Índio da Costa AUDT

Escola de ensino médio SESC, Rio de Janeiro

Plantas, cortes e fachadas
Fichas técnicas
Fornecedores
A esplanada central é ocupada por um grande lago, sobre o qual parte do teatro se projeta em balanço
Arquitetura caminha entre a extroversão e o racionalismo
Um lote de 131 mil metros quadrados, localizado na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, abriga desde o início de 2008 a Escola Sesc de Ensino Médio (Esem). Luiz Eduardo Índio da Costa é o autor do projeto arquitetônico, que tem como premissa favorecer, ambiental e socialmente, a permanência integral de alunos e professores no complexo educacional.

A escola foi projetada para a capacidade máxima de 500 estudantes do ensino médio, com idades que variam entre 14 e 18 anos. Eles terão à disposição quase 30 mil metros quadrados de área construída, ou seja, uma média de 60 metros quadrados de facilidades por aluno. Nesse espaço, Índio da Costa e equipe setorizaram o vasto programa, composto por áreas educacionais (salas de aulas, laboratórios, biblioteca), esportivas (ginásio, piscina semiolímpica, campo de futebol, quadras descobertas), residenciais (alojamentos para professores e alunos), culturais (teatro para 603 espectadores) e instalações de apoio.

A proposta pedagógica é inovadora no Brasil. Ela pretende preparar o jovem tanto para a entrada no mercado de trabalho quanto para o ingresso no ensino superior, com a adoção de grade curricular polivalente (acadêmica e profissionalizante) e a imersão do aluno e do professor no ambiente da escola.

Vista aérea do conjunto
A implantação é aproximadamente trapezoidal: os alojamentos de alunos ficam no lado menor; os alojamentos de professores e as áreas esportivas, na face maior; as salas de aulas e o apoio, na porção central do lote
O fechamento de vidro do teatro recobre externamente a edificação, qualificando sua relação com a paisagem que a envolve

Nesse contexto, a arquitetura definida por Índio da Costa trilhou o caminho híbrido do racionalismo construtivo - capaz de lidar favoravelmente com os grandes números da área construída - e da extroversão carioca, confortável à longa permanência em virtude do contato que estabelece com o ambiente externo. Trata-se de uma abordagem recorrente em sua obra, como se depreende da entrevista que o arquiteto concedeu na época em que ainda elaborava o projeto da escola. Prevalece a estética do material natural, sem revestimentos, com o uso de componentes construtivos industrializados, como a estrutura de concreto, os blocos cerâmicos de vedação e os painéis metálicos de proteção solar que recobrem, em balanço, parte das edificações. São elementos bem-vindos na construção em larga escala, e configuram ainda a linguagem racional característica do complexo educativo.

O acesso ao teatro se dá através de rampas laterais
A padronização de materiais e de unidades construtivas remete à linguagem fabril

Igualmente importantes, contudo, são as zonas intermediárias, abertas porém cobertas, que entremeiam horizontal e verticalmente as edificações entre si, e também seus componentes principais, de vedação e cobertura, de modo a propiciarem o fluxo confortável e a amenização das elevadas temperaturas do clima local.

No setor das salas de aulas e laboratórios, por exemplo, construído centralmente no lote, em forma de U, esse recurso de projeto deu origem a térreos com pilotis, passarelas em balanço, varandas periféricas e vazios de toda ordem, que acabam por enfatizar o caráter modular das edificações. “As salas de aulas foram intencionalmente implantadas entre passarelas e vazios. Com isso, foi possível propiciar maior riqueza volumétrica e conforto ambiental, melhor ventilação cruzada e uma sensação de liberdade que é indispensável ao bom desempenho estudantil”, explica o arquiteto.

Raciocínio semelhante está presente também nos alojamentos de estudantes e professores, qualificados por pátios abertos e coberturas verdes. São quatro blocos em U para os estudantes - no total de 140 dormitórios coletivos - e sete blocos para os professores, que somam 56 dormitórios. Complementam o conjunto os setores esportivo e cultural, posicionados, respectivamente, nos fundos e na parte frontal do lote. Dada a volumetria diferenciada, o ginásio e o teatro protagonizam a arquitetura do conjunto. O ginásio, mais discreto por sua posição, é coberto com o auxílio de estrutura metálica que fica aparente por cima das telhas; o teatro chama a atenção pelas formas que definem o foyer, a plateia e a caixa de palco.


Texto de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 351 Maio de 2009

Luiz Eduardo Índio da Costa se formou em 1961 pela Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Constituiu escritório em 1960, época em que trabalhava ainda em construtoras e na prefeitura carioca. Em 1970 passou a se dedicar exclusivamente ao trabalho em seu estúdio
Coberturas abobadadas recobrem parcialmente as edificações da escola, amenizando o calor nos interiores
O térreo semiaberto do bloco em U das salas de aulas estende os espaços de convívio aos exteriores
Vista frontal de um dos alojamentos de professores. A entrada pela varanda faz referência ao universo residencial
O térreo da biblioteca é envidraçado, em contato com o deque e a área ajardinada
Coberturas independentes, que se sucedem em todo o conjunto, amenizam a incidência solar nas edificações
Os alojamentos dos alunos estão organizados em edifícios em forma de U, com cobertura verde e jardim
Vista interna da biblioteca
As arquibancadas laterais sustentam a
cobertura metálica do ginásio
O ginásio não é completamente vedado ao exterior