequência de escadas sobrepostas que interliga os quatro níveis - a cobertura é um teto-jardim e mirante. Um volume triangular cobre o acesso ao último piso.
Junto da escada há uma parede que se destina a diferentes usos: no subsolo ela é suporte de bancada do ateliê, junto à garagem; no térreo, apoia o grande aquário; e no piso superior poderá ser usada como componente de um estúdio. A parede em si também serve de passagem de tubulações entre os pisos.
Outro destaque interno é o vazio central que recorta a caixa suspensa e ilumina o centro do volume. A abertura zenital também ajuda a levar luz aos dormitórios através de vidros translúcidos.
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 365 Julho de 2010
Flávio Castro formou-se em 2005 pela FAU/Mackenzie e fez mestrado na Universidade Politécnica da Catalunha, em Barcelona. No Brasil, trabalhou com os escritórios MMBB e Cooperantes; na Espanha participou de concursos em equipes como as de Hidalgo & Hartmann e MAB Arquitetctos. Atualmente possui estúdio próprio em São Paulo


