Jorge Mario Jáuregui
Estações de teleférico, Rio de Janeiro
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- 24 de Janeiro de 2012. Visitas: 3.252
Na segunda semana de outubro, o fotógrafo (e arquiteto) Celso Brando estava no teleférico instalado no Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro, para registrar o projeto para esta publicação, quando sentiu o solavanco na gôndola em que embarcara: primeiro o veículo oscilou para trás e para frente, em seguida para cima e para baixo.
Nada que o desencorajasse, habituado que está a voos rasantes de helicóptero, em razão das encomendas de trabalho que são comuns em sua atividade. Mas seu assistente e a funcionária da empresa designada para acompanhá-lo ficaram lívidos.
Era o début deles no inédito e mais recente sistema de transporte de massa da capital fluminense, inaugurado em meados de 2011, com a presença até mesmo da presidente da República, Dilma Rousseff. A ideia de instalar o teleférico naquela comunidade foi tomada de empréstimo de Medellín, na Colômbia.
Lá, o transporte fez parte das intervenções urbanas e sociais que ajudaram a reduzir os índices locais de criminalidade - na década de 1990, a cidade colombiana era considerada uma das mais violentas do mundo.
É desejável que algo semelhante ocorra naquela região da capital fluminense, de onde, no final de 2010, narcotraficantes foram expulsos em uma operação militar conjunta da polícia estadual e das Forças Armadas, que deve culminar com a instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora em 2012.
E, dessa forma, que se abra o caminho para que, como espera o arquiteto Jorge Mario Jáuregui, autor do projeto, o teleférico e o conjunto das estações constituam, de fato, uma nova presença positiva na paisagem local.
“Hoje, logo que o visitante chega à cidade através do aeroporto do Galeão, ou enquanto espera no hall da sala de embarque para deixar a cidade, já percebe claramente quatro estações do teleférico, que literalmente colocam no mapa o Complexo do Alemão. Antes estigmatizado e invisível para o cidadão comum, ele agora está associado a uma nova condição de cidadania, passando de área de exclusão para área de visitação”, afirma Jáuregui.
O novo transporte percorre com suas 152 gôndolas um trajeto de 3,5 quilômetros ao longo do qual foram construídas seis estações: Palmeiras, Itararé, Alemão, Baiana e Adeus estão no topo dos morros, acima do complexo de favelas; Bonsucesso faz a conexão com o trem metropolitano, operado pela Supervia.
O arquiteto explica que cinco paradas foram concebidas como edificações sociais e, dependendo da localização, deveriam contar com biblioteca, núcleo de comércio, salas de estudos musicais, centro de apoio jurídico e serviços públicos.
A configuração prevista pelo arquiteto estabeleceu ainda, na zona de influência dos prédios, amplas áreas externas, com espaço público para lazer e recreação, incluindo a vegetação abundante como fator de amenização climática.
Já o projeto da estação do morro do Adeus foi desenhado de forma a funcionar como ponto de integração entre o teleférico e o acesso de veículos.
“Ela conta com um amplo espaço externo capaz de acolher visitantes e público de classe média, que pode utilizar os equipamentos e o anfiteatro natural projetado aproveitando a topografia local”, detalha o autor.
Jáuregui informa que as estações foram idealizadas como prédios verdes, com proteção por uma cortina vegetal, uso da água de chuva para irrigação dos gramados e jardins exteriores e captação de energia solar para iluminação externa, embora parte desses itens não tenha sido executada. Os edifícios também garantem a ventilação cruzada em todos os ambientes.
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 381 Novembro de 2011
Jorge Mario Jáuregui formou‑se em 1973 pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Nacional de Rosário, na Argentina



