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Elementos desmontáveis dão flexibilidade a estádio

Contratados pela Secretaria de Desenvolvimento do Turismo do Mato Grosso, os projetos básico e executivo da Arena Cuiabá foram elaborados pelos escritórios paulistanos GCP Arquitetos e Grupo Stadia, especializado em arquitetura esportiva. A proposta prevê a demolição do Estádio Governador José Fragelli, o Verdão, projetado por Silvano Wendel e inaugurado em 1975. No mesmo local será erguida a arena, que aproveitará parte da estrutura preexistente. Será aberto um campo de 68 x 105 metros, ao lado do antigo. “Esse deslocamento permitirá acomodar no nível do gramado todos os itens pedidos pela Fifa”, comenta Sérgio Coelho (FAU/USP, 1976), titular do GCP. A obra implica intervenções no terreno, com volume de aproximadamente 500 mil metros cúbicos entre corte e aterro. “A proporção é quase meio a meio, e o que for removido de um ponto irá para o outro”, detalha a arquiteta Alessandra Araujo, coordenadora do projeto.

A Fifa solicita, para os jogos da fase de grupo, estádios para no mínimo 40 mil espectadores. O Verdão oferece atualmente cerca de 45 mil lugares, com média de ocupação inferior a 3 mil pessoas por partida. Para conciliar esses fatores e evitar que a arena se transforme num elefante branco, Coelho propôs um equipamento multiuso e flexível. Arquibancadas com trechos desmontáveis garantem cerca de 42 mil lugares durante os jogos da Copa e a possibilidade de retirar aproximadamente 12 mil assentos. “O projeto foi pensado em estrutura pré-fabricada de concreto, na tradicional modulação 8 x 8 metros. Somente nas laterais, atrás dos gols, a arquibancada do anel superior será executada com estrutura de aço galvanizado e degraus de concreto. A parte metálica da estrutura será feita com perfis parafusados e poderá ser desmontada e transferida, se necessário”, explica o arquiteto.

A setorização das arquibancadas levou à divisão das coberturas, compostas por estrutura de pórticos treliçados, fechamento em steel deck, camada de isolamento termoacústico e cobertura com membrana impermeabilizante com índice de reflexão solar (SRI) 78, evitando as ilhas de calor. Dois terços da cobertura serão opacos e o restante, translúcido, em policarbonato, para evitar sombras no gramado. Sobre a cobertura, uma passarela técnica permitirá a manutenção dos sistemas de som e iluminação sem recorrer a guindastes.

O equipamento foi projetado visando a certificação Leed na categoria novas construções. Os sistemas elétricos devem apresentar consumo cerca de 20% menor que uma edificação similar. Para a economia de recursos hídricos estão previstos sistema de captação de águas pluviais, circuito fechado para irrigação do gramado, estações de tratamento de esgoto e água e reúso de água tratada. O paisagismo emprega somente espécies nativas, sem necessidade de irrigação. Somente a iluminação do campo escapará desses parâmetros redutores. “Para possibilitar a transmissão dos jogos pela tevê, a Fifa pede 2,5 mil lux de iluminação vertical sobre o jogador, sem ofuscamento. Usaremos mais de 200 projetores com lâmpadas de vapor metálico de 2 mil watts”, revela Danilo Carvalho (FAU/Mackenzie, 1995), do Grupo Stadia.

As áreas de convivência ficarão no entorno do estádio. O centro de mídia ocupará o ginásio de esportes que funciona do lado externo do complexo. No extremo oposto está previsto um setor de lazer com estacionamento, restaurante, choperias e a escalinata, escadaria que servirá de arquibancada para eventos e pequenas apresentações, devendo incentivar o uso do espaço após a Copa. Caminhões poderão acessar o campo, facilitando a realização de shows.

O edital de licitação para a construção da arena foi lançado no final de setembro e o custo das obras está estimado em 440 milhões de reais.

Texto de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 357 Novembro de 2009
Referência em arquitetura
Direitos de reprodução reservados à ARCO Editorial Ltda.
Atualizado em: 08/09/2010